Don Juan do Agro seduz, passa a perna em empresária e embolsa R$ 2 milhões
Inquérito instaurado pela apura o envolvimento de um empresário de 48 anos, acusado por uma mulher de cometer estelionato amoroso, apropriação indébita, além de violência patrimonial e psicológica. Eduardo Gabriel Sant Anna e Moura, o “don juan do agro”, é investigado por utilizar uma relação afetiva para obter sucessivas vantagens financeiras ilícitas e exercer severa violência psicológica contra sua então noiva.
A apuração policial reúne um vasto acervo de documentos, extratos bancários e depoimentos que detalham a derrocada financeira de uma comerciante de 34 anos, induzida a repassar quase R$ 2 milhões ao companheiro sob a falsa promessa de parcerias comerciais e investimentos num futuro em comum. O relacionamento entre a comerciante e o suspeito teve início no começo de 2023 e culminou em noivado no ano seguinte.
Apresentando-se como um homem de negócios bem-sucedido do setor produtivo e de família tradicional, o investigado conquistou a confiança da vítima e de seus familiares até passar a intervir diretamente em sua vida financeira. A estratégia para a captação do patrimônio da mulher começou com a transferência de mercadorias de sua empresa de distribuição para um galpão em Goiânia. A coluna tenta localizar a defesa de Eduardo Moura.
A vítima teve a vida financeira destruída após o golpe
A empresária perdeu carca de R$ 2 milhões
Empréstimos de R$ 200 mil
Sob o pretexto de apoiar a expansão dos negócios, o suspeito reteve e vendeu mais de 3,6 mil botijões de gás pertencentes à noiva, gerando um prejuízo direto estimado em R$ 800 mil (correspondentes ao lote de 3.738 unidades avaliadas em R$ 120 cada, além de outro lote de 500 unidades a R$ 150 cada). Quando a comerciante enviou um caminhão de carga à capital goiana para reaver os produtos, o homem ocultou-se por dois dias e, posteriormente, admitiu ter comercializado os bens sem autorização para cobrir compromissos financeiros pessoais.
Conforme as apurações policiais, a apropriação dos botijões de gás foi apenas a primeira etapa da espiral de sangria financeira. Com o passar dos meses, o acusado passou a pressionar a companheira para a realização de sucessivos empréstimos em dinheiro vivo e transferências bancárias diretas que ultrapassaram a quantia de R$ 200 mil.
A vítima zerou suas economias pessoais e contraiu dívidas bancárias, atingindo um saldo negativo de R$ 20,4 mil em suas contas para atender às exigências do noivo. Ele também convenceu a mulher a transferir a propriedade do veículo de passeio do casal, custeado por ela, para o nome da empresa de sua própria família.
Loja de vinhos fake
Além disso, Eduardo teria convencido a mulher a investir em uma loja de vinhos, supostamente de sua propriedade, sem que qualquer retorno financeiro tenha sido apresentado. Referente a esse investimento, a vítima possui três notas promissórias emitidas e assinadas pelo suspeito que comprovam os repasses e valores devidos: uma no montante de R$ 218 mil, com vencimento em 1º de março de 2024; outra de R$ 57,3 mil, com vencimento em 1º de janeiro do ano passado; e uma terceira de R$ 485,9 mil, com vencimento estipulado para 7 de março do ano passado, todas formalizando os investimentos e dívidas assumidas que jamais foram quitados.
A par das perdas patrimoniais que somam entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, as investigações apontam que a vítima foi submetida a um quadro contínuo de manipulação, humilhações e controle ostensivo por parte do investigado.
Mensagens de texto registradas em ata notarial e autos policiais mostram que o acusado utilizava rotineiramente termos ofensivos para desqualificar a noiva, além de monitorar seus deslocamentos em tempo real por meio de aplicativos de rastreamento instalados em seu telefone celular.
Crise de pânico
Testemunhas ouvidas pela autoridade policial confirmaram que a comerciante desenvolveu crises severas de ansiedade e pânico, passando a necessitar de acompanhamento psiquiátrico e medicamentos de uso controlado em decorrência do desgaste emocional.
Diante da gravidade dos fatos e do risco à integridade da vítima, a Polícia Civil representou pela concessão de medidas protetivas de urgência junto ao Juizado de Combate à Violência Doméstica Contra a Mulher de Palmas.
As ordens judiciais determinaram o afastamento imediato do suspeito do domicílio da comerciante e a proibição absoluta de aproximação e de qualquer tipo de contato, seja por ligações, redes sociais ou interposta pessoa. As autoridades policiais prosseguem com as diligências para a realização de exames periciais psicossociais, levantamento patrimonial e o interrogatório do investigado pelos crimes de apropriação indébita, violência psicológica e injúria.