Gleisi e Janones inflam militância para manter mobilização contra adversários de Lula

26 de Out de 2026 - 16:20
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Gleisi e Janones inflam militância para manter mobilização contra adversários de Lula

A ex-presidente do PT e ex-deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o deputado federal André Janones (Rede-MG) começaram a defender, nesta segunda-feira (26), que a militância de esquerda siga mobilizada contra os adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) principalmente a partir do próximo ano, em que o Congresso terá uma maioria de parlamentares da direita.

O pedido pela manutenção da mobilização ocorreu menos de 24 horas depois de Lula ser reeleito à presidência da República com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), representando uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

A partir de 2027, o Congresso terá em torno de 172 deputados somente da direita e da oposição, sem contar o pêndulo dos partidos do “centrão”, e até 48 senadores, o que forçará o governo a promover uma intensa e contínua negociação para fazer avançar projetos prioritários para a nova gestão lulista. Apenas o PL, considerado o principal partido da direita, elegeu 121 deputados federais e 28 senadores.

Gleisi Hoffmann pediu à militância que o movimento que mobilizou eleitores para votarem em Lula “não pode parar”. A mobilização ganhou força principalmente no segundo turno da eleição presidencial, revertendo o resultado negativo do primeiro em que o petista ficou cerca de dois milhões de votos atrás de Flávio.

“Lula terá que governar com participação popular constante para enfrentar a extrema direita, que vai atuar forte pra desestabilizar e impor sua força no Congresso Nacional. Terá de ser um governo muito diferente, de resistência e enfrentamento para defender a democracia e os direitos populares”, afirmou a ex-deputada.

Ainda segundo Gleisi Hoffmann, a direita brasileira classificada por ela como “bolsonarismo” é uma “face brasileira do fascismo” que, em sua visão, “não dará trégua e vai tentar impor seu projeto”. “Temos a obrigação histórica de barrar o retrocesso, e isso só será possível com muita mobilização popular”, completou.

"Exército" ainda ativo

Já André Janones, considerado o “general” do petista no canal “Exército do Lula” no WhatsApp, apelou para os mais de 10,5 milhões de participantes para que sigam vigilantes já antes do início do quarto mandato. A recomendação foi dada principalmente em reação a publicações dos novos nomes fortes de aliados de Flávio Bolsonaro, como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), entre outros.

“Esses caras são extremistas, são kamikazes. Eles querem o caos, não seguem as regras do Estado Democrático de Direito. Eles não têm que participar do jogo”, disse o deputado no canal.

Janones pede que os participantes do “Exército” não reajam e nem deem audiência a publicações e declarações de pessoas da direita para não criar engajamento a eles. Para o parlamentar, estes personagens não correspondem à direita propriamente dita, e sim a um “extremismo” que os próprios militantes deixaram criar.

“Precisamos entender que a guerra não acabou. Na eleição passada, o presidente Lula ganhou a eleição, fomos todo mundo pra casa descansar, passamos esse sufoco e tem gente que não entendeu que não dá mais pra fazer política de quatro em quatro anos. [...] A ameaça fascista ainda existe, agora é isso, é o tempo inteiro vigilante”, completou.

O canal de Janones foi reconhecido por Lula, durante o discurso da vitória na noite de domingo (25), como um ativo importante para a sua reeleição no segundo turno. Com isso, a promessa do deputado é de que o espaço seguirá ativo para mobilizar a militância contra o Congresso que tomará posse em fevereiro, após a volta do recesso parlamentar.