Flávio viajou aos EUA utilizando passaporte italiano
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) utilizou seu passaporte italiano para viajar do Brasil aos Estados Unidos, entre a noite de terça-feira (27) e a manhã desta quarta-feira (28), quando desembarcou com a família em um aeroporto executivo da região da cidade norte-americana de Miami. O avião com o parlamentar, a esposa e as duas filhas chegou ao país por volta das 10h20, onde foi recepcionado por agentes do governo e fez rapidamente os trâmites imigratórios.
De acordo com a declaração de voo oficial do governo argentino, acessada pela imprensa do país, o voo de Flávio teve apenas quatro passageiros registrados: o próprio senador, a esposa Fernanda Figueiroa Bolsonaro e as filhas Carolina e Luiza Bolsonaro.
Enquanto a esposa e as filhas foram declaradas como brasileiras, Flávio Bolsonaro aparece com a nacionalidade italiana, o que significa que ele embarcou utilizando o passaporte do país europeu. Isso, porquê, o senador teve seus documentos pessoal e diplomático brasileiros cancelados na véspera após descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de entregar os passaportes.
Na documentação acessada pela imprensa argentina, consta ainda o registro de dois pilotos e um terceiro tripulante argentinos. O avião é apontado como “privado” de propriedade da empresa Baires Fly AS e decolagem do aeroporto de Puerto Iguazu, na fronteira com o Brasil, na quarta-feira (27).
A declaração de voo foi autorizada com carimbos do serviço de imigração da Argentina datada do dia 28 – ou seja, com a decolagem já nas primeiras horas do dia seguinte.
De Puerto Iguazu, segundo consta na declaração e confirmado por aplicativos de monitoramento de voos, o avião que transportou Flávio Bolsonaro e sua família seguiu para a cidade equatoriana de Guayaquil, onde fez uma escala técnica, e depois para o município de Opa-Locka, na região metropolitana de Miami, onde desembarcou num aeroporto executivo e fez os trâmites imigratórios em menos de meia hora.
A primeira informação sobre a viagem de Flávio Bolsonaro partiu do site argentino Infobae na manhã de terça-feira (27), que relatou que ele teria viajado de jatinho primeiramente à Argentina, governada pelo aliado Javier Milei, e seguido de lá aos Estados Unidos. Ao longo do dia, seus aliados confirmaram a informação.
No entanto, na noite, repórteres da imprensa argentina flagraram a entrada de uma van brasileira no aeroporto de Puerto Iguazu que, posteriormente, se confirmou ser a que transportou Flávio Bolsonaro do Brasil. O mesmo jato executivo que estava retido no terminal é o que pousou nesta manhã nos Estados Unidos.
PF relatou indícios a Moraes
Na véspera, um relatório da Polícia Federal já havia informado a Moraesos riscos para a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil afirmando que o senador contaria com o auxílio financeiro do advogado Willer Tomaz, que mora em Miami há dois meses, e que "dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje".
A autoridade policial também pontuou, entre os elementos a Moraes, uma declaração recente do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de que o irmão deveria deixar o Brasil caso perdesse a eleição presidencial, e de que o próprio senador dispõe de poder econômico para permanecer no exterior.
“Cabe recordar que EDUARDO BOLSONARO foi recentemente condenado pelo crime de coação no curso do processo”, registrou a PF no pedido.
Os investigadores também mencionaram a suspeita de que parte dos recursos enviados aos Estados Unidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, por intermédio do empresário Antonio Freixo para supostamente financiar o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), possa ter sido utilizada para custear a permanência de Eduardo no país.
“Não está descartada a hipótese de que parte desses valores tenha sido destinada ao custeio da permanência de EDUARDO BOLSONARO em território estadunidense”, afirma o documento.
Em entrevista a um programa dos Estados Unidos na semana passada, o ex-deputado cassado afirmou que “se meu irmão não vencer, sou a favor de que ele deixe o país. Sim, com certeza”.
Eduardo vive nos Estados Unidos desde março de 2025, em situação que classificou como “autoexílio”, e obteve do governo americano o chamado “Green Card”, documento que permite a residência de estrangeiros no país por tempo indeterminado.