Homenagem a Amador Outerelo, colecionador de arte que tanto celebrou a vida
“Apaixonado por celebrar a vida”. Entre tantas qualidades e particularidades, essa é uma das principais características que ficará marcada na mente e no coração de quem teve a honra e o privilégio de conviver com o amigo, confidente e grande embaixador das artes Amador Outerelo.
Generoso por natureza, esteta nato, anfitrião incomparável e dançarino contagiante. Sempre cercado de amigos, Amador, como o próprio nome diz, amava transformar encontros em momentos inesquecíveis. As recepções calorosas eram mais um de seus dons.

O colecionador de obras de arte também tornou tradição o jantar placé. Ele fazia questão de abrir a casa para brindar às amizades e pensava com requinte em todos os detalhes, sempre com o anseio de criar uma experiência singular e memorável. Assim conseguiu em todas as edições e com todos os convidados.


Le Freak Club
Na juventude, Amador Outerelo marcou presença nas discotecas dos melhores clubes do Brasil e do mundo. Com saudades de reviver essa recordação — e de dançar, uma de suas paixões —, decidiu criar a própria festa inspirada na década de ouro dos anos 1970 e 1980.
Batizado de Le Freak Club, o agito extraordinário seguiu a inspiração do Gallery, badalada boate inaugurada em 1979 e fixada em São Paulo.
“Pensando na maneira com a qual gostaria de celebrar meu aniversário e sempre tendo uma grande nostalgia das antigas boates que frequentava nos finais de semana, achei uma boa ideia recriar um desses espaços, com decoração, luzes, música e tudo o mais da época. Tinha certeza de que, quando as pessoas chegassem e se deparassem com tudo isso, seriam imediatamente transportadas para os anos 1970 e curtiriam muito esse retorno a uma época de grande felicidade”, enfatizou Amador à coluna Claudia Meireles.


À época, o Amador salientou amar colecionar episódios com as amizades, e o Le Freak Club foi um desses instantes marcantes: “Sinto um grande prazer em poder estar junto de quem eu quero bem. Todos são pessoas maravilhosas, que me dão tanto carinho o tempo todo.”
Não haveria, para mim, maneira melhor de celebrar meu aniversário e poder ver a felicidade nos olhos das pessoas se esbaldando na pista de dança. Não teve preço.Amador Outerelo
Compartilhar o belo
Ativo nas redes sociais, Amador gostava de compartilhar o belo. “Um pouco do que eu gosto, um pouco de quem eu sou”, escreveu na bio do Instagram. A página mostra o olhar sensível dele para tudo o que mais enaltece a alma — arte, música, viagens, gastronomia, joias, fé e natureza.

Em uma das postagens, o colecionador volta à infância e homenageia a mãe, Vilani, por quem está sendo segurado na fotografia. “Obrigado por ter me ensinado a acreditar que sempre é possível sonhar e alcançar o que se almeja”, escreveu na legenda.

Filho de Vilani e Amador Outerelo Fernández, Amador cultivava o amor pela família como alicerce da sua existência e como um tesouro valioso. Outro suporte para o advogado era a fé em Deus e em Jesus Cristo. Ele era devoto de santa Terezinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. “Ela é uma das santas que mais admiro”, pontuou.
O amor dos amigos
Amador prezava por cuidar das amizades. Prestigiava os amigos e não perdia a oportunidade de encontrá-los com frequência. Quando o encontro não ocorria fisicamente, mensagens e ligações entravam em cena.
Com a partida do embaixador das artes, a saudade grita no peito, mas o que fala mais alto nesse momento são as memórias de quem soube, verdadeiramente, amar e celebrar a vida.
Amador, um grande “gentleman”, elegante, refinado, amigo, sempre animado com a vida, nos deixou muito cedo, para tristeza dos amigos e família. Que Nosso Senhor o acolha em seus braços e conforte a todos que o amaram.Cleucy Estevão

Entre a exuberância das festas, a beleza da arte, as viagens e os grandes encontros, carregava consigo a certeza de que os vínculos mais preciosos eram aqueles construídos pelo amor, pela fé e pela amizade. Ficam as obras que amou, os lugares por onde passou, as mesas que reuniu, as histórias que contou, as gargalhadas que provocou e, sobretudo, o que afeto que deixou em tantas pessoas.Claudia Meireles, colunista do Metrópoles

Amador, onde você estiver, meu irmão, eu quero me lembrar de todos os momentos maravilhosos juntos. Você foi uma das melhores pessoas que passou em minha vida. A melhor coisa era pegar o telefone e ouvi-lo dizer quase todos os dias: ‘Bom dia, minha irmã. Como eu te amo’. Amor eterno.Anna Paola Frade Pimenta da Veiga

Você sabia receber como poucos: as pratarias, as louças lindas, a mesa impecável, a casa cheia de histórias e de arte. Tudo tinha a sua marca, o seu requinte, a sua elegância! Vaidoso, sofisticado, culto, colecionador de arte, você gostava de gente, de festa e, sobretudo, de dançar. E como dançava bem! Era difícil ouvir uma boa música e ficar parado. É assim que quero guardar você na memória: cheio de vida, elegante, entre amigos e com essa alegria que vi em você pela última vez, há apenas três dias.Bertha Pellegrino

Nas festas que fomos, muitas vezes abrimos a pista, com os passinhos que ele tão bem fazia e eu tentava acompanhar. Resolvemos, então, criar uma boate exclusiva, para apenas uma noite, inspirada na década de ouro — os anos 1970. Ele escolheu o nome Le Freak, detalhou como queria cada cantinho… e quem viveu aquela noite extasiante, viveu um privilégio: o último aniversário de seu idealizador. Obrigado por tudo, Amador. Amo você.Tiago Correia



















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