“Exército de Lula” inspira canais de esquerda em eleições estrangeiras
O modelo de mobilização digital do “Exército do Lula”, canal de WhatsApp comandado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) durante o segundo turno da eleição brasileira, passou a ser adotado por apoiadores de lideranças de esquerda fora do país.
Na Argentina, na Espanha e na França iniciativas utilizam o aplicativo para distribuir orientações, ampliar a circulação de conteúdos e organizar militantes para disputas eleitorais.
Os três canais acompanhados somavam cerca de 269 mil seguidores nesta sexta-feira (30). O maior deles, ligado à campanha francesa de Jean-Luc Mélechon, reunia 161 mil inscritos. O argentino Ejército del Peronismo tinha 65 mil, enquanto o espanhol La Fuerza da la Gente alcançava 43 mil.
No Brasil, o canal de Janones ultrapassou 10 milhões de seguidores e foi utilizado para mobilizar apoiadores durante a campanha pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como mostrou a CNN Brasil, integrantes do governo defendem manter a ferramenta ativa para organizar manifestações de apoio e pressionar parlamentares na discussão de propostas no Congresso.
Argentina: mobilização peronista para 2027
Criado em 25 de outubro, dia do segundo turno brasileiro, o Ejército del Peronismo menciona expressamente o exemplo brasileiro em sua descrição: “Inspirado en el ‘Ejército de Lula’”.
O canal reúne apoiadores do peronismo, campo político de oposição ao presidente Javir Milei que inclui o kirchnerismo. A apresentação não aponta um candidato específico e estabelece como objetivo organizar a defesa das ideias do movimento, ampliar suas vozes e voltar a vencer em 2027, ano da próxima eleição presidencial argentina.
Na terça-feira (27), a iniciativa começou o dia com menos de 20 mil seguidores e terminou perto de 50 mil. Nesta sexta, o número chegava a aproximadamente 65 mil. A descrição também pede aos participantes que ativem as notificações para receber as orientações de mobilização.
Espanha: apoio à permanência de Pedro Sánchez
Na Espanha, o La Fuerza de la Gente reúne apoiadores do primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol. A mobilização busca fortalecer o socialista nas eleições gerais de 29 de novembro, convocadas antecipadamente após o governo sofrer derrotas no Parlamento.
O canal foi criado em 8 de outubro, antes da vitória de Lula. As referências ao presidente brasileiro aparecem nas publicações a partir de segunda-feira (26), depois do segundo turno. Entre os materiais divulgados pelos apoiadores estão orientações apresentadas como as regras da estratégia digital de Janones.
Na terça-feira, o espaço tinha cerca de 7.000 seguidores. Nesta sexta, eram aproximadamente 43 mil.
França: campanha de Mélenchon adota o modelo
O L’équipe de Mélenchon officielle, criado em 26 de outubro, apresenta-se como canal oficial de apoio a Jean-Luc Mélenchon na eleição presidencial francesa de 2027. Mélenchon é fundador do partido França Insubmissa, conhecido pela sigla LFI.
A iniciativa é divulgada pelo deputado Antoine Léaument, responsável pela comunicação do movimento. Em texto publicado em seu site na terça-feira, ele analisou a experiência brasileira e explicou que o canal francês havia sido lançado por um militante e incorporado às ferramentas nacionais da campanha.
“Essa técnica de mobilização é excelente. Nós também a estamos colocando em prática na França”, escreveu Léaument, em tradução livre. O parlamentar defendeu o uso do WhatsApp para distribuir orientações e incentivar comentários, curtidas e compartilhamentos de conteúdos políticos.
Na medição feita na terça-feira, o canal tinha cerca de 30 mil seguidores. Nesta sexta, reunia aproximadamente 161 mil. A descrição orienta os inscritos a ativar as notificações e também direciona para a página de apoio à candidatura de Mélenchon e para uma plataforma de participação em atividades de campanha.
A CNN Brasil procurou a equipe de André Janones sobre uma possível participação dele em algum destes canais, mas ainda não obteve retorno.
Como mostrou a CNN Brasil, Lula virou “garoto-propaganda” de campanhas no exterior após sua vitória contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória do presidente brasileiro tem sido tratada como uma espécie de contraofensiva à influência dos Estados Unidos em processos democráticos no mundo.