EUA denunciam Maduro e esposa por conspiração para cometer tortura
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ, na sigla em inglês) acusou nesta quinta-feira (8) o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, de conspiração para cometer tortura.
Segundo informações da agência EFE, o órgão os acusa de colocar em prática uma estratégia de repressão e tortura para se manterem no poder.
Especificamente, a promotoria denunciou torturas ordenadas por Maduro e Flores contra opositores, militares e outras pessoas detidas, incluindo três cidadãos americanos.
“Maduro, Flores e outros membros de alto escalão de seu círculo íntimo usaram um sistema violento de tortura e repressão para manter seu poder na Venezuela. Fizeram isso por 25 anos para sufocar a dissidência política até que o governo dos EUA prendeu Maduro e Flores no início deste ano”, afirmou o procurador federal Jamie McDonald em entrevista coletiva, segundo informações da emissora CNN.
Segundo o texto, os abusos das autoridades venezuelanas contra cidadãos americanos aumentavam à medida que se intensificava a retórica de Washington contra Caracas.
Um dos casos de cidadãos americanos descritos na nova acusação, identificado como “vítima 7”, relata que ele foi alvo de tortura após ser “falsamente acusado de participar de uma conspiração para assassinar Maduro”.
Esses casos remontam a 2022 e se estendem até janeiro deste ano, quando as forças dos EUA capturaram o então ditador venezuelano em uma operação em Caracas.
A nova denúncia se soma a outros casos contra Maduro nos Estados Unidos. Em julho, o juiz federal americano Darrin P. Gayles, de Miami, determinou que Maduro, o empresário colombiano Alex Saab, outras cinco pessoas e o grupo criminoso Cartel de los Soles, do qual o chavista seria líder, deveriam pagar uma indenização de US$ 314 milhões a mais de dez cidadãos americanos que foram presos e torturados na Venezuela.
Os outros responsabilizados foram os atuais ministros do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, e da Agricultura, Vladimir Padrino (ex-ministro da Defesa); Maikel José Moreno Pérez, ex-presidente do Tribunal Supremo de Justiça; Néstor Luis Reverol, ex-ministro da Justiça e ex-comandante-geral da Guarda Nacional Bolivariana (GNB); e Tarek William Saab, ex-procurador geral da Venezuela.
No início de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação militar em Caracas que resultou na captura de Maduro e de Cilia Flores, para que respondessem na Justiça federal americana a acusações relacionadas a narcoterrorismo. O julgamento deste caso começará em 1º de junho de 2027.
Barry Pollack, advogado de Maduro, declarou nesta quinta-feira que ele “nega as acusações da nova denúncia e aguarda ansiosamente o dia do julgamento”.
Além disso, o ex-ditador é investigado na Flórida, por acusações de participação em um esquema de lavagem de dinheiro, e no final de junho foi alvo de uma denúncia no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Leste de Nova York, na qual as famílias de cinco homens venezuelanos assassinados acusam o chavista de ordenar as mortes.
Flores compareceu a uma audiência nesta quinta-feira, na qual foi negado seu pedido para que fosse transferida para prisão domiciliar sob a alegação de problemas de saúde.