Hackers atacam supermercados na Europa e fazem geladeiras aquecerem até 50 °C
Um ciberataque a supermercados da França derrubou os sistemas de refrigeração de lojas das redes Intermarché, Leclerc e Coopérative U na madrugada desta segunda-feira (12). Os invasores ativaram o degelo automático dos equipamentos e o travaram em ciclo contínuo a 50 °C, segundo o jornal La Dépêche du Midi.
No mesmo fim de semana, a holandesa Albert Heijn e suas irmãs Etos e Gall & Gall, além da belga Delhaize, sofreram um “incidente de cibersegurança” que tirou sites e apps do ar, suspendeu entregas e deixou as etiquetas eletrônicas das gôndolas com preços errados, segundo a emissora NOS. Não se sabe se os dois casos têm ligação.

Como o ataque aqueceu as geladeiras?
O alvo na França foram os controladores de refrigeração da dinamarquesa Danfoss, usados pelas três redes. Esses equipamentos comandam o degelo das câmaras e dos expositores, uma rotina que normalmente dura cerca de duas horas por dia para evitar acúmulo de gelo.
Pelo relato, os invasores reconfiguraram a função para rodar sem parar, com a temperatura de degelo fixada em 50 °C.
Funcionários descreveram ao jornal “uma onda de calor” saindo dos freezers e geladeiras, e as perdas iniciais já se aproximavam de 300 mil euros, cerca de R$ 1,7 milhão, com estimativa de vários milhões em escala nacional.

“Atacar equipamentos essenciais à conservação de alimentos é de extrema gravidade e inédito.” Dominique Schelcher, presidente da Coopérative U, no X
Schelcher confirmou o ataque na manhã de segunda e disse que as equipes estavam mobilizadas com técnicos de refrigeração para restabelecer o frio. Ele prometeu uma investigação e chamou o episódio de inaceitável.

Holanda e Bélgica: sem entrega e com preço da semana passada
Na Albert Heijn, maior rede de supermercados da Holanda, os problemas começaram no domingo à tarde. Lojas abriram normalmente na segunda, mas sem site, app, atendimento ao cliente, pedidos online ou programa de fidelidade, e as etiquetas eletrônicas mostravam as promoções da semana anterior em vez do preço atual.
A Ahold Delhaize, controladora da rede, falou em “incidente de cibersegurança” e disse ter desligado sistemas preventivamente para proteger o ambiente de TI e os dados de clientes, funcionários e parceiros.
Na Bélgica, a Delhaize ficou sem pedidos novos para a semana, embora site e app seguissem no ar. Nenhuma das empresas deu prazo para normalizar.
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Infraestrutura física vira alvo
Ataques a varejistas costumam mirar dados de clientes ou pedir resgate por sistemas travados, mas aqui o estrago foi físico, com comida estragando em tempo real, numa segunda-feira, em centenas de lojas, o que explica a reação do presidente da Coopérative U ao chamar o caso de inédito.
Até a noite de segunda, ninguém tinha reivindicado o ataque, e a Danfoss não comentou se a falha está nos controladores, na rede das lojas ou nas credenciais de acesso. A conversão para reais usa o euro a R$ 5,57, cotação desta segunda.
Fonte(s): La Dépêche du Midi, NOS e Tom’s Hardware