Candidatos de São Paulo pressionam Centrão por apoio a Flávio em eventual 2º turno

2 de Out de 2026 - 21:00
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Candidatos de São Paulo pressionam Centrão por apoio a Flávio em eventual 2º turno
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  • 02/10/2026 às 20:45

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Candidatos da Federação União Progressista em São Paulo articulam para que os partidos apoiem Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. A ideia é levar para o plano nacional o movimento feito no estado, onde as duas siglas se uniram em torno da candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e declararam apoio a Flávio. 

“Em São Paulo, nunca houve dúvidas, somos Flávio Bolsonaro desde o início. Ele, inclusive, esteve na convenção ao nosso lado em julho”, afirma o candidato a deputado federal bolsonarista declarado, jornalista Silvio Navarro (União-SP).

A defesa do apoio também é feita pelo candidato a deputado federal General Peternelli (União-SP). “Eu estou no União Brasil agora, mas sempre defendi o apoio ao Tarcísio e ao Flávio Bolsonaro, logicamente com o apoio aos dois senadores indicados pelo Tarcísio, o Derrite e o André do Prado. E também pressiono para que o União Brasil apoie abertamente o Flávio no segundo turno”, afirmou Peternelli à Gazeta do Povo. 

Na convenção estadual da federação, Flávio foi ovacionado, ao lado dos candidatos ao Senado Guilherme Derrite e André do Prado e do governador Tarcísio de Freitas.

A articulação dos candidatos paulistas ocorre enquanto União Brasil e PP mantêm neutralidade na eleição presidencial no primeiro turno.

Apesar da neutralidade, em 10 estados (Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins) a federação e o PL compõem coligações nas candidaturas ao governo estadual.

Há ainda o caso do Paraná, em que não há coligação, mas candidatos do União Brasil também já declaram voto para Flávio no primeiro turno.

Nos dias que antecedem o pleito, apuração da Revista Oeste aponta que o União Brasil já teria decidido apoiar o candidato do PL no segundo turno. A informação não foi confirmada oficialmente pelo partido. O Valor Econômico afirma que a Federação União Progressista teria agendado uma reunião para o dia 6 de outubro, com o objetivo de firmar o acordo em torno do segundo turno.

Pressão paulista por Flávio pode enfrentar interesses regionais do Centrão

O analista político e coordenador do curso de Pós-Graduação em Comunicação Política e Sociedade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Alexandre Bandeira avalia que o movimento da Federação União Progressista em direção a Flávio Bolsonaro tem peso que ultrapassa os votos de São Paulo. O estado tem o maior eleitorado do país e, sozinho, concentra parcela significativa do eleitorado nacional.

Somado a Minas Gerais e ao Rio de Janeiro, o Sudeste reúne cerca de 40% dos eleitores brasileiros, o que dá à região peso não apenas na votação, mas também na articulação política e econômica em torno da disputa presidencial.

Bandeira avalia ainda que, a depender do resultado do primeiro turno, as siglas do Centrão terão de recalcular suas alianças levando em consideração não apenas as afinidades políticas, mas também quem terá maior capacidade de reunir apoios e chegar competitivo à segunda etapa da eleição.

“Não me surpreenderia se, a partir de segunda-feira, dependendo do resultado da eleição que nós tivermos no Brasil, outros partidos que também orbitam nesse mesmo extrato político, que é o Centrão dentro do Congresso Nacional, possam vir também a se aproximar mais da campanha de Flávio”, afirmou.

Para o cientista político e especialista em Comunicação Eleitoral e Marketing Político e Gestão de Partidos Políticos Elias Tavares, São Paulo terá peso relevante na discussão por ser o maior colégio eleitoral do país e pela influência de Tarcísio dentro do campo político de direita. “Ele não é apenas um governador de São Paulo. Hoje ele é uma das principais lideranças nacionais desse campo político e tem capacidade de influenciar os partidos e lideranças que orbitam a sua administração”, afirma.

Segundo Tavares, porém, a posição paulista não necessariamente será convertida em uma decisão nacional. União Brasil e Progressistas precisarão considerar os interesses de seus diretórios e parlamentares em outras regiões, especialmente no Nordeste, onde há lideranças com relações políticas diferentes das existentes em São Paulo, inclusive com interlocução com o governo Lula. 

“Quando União Brasil e Progressistas forem tomar essa decisão, eles terão que olhar também para o Nordeste, para o Centro-Oeste, para o Norte e para as bancadas que serão eleitas para a Câmara e para o Senado”, diz. Para ele, isso deve provocar uma disputa interna relevante sobre o posicionamento da federação no segundo turno. 

Nesse cenário, para o analista, a neutralidade continua sendo uma possibilidade. Tavares afirma que, para partidos com forte presença no Congresso e que mantêm diálogo com diferentes governos, não escolher um candidato também pode ser uma forma de preservar margem de negociação depois da eleição. 

“São Paulo e Tarcísio de Freitas terão muito peso nessa discussão, mas assumir uma posição nacional significa administrar interesses completamente diferentes dentro de uma federação muito grande”, afirma.

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