Fachin cobra diretor da PF para concluir “inquérito das fake news”

13 de Out de 2026 - 20:30
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Fachin cobra diretor da PF para concluir “inquérito das fake news”

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cobrou nesta terça-feira (13) do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que acelere a conclusão do chamado “inquérito das fake news”, aberto há sete anos de ofício pelo então presidente da Corte, Dias Toffoli.

A conclusão do inquérito é frequentemente cobrada pela sociedade e por juristas por ter sido aberto sem provocação externa e que mirou, principalmente, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A ação chegou a ter o ministro Alexandre de Moraes como relator, mas foi puxada por Fachin para seu gabinete após as investigações do Banco Master chegarem a magistrados da Corte – principalmente o próprio Moraes que teria trocado mensagens com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.

“O presidente solicitou celeridade da Polícia Federal para o fim de examinar e decidir a conclusão do Inquérito (INQ) 4781, tendo a Polícia Federal adiantado que analisará as eventuais diligências pendentes”, disse o STF em uma nota divulgada após uma longa reunião de Fachin e Andrei Rodrigues durante a tarde (veja na íntegra mais abaixo).

Além da cobrança para a conclusão das investigações, Fachin pediu que todas as menções a ministros da Corte encontradas nas investigações sobre o Banco Master sejam enviadas a ele com seus respectivos contextos e sem avaliações da autoridade policial.

O ministro também ressaltou que a realização de atos investigativos de magistrados depende de autorização do plenário do tribunal, afastando apurações pedidas tanto por Moraes como por André Mendonça.

“Ressaltou que a autoridade policial tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo”, informou o comunicado.

A audiência foi solicitada pela própria Polícia Federal e também abordou as investigações sobre o escândalo do roubo a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o próprio Banco Master. Segundo a presidência do STF, a Corte aguarda uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para definir os próximos passos e analisar pedidos pendentes.

Fachin também tratou da segurança institucional e das ameaças dirigidas a ministros do Supremo, defendendo uma atuação preventiva e coordenada dos órgãos responsáveis pela proteção dos magistrados.

No caso de Alexandre de Moraes, as investigações revelaram a contratação do escritório de advocacia da esposa pelo Banco Masterpor R$ 129 milhões, além de informações sobre mensagens atribuídas ao banqueiro e contatos com o magistrado. Também se apurou que o próprio Dias Toffoli foi sócio de seus irmãos em um resort no interior do Paraná que negociou cotas societárias com um fundo ligado ao Master.

Já em relação a André Mendonça, o ministro teria tido encontros com um advogado ligado a Vorcaro e sobre uma possível relação entre o banco e o Instituto Iter, que o teve como sócio. Também foram relatadas a contratação de Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, por Vorcaro, além de reuniões e tentativas de aproximação.

Reunião de Fachin e Andrei

Veja abaixo, na íntegra, o que disse o STF sobre a reunião entre o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues:

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, recebeu, nesta terça-feira (13), em audiência solicitada pela Polícia Federal, o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues.

Na ocasião, foram tratados como temas principais:

Investigações relacionadas ao Banco Master

O diretor-geral tratou do Ofício 3467748, de 2 de outubro de 2026, solicitando informações sobre formato para apresentação do material respectivo.

O presidente esclareceu que a eventual realização de atos de investigação de ministro depende de autorização do Plenário da Corte, observadas as disposições constitucionais, legais e regimentais aplicáveis.

Ressaltou que a autoridade policial tem o dever de encaminhar todas as menções encontradas sem exceção, acompanhadas de seu contexto, em caráter estritamente descritivo.

Uma vez apresentados os elementos necessários, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ouvida a Procuradoria-Geral da República (PGR), pode deliberar nos termos do artigo 33, parágrafo único, da Lei Complementar 35/1979.

Ameaças dirigidas a ministros do Supremo Tribunal Federal

Foram igualmente examinadas questões relativas à segurança institucional e à existência de ameaças dirigidas a integrantes da Corte.

A Presidência reafirmou a importância da atuação preventiva e coordenada dos órgãos competentes, com vistas à proteção da integridade dos magistrados, à preservação da independência judicial e ao regular funcionamento das instituições.

A Polícia Federal reiterou seu compromisso de colaborar com a segurança em termos de prevenção e na adoção das respectivas medidas de sua competência.

Andamento dos inquéritos relacionados ao INSS e ao Banco Master

Também foram abordados aspectos das investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master, com especial atenção à observância das competências constitucionais, das garantias processuais e das atribuições próprias da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário.

No ponto especificamente, a Presidência registrou que aguarda pronunciamento da Procuradoria-Geral da República na Petição (PET) 16704 para o fim de levar a efeito os encaminhamentos devidos, inclusive com relação a pedidos a serem analisados.

Inquérito 4781

O presidente solicitou celeridade da Polícia Federal para o fim de examinar e decidir a conclusão do Inquérito (INQ) 4781, tendo a Polícia Federal adiantado que analisará as eventuais diligências pendentes.