Com 3 protagonistas e terror lovecraftiano, Silent Hill: Townfall tem narrativa contida e não brilha tanto dentro da franquia

21 de Set de 2026 - 04:20
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Com 3 protagonistas e terror lovecraftiano, Silent Hill: Townfall tem narrativa contida e não brilha tanto dentro da franquia

chega esta semana, cumprindo a agenda da Konami, que se . Assim como o título de 2025, Townfall continua a tendência de explorar novas histórias fora da icônica cidade, demonstrando que Silent Hill é mais que apenas algo físico. E, enquanto utilizou da mitologia japonesa para nos mostrar o psicológico totalmente quebrado de Hinako Shimizu, o novo título busca elementos e criaturas lovecraftianas para esta nova história.

Silent Hill: Townfall é ambientada em 1996, na pequena ilha de St. Amelia. Aqui, controlamos Simon, que de repente acorda no cais desse local, sem saber muito bem o motivo, mas que precisa encontrar Zoe, uma misteriosa enfermeira que pode revelar o que está acontecendo aqui.

Lovecraft encontra Silent Hill

Enquanto Silent Hill f misturou elementos soulslike em sua jogatina, — “sem poderzinho”. Simon, nosso protagonista, tem apenas uma pequena CRTV que recebe sinais para decodificar e uma lanterna. Tudo isso adicionado ao ambiente totalmente lovecraftiano, afinal, estamos em uma ilha com muita névoa e com barulhos peculiares que lembram muito a de madeira rangendo. Ah, e claro, tentáculos no céu e eventualmente canos surgindo do nada. Não há algo mais lovecraftiano do que isso. Eu realmente achei que Chtullhu pudesse aparecer em algum momento do jogo.

Essa ambientação meio horror cósmico ainda é feita na perspectiva de 1ª pessoa, o que não só restringe o que vemos na tela, mas nos deixa um tanto claustrofóbicos também.

Nem um, nem dois, mas três personagens

Um ineditismo na franquia, Townfall não só apresenta Simon como um personagem jogável, mas Zoe (a enfermeira) e Richard. Três personagens que o jogador vai controlar e cujas histórias estão profundamente ligadas, cada um com sua própria jornada interna e conflitos para resolver — e isso tem pontos negativos e positivos.

Por um lado, por mais que todos tratem do mesmo episódio que viveram, são exatamente essas diferentes perspectivas que atrapalham a jornada de Simon, não só em um nível emocional e psicológico, mas porque eu senti que Zoe, por exemplo, é uma personagem melhor que ele, e isso acaba ofuscando o verdadeiro protagonista.

No entanto, é impossível negar como cada um adiciona um determinado peso à trama e ao jogo no geral, justamente por conta de suas limitações. Zoe acaba tendo o verdadeiro survival horror, justamente por ela não usar armas e ser totalmente à base de esconde-esconde, e isso reflete sua jornada interior. Simon resgata o terror do Silent Hill original, escondendo-se quando necessário, mas ainda conseguindo se defender quando possível, enquanto Richard tem praticamente toda a parte de ação; afinal, quando se pega uma escopeta, dificilmente ficaremos com medo de algo, e isso é basicamente como o personagem age ao longo do game.

Apesar de não poder revelar spoilers para que cada jogador tenha sua própria interpretação, para mim, nada vai superar a história de Silent Hill 2 ou a de f, e acredito que isso se mantém com Townfall. Por mais que a trama que vamos descobrindo seja igualmente interessante, não senti tanto o peso quanto a jornada de Hinako, por exemplo, pois consegui sentir a história dela em um nível mais pessoal e sentimental, ou a de James em Silent Hill 2, por conta da revelação de sua jornada. Townfall, no entanto, tem uma trama mais expositiva e a adição de mais pontos de vista deixa a história muito maior do que ela já é.

Uma evolução de Silent Hill f

Por mais que Townfall resgate os clássicos jogos de Silent Hill, ainda é possível perceber como o título de 2025 (f) influenciou o game. Na jornada de Hinako, a garota é levada ao Other World, o Mundo Sombrio, que mostra outra parte da jornada dela. O mesmo é aplicado com Simon, mesmo que esse “lugar” não tenha um nome ou seja realmente algo “físico”, igual ao do título predecessor. Ainda assim, ele serve como uma transição suave para também tentar entender mais da história e psicológico do protagonista. Claro, existem, sim, transições mais “bruscas”, como o fato de o jogo ser dividido em capítulos que normalmente mostram qual personagem você irá jogar.

Ainda comparando ao game anterior, Simon, com sua CRTV, tem a mesma mecânica que Hinako: sentir onde certos inimigos estão. O equipamento retrô nos ajuda a localizar (e nos alertar) inimigos sem a necessidade de ficar espiando atrás de uma parede, e é por meio dele que vemos para onde ir a seguir e até pistas e dicas para a resolução de quebra-cabeças.

O combate é algo que realmente não tem muito o que falar. Ele resgata o survival horror padrão de Silent Hill com Simon e Zoe, sendo possível simplesmente ficar 100% no modo stealth. Com Richard, no entanto, o jogador será obrigado a usar balas a rodo. Mas senti muita falta de inimigos, não da quantidade, mas do acervo. Eu realmente gostei da infinidade de criaturas apresentadas em f, todas elas representando algo dentro do psicológico de Hinako, mas Townfall tem praticamente somente quatro inimigos diferentes, todos eles com alguma variação em relação ao anterior e que não têm tanta diferença quando a questão é enfrentá-los, se necessário.

O Veredicto

Silent Hill: Townfall expande os horizontes da franquia ao combinar uma instigante atmosfera lovecraftiana com a perspectiva em primeira pessoa, mantendo a tradição de explorar os dilemas psicológicos de seus protagonistas. Embora peque pela falta de variedade de inimigos e por uma narrativa mais expositiva que não atinge o peso emocional de seus antecessores, o título se destaca pela boa dinâmica entre as diferentes jogabilidades de seus três personagens.