Canetas emagrecedoras no SUS devem custar R$ 1,5 bi ao ano, estima ministro
O ministro Alexandre Padilha, da Saúde, estima que a inclusão de canetas emagrecedoras no SUS poderá custar cerca de R$ 1,5 bilhão por ano e alcançar “milhões” de pacientes. No entanto, ainda não há definição sobre quem terá direito aos medicamentos, quando a distribuição começará nem qual será o custo médio por tratamento.
Na semana passada, o Ministério da Saúde pediu à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a elaboração de um protocolo para o uso dos medicamentos em pacientes com obesidade. A pasta estima que 25% da população se enquadre nesse cenário, mas a definição do público será feita pela área técnica da comissão.
“Quando você pensa na escala de compras do SUS, produção local, isso nos traz a possibilidade de trazer uma redução de 80% a 90% do preço. Eu projeto que, com algo em torno de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, disse em entrevista à Folha de S. Paulo publicada nesta terça-feira (29).
A Conitec deverá avaliar critérios como grau de obesidade, presença de diabetes e outras comorbidades para estabelecer quem poderá receber os medicamentos. Também terá de calcular o impacto financeiro da distribuição, em um processo que pode restringir o universo de pacientes em relação à estimativa inicial do governo.
A expectativa de redução dos custos está relacionada também à ampliação da concorrência no mercado. Segundo o ministro, mais de dez canetas com semaglutida, mesma substância do Ozempic, devem entrar no mercado em 2026, o que pode aumentar a capacidade de negociação do governo.
A produção nacional é outro eixo da estratégia anunciada pelo Ministério da Saúde, com possibilidade de participação de laboratórios públicos e acordos de transferência de tecnologia com empresas privadas.
“O Brasil quer ser soberano na produção, para não acontecer como no caos da insulina. As poucas indústrias internacionais passaram a produzir os análogos de GLP-1 [conhecidos como canetas emagrecedoras] na mesma planta, e tivemos risco no abastecimento”, disse Padilha.
A Conitec já rejeitou três vezes a incorporação das canetas ao SUS nos últimos anos. Em agosto de 2025, negou um pedido da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, ao estimar custo de R$ 6,8 bilhões em cinco anos para atender algumas dezenas de milhares de pacientes.
A farmacêutica apresentou posteriormente uma nova proposta, desta vez voltada a um grupo mais restrito de pacientes com obesidade que já sofreram infarto. A estimativa da empresa é de aproximadamente 39 mil pessoas, com custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.
Padilha afirma que a proposta do governo pode tornar esse pedido “superado” por adotar uma estratégia mais ampla. A ideia é alcançar também pacientes acompanhados na atenção primária e participantes de programas de emagrecimento, e não apenas pessoas em protocolos destinados a casos mais graves ou atendidos em hospitais.
Além do preço, a Conitec já apontou outras dificuldades para a adoção dos medicamentos no SUS, como a necessidade de acompanhamento psicológico, atividade física e outras ações integradas. Padilha afirma que esse cenário mudou e cita a recomendação da OMS para o uso das canetas no combate à obesidade, além de investimentos previstos no programa Academia da Saúde para profissionais como nutricionistas e educadores físicos.
“Não estamos falando de incorporar um milagre estético, mas uma medicação que, combinada com outras ações de alimentação, atividade física, certamente poderá ter um impacto muito positivo, inclusive de custos para o sistema de saúde”, completou.