"Compadres", Zema e Caiado usam debate da Veja para atacar Lula e Flávio

23 de Set de 2026 - 23:30
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"Compadres", Zema e Caiado usam debate da Veja para atacar Lula e Flávio

Esvaziado pela ausência dos principais candidatos na disputa pela Presidência, o debate promovido pela Veja nesta quarta-feira (23/9) teve como protagonistas Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).  Sem grandes confrontos entre si, adotaram um “jogo de compadres” e concentraram boa parte das críticas nos adversários que não compareceram ao encontro, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Além dos dois líderes das pesquisas eleitorais, Renan Santos (Missão) recusou o convite para participar. Augusto Cury (Avante), que havia confirmado presença, cancelou a agenda nesta quarta-feira para comparecer ao velório do empresário Bruno Avelar. Com isso, Zema e Caiado foram os únicos dos seis candidatos convidados a subir ao palco do debate.

A ausência dos adversários foi o mote do encontro. Na chegada, Caiado classificou como “deprimente” o fato dos candidatos mais bem posicionados nas pesquisas não participarem do debate. Zema, por sua vez, apareceu vestindo uma camisa com a inscrição “Chega de intocáveis”, slogan utilizado em sua campanha.

Durante o primeiro bloco, dedicado a perguntas entre os candidatos, o clima foi de pouco confronto. Sem entrarem nas diferenças entre suas propostas, os dois presidenciáveis aproveitaram o tempo para defender seus respectivos governos estaduais e direcionar ataques aos candidatos ausentes.

Ao abordar a pobreza, Zema criticou a política fiscal do governo Lula e apresentou medidas adotadas durante sua gestão em Minas Gerais. Caiado, por sua vez, afirmou que seu governo em Goiás retirou mais de 600 mil pessoas da pobreza e da extrema pobreza e defendeu o uso do Sistema S como instrumento de qualificação profissional e porta de saída para beneficiários do Bolsa Família.

O caso do Banco Master também ocupou espaço central no debate. Tanto Zema quanto Caiado mencionaram as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro com o intuito de atingir Lula e Flávio.

Zema classificou Vorcaro como um “artista” da corrupção e afirmou nunca ter se encontrado com o empresário, apesar de ambos viverem há anos em Belo Horizonte. Ele também defendeu o aprofundamento das investigações e disse que o celular apreendido do banqueiro tem revelado relações com pessoas de diferentes campos políticos.

Caiado, da mesma forma, associou o escândalo aos dois principais adversários na corrida presidencial e questionou a capacidade de investigação do caso diante das relações políticas reveladas no curso das apurações.

Na área de segurança pública, os dois candidatos voltaram a apresentar pontos de convergência, com discursos de endurecimento no combate ao crime organizado e a defesa do enquadramento de grandes facções criminosas como organizações terroristas, tal como sugerido pelo governo dos Estados Unidos.

Perspectivas de segundo turno

A menos de duas semanas do primeiro turno, pesquisas mostram uma disputa concentrada entre Lula e Flávio. Levantamento AtlasIntel divulgado nesta quarta-feira mostra Lula com 45,8% das intenções de voto e Flávio com 43,4%. Caiado aparece com 1,3%, enquanto Zema registra 0,9%.

Após o debate, Zema sinalizou que pode apoiar Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. Questionado pelo Metrópoles sobre qual seria sua posição caso a disputa se confirme entre o petista e o candidato do PL, o governador de Minas Gerais evitou declarar apoio nominal a Flávio e disse acreditar que ainda pode chegar à segunda etapa da eleição. Na sequência, porém, afirmou que sempre estará do lado oposto ao PT.

“Continuo com a perspectiva de que estarei lá. Como eu disse, tudo acontece até o último dia. Enquanto o juiz não apita, o jogo não acabou”, disse. “Mas eu tenho reafirmado, confirmado, que onde o PT estiver, eu estarei contra o PT.

“Eu estou na política por causa do PT. Enquanto o PT existir, eu estarei combatendo essas ideias retrógradas e essa corrupção que ele causa”, acrescentou Zema.