Consumo das famílias cai pelo terceiro mês seguido com temor sobre empregos

28 de Out de 2026 - 17:50
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Consumo das famílias cai pelo terceiro mês seguido com temor sobre empregos

A intenção de consumo das famílias brasileiras caiu pelo terceiro mês consecutivo em outubro por preocupação com as perspectivas de emprego e a perda de poder de compra, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice recuou 0,8% em relação a setembro, para 103,6 pontos, o menor resultado desde janeiro deste ano.

A retração atingiu todos os quadros analisados, com destaque para a disposição de comprar produtos de maior valor, como eletrodomésticos e móveis. O indicador de Momento para Compra de Duráveis caiu 1,8%, na terceira queda consecutiva e na maior redução desde o início dessa sequência.

“Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, afirmou José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.

Ainda segundo a CNC, a percepção sobre a renda continua em trajetória negativa, embora tenha apresentado a menor retração de outubro, de 0,3%. Foi o quinto mês consecutivo de queda nesse componente, sinalizando dificuldades das famílias para ampliar o orçamento destinado ao consumo.

Tadros também apontou o endividamento como um dos fatores que limitam a capacidade de compra dos brasileiros. Dados recentes do Banco Central apontam que 49,9% das famílias brasileiras acumulam altas dívidas.

“Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, acrescentou.

Na comparação com outubro de 2025, o indicador de Perspectiva Profissional caiu 7,7%, o maior entre todos os componentes da intenção de consumo. Apenas 48% dos entrevistados mantêm uma avaliação positiva sobre suas perspectivas profissionais, o menor percentual desde setembro de 2022.

A sensação de segurança no emprego também perdeu força, apesar dos indicadores gerais do mercado de trabalho ainda apresentarem resultados favoráveis. Segundo a CNC, 42,7% das famílias consideram o momento seguro para conseguir ou manter uma ocupação, percentual inferior ao registrado nas pesquisas anteriores.

Outro sinal de cautela está no consumo efetivo das famílias, que atingiu 90,1 pontos em outubro, o menor patamar desde dezembro de 2025. O componente Nível de Consumo Atual recuou 1,3% no mês e acumula quatro meses de enfraquecimento.

A retração foi semelhante entre as famílias de diferentes faixas de renda, com queda de 0,8% tanto entre aquelas que recebem até dez salários mínimos quanto entre as que ganham acima desse valor. O indicador chegou a 101,4 pontos no primeiro grupo e a 115,4 pontos no segundo.

Apesar da sequência de resultados negativos no curto prazo, a comparação anual ainda aponta crescimento da intenção de consumo. Em relação a outubro de 2025, o indicador geral avançou 2,2%, impulsionado principalmente pela melhora na percepção sobre a compra de bens duráveis, que registrou alta de 14%.

A CNC destaca que a inflação mais baixa dos produtos duráveis ajudou a sustentar essa melhora na comparação anual. Em setembro, a variação acumulada em 12 meses desses produtos foi de 1,12%, bem abaixo dos 4,58% registrados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).