Vitoria histórica da direita nas urnas acua o STF e consagra Jair Bolsonaro

5 de Out de 2026 - 22:00
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Vitoria histórica da direita nas urnas acua o STF e consagra Jair Bolsonaro

A direita obteve duas conquistas históricas nas urnas deste domingo (4):  vantagem de (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições 2026 e força parlamentar capaz de conter o Supremo Tribunal Federal (STF). , ganhou poder sobre a agenda nacional, seja lá quem for o escolhido em 25 de outubro para ser presidente.

O trunfo conservador mais contundente está no Senado. O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com 28 integrantes, a maior bancada partidária em início de legislatura desde 1988. Com ao menos 49 senadores favoráveis a processos de impeachment, faltariam cinco dos 54 para condenação por crime de responsabilidade e julgamento pelo Senado.

Em junho de 2025, em ato político na Avenida Paulista, Bolsonaro defendeu a conquista de metade da Câmara e do Senado como meio para mudar o país, mesmo estando fora do Palácio do Planalto. O Congresso renovado de 2027 condicionará a Presidência da República, filtrará as indicações ao STF e deliberará reformas estruturais para barrar de vez os excessos do Judiciário.

Mesmo preso e absolutamente silenciado, Bolsonaro elegeu centenas de aliados e pôs o primogênito às portas da Presidência, a esposa e outro filho no Senado, e mais um na Câmara. Somadas às vitórias de governadores já no primeiro turno, esses fatos mostram que nem a mais dura restrição a um político brasileiro conseguiu conter o seu capital político e eleitoral.

Direita avança com governadores eleitos e deputados campeões de voto

Flávio chega à etapa decisiva com vantagem pequena, mas acompanhada de saldos estaduais favoráveis e perspectiva de absorver o restante de votos da terceira via. A eleição de governadores ainda no primeiro turno, tais como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Cleitinho (Republicanos-MG) e Sergio Moro (PL-PR), cria palanques estratégicos para a mobilização presidencial.

Na Câmara, Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP), eleitos pelo PL, personificam a conversão de influência digital em votos, cada um com os seus recordes acima de 3 milhões de votos. O desempenho confirma a internet como espaço central de mobilização e liderança. A chegada deles e de outros ao Congresso impõe pressão por profunda mudança no Judiciário.

A história favorece Flávio. Desde a redemocratização, nenhum vencedor do primeiro turno perdeu o segundo. A campanha promove uma reunião com aliados e eleitos para mostrar capacidade de governar, numa estratégia que procura associar a perspectiva de vitória à formação de maioria robusta no Congresso. Lula, por sua vez, não tem de onde tirar votos de esquerda.

Entre os derrotados, Ronaldo Caiado (União-GO) preservou base estadual, elegendo o sucessor ao governo Daniel Vilela (MDB) e a esposa Gracinha Caiado (União) conquistou cadeira no Senado. Romeu Zema (Novo-MG), em contraste, terminou a corrida presidencial com só 0,27%, sinal de que o confronto com Flávio lhe custou votos. O seu partido, contudo, se alargou.

Derrotas de aliados expõem limites de Lula e inviabilizam a frente de 2022

Os célebres derrotados da esquerda evidenciam sérias dificuldades para Lula. Gleisi Hoffmann (PT-PR), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Manuela D’Ávila (Psol-RS) ficaram de fora do Senado. Com menos de 80 mil votos, José Dirceu (PT-SP) não voltou para a Câmara e frustrou expectativas altas.

Os resultados reforçam o avanço da direita e da centro-direita desde a eleição municipal. Já as derrotas de Ciro Nogueira (PP-PI) e Renan Calheiros (MDB-AL) indicam renovação maior de personagens. Na contramão do painel nacional, o Nordeste segue essencial à competitividade petista, com o Ceará e a Bahia se confirmando como redutos absolutos para Lula e a esquerda.

Nos governos estaduais, as derrotas de Patrus Ananias (PT) em Minas Gerais, e João Campos (PSB) em Pernambuco, mostram prejuízos do apoio de Lula. Para Campos, visto como líder da esquerda no pós-lulismo, o revés interrompe trajetória de ascensão. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) terminou atrás de Douglas Ruas (PL), expondo a fragilidade do presidente.

Os presidentes do Congresso também sofreram reveses. No Amapá, o grupo do senador Davi Alcolumbre (União) perdeu o governo para Antônio Furlan (PSD) e viu Rayssa Furlan (Podemos) conquistar uma cadeira no Senado. Na Paraíba, Nabor Wanderley (Republicanos), pai do deputado Hugo Motta (Republicanos), não se elegeu senador. O apoio de Lula deu efeito contrário.

Urnas já projetam novos comandos de Câmara e Senado e reforma do STF

. Rogério Marinho (PL-RN) desponta para presidir o Senado, enquanto a votação de Nikolas Ferreira reforça o seu peso na Câmara e o seu desejo de comandá-la. Intervenções dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do STF, na eleição deram mais força ao campo conservador.

Lula chega ao segundo turno distante da frente ampla de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro tenta converter força eleitoral em adesões. União Brasil e PP estão no alvo, mas eventual apoio estará condicionado a negociações de bastidor. Fortalecido pelo PL, o seu presidente, Valdemar Costa Neto, ganha protagonismo em negociações, tanto antes quanto após o segundo turno.

O apelo ao voto útil favoreceu a concentração de poder na direita, que explorou os temas nacionais de economia, segurança, corrupção e rejeição ao governo. A eleição ganhou caráter de julgamento de Lula, agora prestes a se aposentar e encerrar um ciclo de décadas. Na esquerda, sinais locais de avanço do PSOL sobre o PT antecipam cenários posteriores ao lulopetismo.

Se reeleito, Lula enfrentará um Congresso bem mais hostil e maior pressão por reformas institucionais. O cenário fortalece a direita, podendo levar até a um desfecho para o petista como o de Dilma Rousseff (PT), que foi afastada da Presidência pela crise econômica que provocou, impopularidade e falta de apoio parlamentar. .

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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