Ex-prefeito denunciado à Justiça é nomeado secretário e MP pede afastamento em Rorainópolis

4 de Nov de 2026 - 16:20
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Ex-prefeito denunciado à Justiça é nomeado secretário e MP pede afastamento em Rorainópolis

Leandro Pereira da Silva, ex-prefeito de Rorainópolis investigado e denunciado por improbidade administrativa. Reprodução/Instagram O Ministério Público (MP) de Roraima pediu à Justiça o afastamento imediato do ex-prefeito Leandro Pereira da Silva do cargo de secretário de Gestão e Planejamento de Rorainópolis, no Sul do estado. Ele responde a nove ações por desvio de dinheiro e foi nomeado pelo atual prefeito, Pinto do Equador (Republicanos), que era o próprio vice dele. Leandro foi nomeado para o cargo no dia 7 de julho de 2026. No entanto, segundo o MP, o ato de nomeação não chegou nem a ser publicado no Portal da Transparência da prefeitura, e dificultou o acesso público à informação sobre o retorno do ex-prefeito ao alto escalão do município. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A ação, à qual o g1 teve acesso, foi protocolada em 25 de outubro. O MP pede a suspensão de Leandro do cargo por 90 dias, sem pagamento de salário. Para a promotoria, por estar no comando da pasta, Leandro passou a ter controle sobre sistemas, arquivos e servidores do município. Em nota, a defesa de Leandro Pereira alegou que desconhece o pedido de afastamento e ressaltou que o ex-prefeito não tem condenações que o impeçam de assumir cargos públicos. Disse ainda que ele tem formação em administração pública, o que o qualifica para a função, e que apresentará sua defesa ao longo do processo. O atual prefeito, Pinto do Equador, foi questionado, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem. A denúncia aponta para um risco de destruição ou manipulação de provas. O receio é de que a gestão da pasta possa ocultar dados e documentos oficiais ou constranger funcionários públicos que precisem depor como testemunhas nos processos contra Leandro por desvio de dinheiro público. Nesta terça-feira (3), a juíza Anita de Lima Oliveira decidiu não afastar o secretário de imediato. A magistrada considerou a medida extrema, e deu um prazo de 72 horas para que a Prefeitura de Rorainópolis e o ex-prefeito se manifestem, antes de tomar uma decisão final. A juíza também cobrou que o município detalhe quais são os poderes reais de acesso dele aos sistemas e esclareça se testemunhas dos casos, como uma fiscal de contratos, são subordinadas a ele. Na decisão, a Justiça também determinou que a prefeitura informe se Leandro realmente segue no cargo ou se exerce outra função. Leandro Pereira foi prefeito de Rorainópolis de 2017 até outubro de 2023, quando renunciou ao mandato em meio a uma grave crise de atrasos salariais. Com a saída dele, o então vice-prefeito, Alessandro Daltro Sousa, o Pinto do Equador, assumiu a prefeitura e foi reeleito em 2024, com 11.217 votos. Alessandro Daltro Sousa, o Pinto do Equador, nomeou ex-prefeito investigado. Ele era vice de Leandro Pereira. Reprodução/Instagram/Meciasdejesus Leia também: MP denunciou ex-prefeito e ex-secretário de Rorainópolis por improbidade administrativa Leandro Pereira renunciou ao mandato de prefeito em Rorainópolis e atual assumiu TCE-RR condenou ex-prefeito de Rorainópolis a restituir dinheiro desviado Prefeito, secretário e empresário foram alvos da PF por suspeita de desviar R$ 4 milhões para o combate à Covid no Sul de RR Suspeitas de desvios O pedido de afastamento de Leandro Pereira tem relação com processos por improbidade administrativa e ações que cobram a devolução de valores aos cofres de Rorainópolis. Entre os principais contratos do ex-prefeito sob investigação, estão: O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RR) identificou a falta de comprovação no uso de R$ 263 mil em combustíveis no ano de 2017. O relatório apontou que veículos particulares foram abastecidos sem licitação ou controle de quilometragem; Um convênio estadual de R$ 200 mil deveria pagar bolsas para crianças e adolescentes de baixa renda. A investigação aponta que o ex-prefeito retirou verbas do projeto para outras atividades, gerando um rombo de R$ 71 mil; A reforma da Praça dos Três Poderes do município, de quase R$ 500 mil e financiada por emenda parlamentar, foi abandonada. O MP descobriu que o dinheiro da reforma foi transferido para outras contas da prefeitura e de terceiros. Além destas três ações detalhadas no novo pedido do MPRR, o ex-gestor também responde a outros processos na Justiça, como a suspeita de desvio de R$ 5 milhões em parcelas de empréstimos consignados dos servidores e suspeitas de fraudes na compra de equipamentos durante a pandemia da Covid-19. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.