Googlebook é lançado com Gemini, Android e Snapdragon X Elite; preço parte de US$ 899
O Google apresentou nesta segunda-feira (21) a primeira geração de Googlebooks, nova categoria de notebooks criada em torno do Gemini Intelligence. Os computadores combinam tecnologias do Android e do ChromeOS com recursos de inteligência artificial integrados ao sistema e chegam em versões equipadas com Snapdragon X Elite e Intel Core Ultra.
A primeira geração é formada por cinco modelos produzidos por Acer, Asus, Dell, HP e Lenovo. Os preços começam em US$ 899, cerca de R$ 4.800 em conversão direta, e as pré-vendas já estão abertas nos Estados Unidos. Dois dos primeiros Googlebooks, produzidos por Dell e HP, utilizam a plataforma Snapdragon X Elite da Qualcomm.
Mais do que substituir o Chromebook, o Googlebook tenta criar uma nova categoria de notebooks premium na qual a inteligência artificial deixa de funcionar apenas como um aplicativo separado e passa a compreender o conteúdo exibido na tela, recuperar informações pessoais e executar tarefas dentro do próprio sistema.
Do sistema operacional ao “sistema de inteligência”
O Google apresentou inicialmente o conceito do Googlebook durante o Google I/O 2026. Na ocasião, a empresa afirmou que estava deixando de pensar apenas em um “sistema operacional” para desenvolver um “sistema de inteligência”.
O Googlebook OS reúne a base de aplicativos e serviços do Android, incluindo acesso à Google Play Store, com elementos tradicionalmente associados ao ChromeOS. O Gemini Intelligence funciona como uma camada integrada ao sistema, com acesso ao conteúdo da tela e aos serviços do usuário.
Um dos principais exemplos dessa integração é o Magic Pointer. Basta movimentar rapidamente o cursor para ativar o Gemini e selecionar algum elemento exibido na tela. A IA interpreta o conteúdo selecionado e apresenta ações relacionadas ao contexto.
Ao apontar para uma data dentro de um e-mail, por exemplo, o usuário pode criar um compromisso sem precisar copiar a informação e abrir manualmente o Google Agenda. Também é possível selecionar duas imagens e pedir ao Gemini que as combine ou compare.
Outro recurso é o Create Your Widget, que permite criar painéis personalizados por meio de comandos de texto. O Gemini pode pesquisar informações na internet e consultar serviços como Gmail e Google Agenda para reunir passagens aéreas, reservas de hotéis, compromissos e outros dados em um único widget.
O Googlebook também traz o Rambler, que transforma uma fala livre em texto organizado, removendo palavras de preenchimento e aplicando formatação automaticamente. Há ainda busca inteligente por arquivos baseada no conteúdo, sugestões contextuais sobre o que aparece na tela e integração com o Gemini Live para conversas por voz e compartilhamento da tela.
Segundo o Google, o agente do Gemini poderá continuar executando determinadas tarefas mesmo quando o notebook estiver fechado. A proposta é que a inteligência artificial atue de forma mais proativa, antecipando ações e usando o contexto disponível para reduzir etapas.
Googlebook se conecta diretamente ao celular Android
A integração com smartphones Android é outro elemento central da plataforma. O Cast My Apps permite abrir aplicativos do celular diretamente no notebook, sem que seja necessário instalar uma segunda versão no computador.
Com o Continue On, uma tarefa iniciada no smartphone pode ser retomada no Googlebook. Já o Quick Access permite visualizar, pesquisar e inserir arquivos armazenados no telefone diretamente pelo gerenciador de arquivos do notebook, sem realizar uma transferência manual.
Os computadores também terão acesso a milhões de aplicativos distribuídos pela Google Play Store, incluindo versões de Adobe Photoshop, Lightroom, CapCut, Canva, Notion, Microsoft 365 Copilot e serviços de streaming. Jogos para Android poderão ser instalados localmente, enquanto títulos mais pesados para PC poderão ser executados pela nuvem por meio do GeForce Now.
Snapdragon X Elite equipa modelos de Dell e HP
A Qualcomm confirmou que o Snapdragon X Elite estará presente em dois dos cinco Googlebooks anunciados inicialmente: o XPS Googlebook, da Dell, e o HP Googlebook 14.
