Devolvi o iPhone Duo depois de uma semana — e não me arrependo
Foi uma semana intensa. Usei o iPhone Duo como telefone principal, abri e fechei o aparelho mais vezes do que consigo contar, testei no trabalho, no sofá, na rua… e, no fim, coloquei tudo de volta na caixa e devolvi.
O primeiro dobrável da Apple é uma bela peça de hardware, mas ainda cobra caro demais pelo que entrega hoje.
Vale lembrar o contexto: o Duo foi apresentado em setembro, junto com os iPhones 18 Pro e 18 Pro Max, e chegou às lojas no dia 23 de outubro. São duas telas (uma externa de 5,4 e uma interna de 7,6 polegadas) e um preço que começa em US$2.000 nos Estados Unidos e R$22.000 no Brasil — o iPhone mais caro que a Maçã já vendeu. Ou seja, não é exatamente uma compra por impulso, e foi por isso mesmo que eu quis testá-lo com calma antes de decidir.
Começo pelo que mais me incomodou, porque foi o que pesou na decisão
A curva de aprendizado é real, especialmente para quem já vive no ecossistema da Apple. E, no meu caso, ela teve dois culpados. O primeiro é a ausência do Face ID. O Duo voltou ao Touch ID, agora embutido no botão lateral, e eu me peguei várias vezes encarando o telefone esperando que ele desbloqueasse sozinho. No fim da semana a coisa já estava mais natural, mas foi menos uma curva de aprendizado e mais uma curva de desaprendizado — depois de anos de Face ID, o gesto de olhar para a tela está no automático.
O segundo é mais curioso: a tela externa parece pequena demais, e a interna, grande demais. Meu cérebro passou a semana tentando decidir qual das duas fazia mais sentido para cada tarefa. Responder uma mensagem? Fechado. Ler um email mais longo? Aberto? Talvez. Parte disso deve ser culpa dos apps, que ainda não estão totalmente otimizados para esse formato — algo que vem mudando num bom ritmo, aliás —, mas a sensação de nunca estar na tela “certa” é cansativa.
Posts relacionados
- Apple destacará apps com suporte ao iPhone Duo na App Store; Instagram, WhatsApp e muitos outros são atualizados
- Halide, Gentler Streak, Soulver 4 e mais implementam suporte ao iPhone Duo
- Zoom, apps da Microsoft, Google Maps e mais são adaptados ao iPhone Duo
- Confira alguns apps que exploram o formato do iPhone Duo de maneiras criativas
Depois, vem o peso. São 254g, mais do que um iPhone 18 Pro Max, por exemplo. Para quem está acostumado com um iPhone de tamanho normal (como eu), a diferença aparece no bolso e na mão logo no primeiro dia.
Tem também uma questão de expectativa. Aberto, o Duo parece um iPad. Só que não é um, e essa diferença faz falta. O sistema continua sendo o iOS, então até dá para usar dois apps lado a lado, mas muita coisa que tornou o iPad realmente útil nos últimos anos (como o sistema de janelas que chegou com o iPadOS 26) simplesmente não está lá. É uma tela de iPad com a cabeça de iPhone.
E aí chegamos ao preço. Para um produto de primeira geração, é caro demais, e quando olho para o custo-benefício, eu simplesmente não enxergo a conta fechando. Isso me incomodou mais do que eu esperava, porque normalmente consigo justificar o preço premium da Apple pelo que recebo em troca. Com o Duo, essa justificativa não apareceu.
Por fim, um problema bem específico de quem mora no Canadá, mas que vale como alerta. Nos Estados Unidos, a T-Mobile oferece um recurso que permite usar o mesmo número em mais de um aparelho. Aqui, não encontrei nada equivalente nas operadoras. Na prática, isso me deixava com duas opções: adotar o Duo como único telefone ou pagar uma segunda linha só para manter os dois aparelhos ativos. Sinceramente, pagar mais uma linha em cima de um aparelho que já custa o que custa faz ainda menos sentido.
Dito tudo isso, seria injusto dizer que a semana foi só de frustração
A construção é excelente. O Duo passa exatamente a sensação que se espera de um produto premium da Apple: a dobradiça é firme, o acabamento é impecável e o vinco da tela praticamente desaparece no uso. Dá até uma certa pena ver tanto capricho no hardware esbarrar nas limitações do software.
E a tela aberta, apesar de tudo, é genuinamente útil. Se você consome muito conteúdo, trabalha com agentes de inteligência artificial ou precisa de dois apps rodando lado a lado, a experiência é muito boa. Foi nesses momentos que eu entendi a proposta do aparelho — o tamanho da tela faz todo sentido para esse tipo de uso. Só que, de novo, ainda não é um iPad, principalmente se considerarmos o quanto o iPadOS evoluiu.
As câmeras também me surpreenderam, mas não pela qualidade em si. Elas não chegam ao nível das do iPhone 18 Pro (não há teleobjetiva, por exemplo), mas o Duo tem alguns truques bem pensados. Dá para usar a tela externa para que você veja como está ficando a foto enquanto outra pessoa o fotografa, o que resolve aquela eterna dúvida (“ficou bom?”). E as pequenas animações que aparecem na tela para chamar a atenção das crianças na hora do clique? Simplesmente geniais! Quem tem filho pequeno em casa sabe o quanto conseguir um olhar para a câmera vale ouro.
É o tipo de detalhe que mostra o melhor da Apple pensando em produto: não é a especificação mais impressionante da ficha técnica, mas é aquilo que você usa todo dia e sente falta quando não tem.
Conclusão
No fim das contas, o iPhone Duo é um aparelho bonito, com ideias realmente boas! Mas as concessões e o preço ainda pesam mais do que aquilo que ele entrega hoje. Fico feliz de ter dado uma chance de verdade a ele, e igualmente tranquilo com a decisão de devolvê-lo. Quem sabe a segunda geração me faça mudar de ideia? 😉
Lembrando que essa foi a minha experiência, e que a sua pode ser completamente diferente — quero muito ouvir outras opiniões nos comentários e entender melhor o que possivelmente eu deixei passar.
NOTA DE TRANSPARÊNCIA: O MacMagazine recebe uma pequena comissão sobre vendas concluídas por meio de links deste post, mas você, como consumidor, não paga nada a mais pelos produtos/serviços ao usar os nossos links de afiliado.