EUA sancionam políticos do México acusados de facilitar atuação do Cartel de Sinaloa

29 de Set de 2026 - 20:00
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EUA sancionam políticos do México acusados de facilitar atuação do Cartel de Sinaloa

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (29) sanções contra políticos mexicanos acusados de usar seus cargos para facilitar as atividades do Cartel de Sinaloa e proteger integrantes da organização criminosa. A medida, divulgada pelo Departamento do Tesouro, faz parte de uma ação contra 21 pessoas e 25 empresas que Washington afirma integrarem uma rede de narcotráfico, lavagem de dinheiro e corrupção ligada à facção no México.

Entre os atingidos estão a deputada estadual do México Araceli Brown Figueredo e o prefeito de San Felipe, José Luis Dagnino López. O Tesouro também sancionou José Armando Ayala Robles, ex-prefeito de Ensenada, em Baja California.

Segundo o governo americano, os três mantêm vínculos com integrantes do Cartel de Sinaloa e teriam utilizado sua influência política para favorecer atividades da organização criminosa.

As acusações fazem parte da ofensiva de Washington contra a facção, classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista estrangeira desde 2025.

EUA acusam políticos de facilitar atuação do cartel

O Tesouro afirma que Araceli Brown, que comandou a prefeitura de Playas de Rosarito entre 2019 e 2024 e atualmente ocupa uma cadeira no Congresso estadual de Baja California, manteve relações com integrantes do Cartel de Sinaloa.

Segundo as autoridades americanas, durante sua administração municipal, operadores ligados ao cartel atuavam em esquemas de extorsão e recebiam pagamentos em troca de proteção e da possibilidade de continuar exercendo atividades criminosas.

José Luis Dagnino López, atual prefeito de San Felipe, também foi incluído nas sanções. Washington o acusa de manter vínculos com integrantes do cartel que atuam na região e de facilitar suas operações.

O terceiro político atingido, José Armando Ayala Robles, foi prefeito de Ensenada e posteriormente ocupou uma cadeira no Senado mexicano. O governo americano afirma que ele manteve relações com integrantes da organização e favoreceu seus interesses.

Operação mira grupo comandado por filho de “El Mayo”

A nova rodada de sanções também atingiu Ismael Zambada Sicairos, conhecido como “Mayito Flaco”, filho de Ismael “El Mayo” Zambada García, um dos fundadores do Cartel de Sinaloa.

Segundo o Tesouro, Zambada Sicairos lidera uma das principais estruturas da organização e disputa influência dentro do cartel depois da prisão de seu pai.

Washington afirma que o grupo comandado por ele controla rotas utilizadas para transportar drogas pelo México e em direção aos Estados Unidos.

Outros integrantes e operadores financeiros ligados à estrutura também foram sancionados, assim como empresas que, segundo o governo americano, eram utilizadas para movimentar ou esconder recursos provenientes das atividades criminosas.

Sanções bloqueiam bens nos Estados Unidos

Com a decisão, eventuais bens e ativos dos sancionados que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos e empresas americanas ficam bloqueados.

Empresas controladas em 50% ou mais pelas pessoas atingidas também ficam sujeitas às restrições. Cidadãos e companhias dos Estados Unidos, em regra, ficam proibidos de realizar transações com os sancionados sem autorização do governo.

O Tesouro afirma que a medida busca atingir não apenas os responsáveis pelo transporte de drogas, mas também as estruturas políticas, empresariais e financeiras que permitem ao Cartel de Sinaloa manter suas operações.

O governo americano tem ampliado a pressão sobre cartéis mexicanos desde que passou a tratar algumas das principais organizações criminosas da região como organizações terroristas estrangeiras.