Os dois notebooks contam com NPU Hexagon de até 45 TOPS para processamento local de inteligência artificial, além de 16 GB de memória RAM e 512 GB de armazenamento nas configurações iniciais.
O XPS Googlebook possui tela LCD sensível ao toque de 13,4 polegadas com resolução 2,5K, pesa aproximadamente 1 kg e promete até 18 horas de navegação. O modelo será vendido a partir de US$ 999.
Já o HP Googlebook 14 traz uma tela OLED sensível ao toque de 14 polegadas com resolução 2,8K, pesa aproximadamente 1,24 kg e promete até 19 horas de autonomia. Seu preço inicial será de US$ 1.299.
A presença do Snapdragon também reforça a aproximação entre o ecossistema Android e a plataforma de computadores da Qualcomm. Além de executar aplicativos nativamente, os chips foram projetados para manter tarefas de IA funcionando localmente com menor dependência da nuvem e baixo consumo de energia.
Apesar disso, o Googlebook não será uma plataforma exclusiva da Qualcomm. Acer, Asus e Lenovo utilizarão processadores Intel Core Ultra nos modelos apresentados nesta primeira geração.
Cinco Googlebooks chegam na primeira geração
| Modelo | Processador | Tela | Autonomia anunciada | Preço inicial |
|---|---|---|---|---|
| Acer Googlebook 14 | Intel Core Ultra 5 | OLED de 14”, 2,8K e sensível ao toque | Até 16 horas | US$ 899 |
| Asus Googlebook 14 | Intel Core Ultra 5 | OLED de 14”, 2,8K e sensível ao toque | Até 16 horas | US$ 1.299 |
| Dell XPS Googlebook | Snapdragon X Elite | LCD de 13,4”, 2,5K e sensível ao toque | Até 18 horas | US$ 999 |
| HP Googlebook 14 | Snapdragon X Elite | OLED de 14”, 2,8K e sensível ao toque | Até 19 horas | US$ 1.299 |
| Lenovo Googlebook 15 | Intel Core Ultra 5 | OLED de 15,3”, 2,8K e sensível ao toque | Até 13 horas | US$ 1.099 |
Todos os modelos partem de 16 GB de RAM e 512 GB de armazenamento nos Estados Unidos. Dependendo do mercado e da fabricante, algumas configurações poderão chegar a 32 GB de memória e 1 TB de armazenamento.
O Google estabeleceu ainda alguns elementos comuns à categoria. Os aparelhos utilizam materiais como alumínio, magnésio e fibra de carbono, possuem teclados retroiluminados, touchpads hápticos e uma tecla dedicada identificada pela letra “G”, que oferece acesso rápido aos recursos de busca e inteligência artificial.
Outro elemento visual compartilhado é a Glowbar, uma barra de iluminação que exibe animações durante a inicialização e indica o nível ou o estado de carregamento da bateria. O Google também pretende liberar o acesso à Glowbar para que desenvolvedores criem novas animações e funções.
Na segurança, os notebooks contam com o chip Titan C e autenticação por impressão digital ou reconhecimento facial, dependendo do modelo.
Preço e disponibilidade
As pré-vendas dos Googlebooks começaram nesta segunda-feira nos Estados Unidos. Os aparelhos chegam às lojas norte-americanas em 4 de outubro e serão lançados em 5 de outubro no Canadá, Reino Unido, Irlanda, França, Alemanha e Austrália.
Os preços nos Estados Unidos variam entre US$ 899 e US$ 1.299, aproximadamente R$ 4.800 e R$ 6.900 em conversão direta, sem considerar impostos ou custos de importação.
A compra inclui 12 meses do Google AI Pro, com 5 TB de armazenamento na nuvem e acesso às ferramentas avançadas do Gemini. O pacote também oferece períodos promocionais de serviços como YouTube Premium, Adobe Photoshop, CapCut, Luminar e GeForce Now.
O Google promete atualizações e novos recursos para o Googlebook OS por até dez anos. Até o momento, não foram divulgados preços nem previsão de lançamento dos Googlebooks no Brasil.