Controle da pressão arterial reduz risco para o coração pós AVC, diz estudo
O controle intensivo da pressão arterial é uma ação capaz de reduzir em 21% o risco de novos eventos cardiovasculares em pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico ou Ataque Isquêmico Transitório (AIT) prévio. Foi o que descobriu o estudo brasileiro de longa duração OPTIMAL, conduzido pelo Einstein Hospital Israelita.O mesmo efeito não foi observado em pacientes com diabetes tipo 2, nos quais a ação não demonstrou diferença significativa para proteger contra eventos cardiovasculares. Leia também SaúdePrática de mindfulness pode reduzir pressão arterial em 8 semanas SaúdeMascar chiclete após comer vegetais pode reduzir a pressão arterial SaúdeApós os 60 anos, é essencial medir a pressão arterial com frequência SaúdeHaja coração! Entenda a influência da Copa na pressão arterial Os resultados das descobertas foram apresentados nesta semana nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração de 2026 (AHA, na sigla em inglês). Ambos os trabalhos foram publicados no The New England Journal of Medicine neste sábado (7/11). As pesquisas foram desenvolvidas por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), do Ministério da Saúde.O efeito do controle da pressão arterial em pacientes com AVCNo estudo batizado de OPTIMAL-STROKE, foram acompanhados mais de 4 mil pacientes com pressão arterial elevada e histórico de AVC isquêmico ou AIT em 30 centros brasileiros das cinco regiões do país. O acompanhamento durou cerca de quatro anos.Os participantes foram divididos em dois grupos: um deles tinha a meta de manter a pressão arterial sistólica (PAS) abaixo de 120 mmHg, enquanto no outro o objetivo era o tratamento padrão, com meta abaixo de 140 mmHg.Segundo os resultados, os indivíduos com controle mais intensivo da pressão arterial reduziram a incidência de eventos cardiovasculares graves — como morte cardiovascular, infarto não fatal, AVC não fatal ou hospitalização — de 13,5% no tratamento padrão para 10,9% no tratamento intensivo, uma diferença correspondente a uma redução relativa de 21% no risco. As chances de novos episódios de AVC também diminuíram em 27%.“A pressão alta é o principal fator de risco modificável para o AVC, e controlá-la é essencial para evitar novos episódios. O estudo avança em uma questão que ainda permanecia em aberto: até onde esse controle intensivo poderia gerar benefícios para os pacientes. O OPTIMAL-STROKE ajuda a responder a essa questão a partir de uma população diversa, de diferentes contextos socioeconômicos e historicamente pouco representada nos grandes ensaios”, afirmou a autora principal do estudo, Gisele Sampaio, em nota.Estudo com diabetes tipo 2 não encontrou os mesmos resultadosJá o outro estudo, o OPTIMAL-DIABETES, foi realizado com mais de 9,4 mil adultos com diabetes tipo 2, pressão arterial elevada e alto risco cardiovascular em 33 centros das cinco regiões do país.Nele, a ocorrência de eventos cardiovasculares foi de 6% no grupo com controle intensivo de pressão arterial contra 6,7% no grupo com tratamento padrão. Os pesquisadores afirmam que a diferença não atingiu a significância estatística necessária. Por outro lado, os dados ajudam a trazer novas informações sobre o controle do risco cardiovascular em pacientes com diabetes, o que ainda é uma questão desafiadora na medicina.“Apesar de os resultados serem considerados neutros, é importante considerar a totalidade da evidência existente sobre o tema, a qual nos sugere que há, sim, benefício do controle intensivo em pacientes com diabetes, porém em menor magnitude do que em não diabéticos”, diz a autora principal do estudo, Karla Espírito Santo.