Eduardo Riedel, do PP, é reeleito governador do Mato Grosso do Sul
A votação para o governo do Mato Grosso do Sul foi decidida em primeiro turno, neste domingo (4), com a vitória de Eduardo Riedel (PP) nas eleições 2026.
Com 83,3% das seções eleitorais totalizadas, Riedel recebeu 67,41% dos votos válidos, o equivalente a 763.725 votos, garantindo a reeleição. Fábio Trad (PT), o segundo candidato mais votado alcançou 261.080 votos.
Riedel transformou rivalidade de 2022 em aliança para 2026
O governador Eduardo Riedel chegou ao pleito buscando a primeira reeleição da carreira, sustentado pela maior coligação já formada nas eleições estaduais de Mato Grosso do Sul, com nove partidos reunidos em torno da chapa.
Eleito em 2022 pelo PSDB em segundo turno contra o capitão da Polícia Militar Renan Contar (PRTB), Riedel migrou para o PP em 2025 e manteve na chapa que disputou a reeleição o vice José Carlos Barbosa, o Barbosinha, agora no Republicanos.
O símbolo dessa reorganização foi justamente o adversário de quatro anos atrás. Contar retornou ao PL em dezembro do último ano e concorreu a uma das duas vagas ao Senado dentro da própria aliança de Riedel, ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja, que também deixou o PSDB pelo PL e assumiu o comando da legenda no estado.
Na composição da chapa ao Senado, o senador Nelsinho Trad (PSD) abriu mão de tentar a reeleição para entrar como primeiro suplente de Azambuja, gesto que Riedel classificou como uma "demonstração de grandeza política".
Trad rompeu com aliados históricos para representar o PT
Fábio Trad chegou à disputa pela primeira vez a um cargo do Executivo depois de uma carreira construída inteiramente no Legislativo, com três mandatos como deputado federal entre 2011 e 2023. Filho do ex-deputado Nelson Trad e irmão do senador Nelsinho Trad (PSD), ele rompeu com o histórico familiar ao filiar-se ao PT em 2025.
O PT chegou a integrar a base de sustentação de Riedel durante boa parte do mandato, mas deixou o grupo político para lançar candidatura própria, movimento que culminou na indicação de Trad para encabeçar a chapa, ao lado de Gilda Maria dos Santos, a Dona Gilda, como vice. A candidatura foi oficializada em convenção que contou com a presença do ministro do governo Lula Wellington Dias.
A aposta marcou a tentativa do partido de romper um jejum de quase duas décadas no comando do Executivo estadual — a última vez em que o PT governou Mato Grosso do Sul foi com Zeca do PT, entre 1999 e 2006.
Delcídio do Amaral apareceu como terceira força na disputa
Ex-senador cassado em 2016 após delação premiada na operação Lava Jato, Delcídio do Amaral disputou o governo estadual pela terceira vez, depois de ter perdido para André Puccinelli em 2006 e para Reinaldo Azambuja em segundo turno em 2014. Pelo PRD, em federação com o Solidariedade, ele teve Mariliana Santos como vice na chapa.
Engenheiro eletricista, ex-ministro de Minas e Energia no governo Itamar Franco e ex-líder do governo Dilma Rousseff (PT) no Senado, Amaral carregou na candidatura o peso da Lava Jato: em 2015, foi preso sob acusação de obstrução de Justiça, tornou-se o primeiro senador preso em exercício do mandato e, após firmar delação premiada, teve o mandato cassado pelo Senado em 2016.
A campanha de Delcídio do Amaral foi construída em torno de um discurso de desenvolvimento econômico e infraestrutura, com propostas para ferrovias, hidrovias, integração logística internacional, industrialização, aproveitamento do gás natural e qualificação profissional — pauta que ele apresentou como projeto de modernização da economia sul-mato-grossense, concentrada no agronegócio.