Nikolas critica prefeito de Fortaleza por cancelar show de Jorge e Mateus

4 de Nov de 2026 - 14:30
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Nikolas critica prefeito de Fortaleza por cancelar show de Jorge e Mateus

Belo Horizonte – O cancelamento do show da dupla Jorge & Mateus no Réveillon 2027 de Fortaleza provocou uma reação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que acusou o prefeito da capital cearense, Evandro Leitão (PT), de ceder à pressão política. A decisão foi anunciada nessa terça-feira (3/11), após a repercussão do apoio do cantor Jorge à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta (4/11), Nikolas criticou a decisão e afirmou que o cancelamento representa intolerância contra artistas que manifestam opiniões políticas diferentes das dos gestores.“Piora aí muito a situação do prefeito do Ceará, que simplesmente cancela o show do Jorge e Mateus por conta de pressão política, por eles, obviamente, terem declarado o voto na direita”, afirmou o parlamentar mineiro, que apoia, por outro lado, que consumidores boicotem empresas por diferenças políticas.O que aconteceuEm pronunciamento, o prefeito Evandro afirmou que a contratação dos artistas havia sido negociada meses antes e que os cachês seriam pagos integralmente por patrocinadores, sem recursos da prefeitura. Apesar disso, segundo o prefeito, a polêmica em torno da dupla acabou desviando a atenção do objetivo da festa.“Diante das questões posteriores que geraram polêmica, tirando o foco do nosso real objetivo, que é fazer uma das maiores e mais animadas festas populares do país, foi acordado o cancelamento do contrato de participação da dupla na celebração deste ano, de forma absolutamente legal”, declarou.O prefeito também reforçou que as negociações foram feitas antecipadamente e com o objetivo de oferecer uma programação de qualidade ao público. Ao anunciar o cancelamento, garantiu que Fortaleza manterá a programação de Réveillon e fará uma grande festa na virada do ano.Jorge afirmou ter carinho, admiração e respeito pela região nordeste e ressaltou que seu posicionamento político não representa o parceiro MateusEm sua manifestação, Nikolas também comparou a situação a uma eventual decisão de uma prefeitura comandada pela direita de retirar artistas identificados com a esquerda de uma programação pública.“Já imaginou se a prefeitura, por exemplo, de Salvador, decidisse cancelar os artistas de esquerda? Seria um escândalo, teria que tomar as manchetes e falar em censura e perseguição. Mas, como é do outro lado, aí está tudo bem”, criticou o mineiro.Os boicotesNikolas ainda retomou a discussão sobre boicotes a empresas e estabelecimentos comerciais em razão de posicionamentos políticos. Ele defendeu que consumidores tenham liberdade para escolher de quem comprar e quais serviços contratar.“Se você não quiser mais consumir a Netflix porque ela apoia e despeja dinheiro, é opção sua. Se você não quiser mais ir a um restaurante porque aquele dono do restaurante, por exemplo, apoia o aborto, é escolha sua”, declarou.Na avaliação do deputado, há contradição entre o discurso de tolerância e as reações contra pessoas que expressam opiniões divergentes. “As pessoas que mais arrotam virtudes, que ficam falando que a gente tem que ser tolerante, são as mais intolerantes”, afirmou.Onda de boicotes e cancelamentos após eleiçãoO episódio ocorre em meio a uma série de mobilizações e retaliações motivadas por divergências políticas após as eleições presidenciais de 2026. Em Minas Gerais, reportagens do Metrópoles mostraram a circulação de listas de empresas, comerciantes e profissionais acusados de apoiar Lula, acompanhadas de campanhas para que consumidores deixassem de comprar nesses estabelecimentos ou contratar esses serviços.Uma das reportagens mostrou que empresários passaram a defender publicamente a demissão de trabalhadores identificados com a esquerda ou a recusa de contratação de profissionais por suas posições políticas. O movimento também provocou manifestações de repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).O Ministério Público Federal (MPF) alertou que ameaças de demissão motivadas por escolhas políticas podem configurar assédio eleitoral, sujeito a consequências legais.A situação envolvendo Jorge & Mateus apresenta outro desdobramento dessa polarização: a reação de consumidores e internautas a uma manifestação política de um artista, seguida de pressão sobre gestores públicos e retirada de uma atração de uma festa popular. Leia também CelebridadesJorge e Mateus: prefeito sai em defesa da dupla após boicote no Nordeste CelebridadesJorge e Mateus enfrentam boicote no Nordeste após apoio a Flávio Bolsonaro São PauloDeputado pede investigação por boicote e perseguição a apoiadores de Lula Matheus LeitãoImagine um presidente Nikolas pregando boicote a quem vota diferente Salvador mantém contratação da duplaEm sentido diferente das decisões de Fortaleza e Recife, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), confirmou a participação de Jorge & Mateus no Festival Virada Salvador 2027. Nesta quarta-feira (4/11), ele afirmou que posicionamentos políticos não são critérios para definir as atrações do evento.“Esse festival celebra a música, a cultura, a arte. Nunca questão política foi critério para definição das apresentações e não pode ser”, declarou.O prefeito também defendeu a convivência entre pessoas com opiniões divergentes. “Nós vivemos em uma democracia, temos que respeitar opiniões divergentes. Democracia é ter capacidade de conviver com quem pensa diferente do nosso pensamento”, afirmou.A dupla está prevista para se apresentar em 31 de dezembro, na Arena O Canto da Cidade, no bairro Boca do Rio, ao lado de Parangolé, Ivete Sangalo, Dennis DJ e Bell Marques. O festival será realizado entre 30 de dezembro e 3 de janeiro.cantor sertanejo Jorge tocando violãoEntenda a polêmicaA controvérsia começou após a circulação de um vídeo gravado em 20 de outubro, em Nerópolis (GO), durante um encontro de artistas sertanejos em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, Jorge declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.A fala provocou críticas e pedidos de boicote à dupla, principalmente nas redes sociais. A contratação para o Réveillon de Fortaleza havia sido anunciada em 27 de outubro, uma semana depois da manifestação política.Além da capital cearense, Recife também retirou Jorge & Mateus da programação do Réveillon 2027. O prefeito Victor Marques (PCdoB) afirmou que a festa deveria ser um momento de união e que, diante da repercussão, “não há mais clima” para manter a apresentação.Jorge, por sua vez, publicou uma nota em seu perfil no Instagram e negou ter feito declarações ofensivas ao Nordeste. Em manifestação individual, afirmou ter carinho, admiração e respeito pela região e ressaltou que seu posicionamento político não representa o parceiro Mateus.nota cantor Jorge