IA irá devastar a indústria de animação, e isso é excelente!

2 de Nov de 2026 - 13:10
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IA irá devastar a indústria de animação, e isso é excelente!

A Inteligência Artificial (IA) já está fazendo cirurgia cerebral em ratos, apavorando matemáticos, entusiasmando Ffsicos e desesperando o povo do Tumblr que vive de vender ilustrações de personagens de anime, mas seus efeitos atingirão áreas muito mais diversas, entre elas a animação.

Um personagem animado de rato, com orelhas pretas e rosto rosado, ocupa o centro da composição em pose frontal. Ele usa um chapéu de bruxo marrom com uma lua dourada na frente e uma capa escura caindo sobre os ombros. Na mão direita, ele segura um braçadeira de metal prateado com seis pedras coloridas incrustadas: roxo, vermelho, amarelo, verde, azul e rosa, além da inscrição "IA" em relevo dourado no pulso. A mão esquerda está estendida para frente, palma aberta. O fundo é composto por um campo escuro com raios de energia violeta e pedaços flutuantes de filme cinematográfico espalhados ao redor. A iluminação vem de trás e do alto, criando brilho nas bordas do chapéu e da luva, destacando as pedras coloridas e o rosto do personagem. O olhar é fixo na direção da câmera, com expressão confiante e levemente sorridente. A cena tem tom épico e mágico, sugerindo poder ou transformação associada à inteligência artificial.

IA vai mexer com a animação (Crédito: Disney/KREA2)

Automação até hoje sempre foi visto como um “problema” menor por afetar trabalhos menos nobres, do ponto de vista de quem critica automação. Do alto de suas torres de marfim, os intelectuais fazem “tsc-tsc” enquanto escrevem cartas protestando (mas não muito) contra bombas de combustível automáticas, elevadores sem ascensoristas e caixas eletrônicos.

Havia uma certeza e segurança que trabalhos intelectuais estariam seguros, mas a IA generativa mudou tudo, mas a verdade é que a tecnologia SEMPRE afetou todas as áreas, mesmo as mais nobres.

Todo mundo já leu por aí que a OpenAI está publicando toneladas de Papers gerados por seus modelos de IA, resolvendo problemas cabeludos de matemática, e isso está causando um rebu de proporções bíblicas na Academia.

Não é novidade. Computadores foram usados para resolver um problema de 124 anos, como conta este artigo do Pessimists Archive, excelente perfil do Twitter, recomendo.

A imagem é uma captura de tela ou foto de um recorte de jornal impresso, predominantemente em preto e branco. O título principal, escrito em letras maiúsculas e fonte grande no topo da página, lê-se "10 billion computer decisions solve color mapping puzzle". Logo abaixo do título, há um subtítulo menor com o texto "...have spent as long as 15 years working on it.".No corpo do artigo, organizado em quatro colunas de texto denso, a primeira coluna contém uma legenda atribuída ao "Washington Post News Service". O texto descreve o Professor Wolfgang Haken como um homem alto, careca e de aparência teutônica, que falou sobre o problema da conjectura dos quatro cores para uma audiência atenta na Universidade George Washington. Outros trechos do texto mencionam seu colega Kenneth Appel, a origem do problema em 1903 por um estudante no University College de Londres e a data exata da solução anunciada: 22 de julho de 1976. O layout é típico de jornais antigos, com linhas de texto justificado e margens estreitas.

Brrr que meda! (Crédito: Reprodução/The Washington Post/Pessimists Archive)

Algumas respostas dos matemáticos:

“Deus não permitiria que o teorema fosse provado por um método tão terrível quanto esse!” — Herbert Wilf, Universidade da Pensilvânia

“Se a solução envolve a verificação, por computador, de casos especiais... tal solução não pertence, de modo algum, à ciência matemática.” – Frank Bonsall, Universidade de Edimburgo

“Admitir as artimanhas computacionais de Appel e Haken nos domínios da matemática só nos deixaria intelectualmente insatisfeitos.” — Daniel Cohen, Hunter College, Nova York

Isso foi em 1976.

Computadores, máquinas, com ou sem IA são usadas para resolver problemas complexos fora do nosso alcance desde sempre. Nenhum piloto de caça precisa calcular mentalmente a distância, velocidade e direção de um avião inimigo, para posicionar sua mira no ponto certo. Isso é feito automaticamente.

Na Segunda Guerra Mundial a mira Norden era mais secreta que a bomba atômica, exigia treinamento especializado e condições ideais para atingir o alvo. Hoje qualquer caça-bombardeiro tem um sistema de mira que é basicamente point-and-click, ele projeta o ponto de impacto levando em conta centenas de parâmetros, e calcula tudo em tempo real.

Esta é uma fotografia em preto e branco que mostra um homem agachado ao lado do trem de pouso de um grande avião. O resumo da cena é: um homem está agachado perto da roda principal de um avião com a inscrição "ENOLA GAY" na fuselagem, segurando ou ajustando um equipamento fotográfico montado sobre uma caixa.No primeiro plano, à esquerda, está a roda grande do trem de pouso dianteiro e parte da estrutura de metal abaixo do avião. O homem está no centro inferior da imagem, agachado com as pernas dobradas e o corpo inclinado para frente, olhando para baixo na direção da câmera ou equipamento que segura sobre uma caixa retangular. Ele usa camisa de mangas curtas, calça de tecido escuro e sapatos baixos; os braços estão levemente dobrados enquanto apoia as mãos no equipamento. No plano intermediário, a fuselagem do avião ocupa a parte superior da imagem. Na lateral da aeronave, em letras maiúsculas e negras, lê-se claramente "ENOLA GAY". Logo abaixo, na mesma área metálica, há o número "82" também pintado. Justo acima da cabeça do homem, fixada na asa ou na parte inferior da fuselagem, há uma faixa retangular com a inscrição em letras menores: "NO SMOKING WITHIN 100 FT." O ambiente parece ser um pátio de pouso ou área técnica ao ar livre, sugerido pelo chão plano e pela luz difusa que indica dia nublado ou sombra suave. A iluminação é lateral e suave, criando sombras suaves sob o avião e o homem, sem contraste extremo. A câmera está posicionada em nível médio, ligeiramente elevada, capturando tanto a parte inferior do avião quanto o corpo do homem inteiro. A composição foca na relação entre o homem e a máquina, destacando a inscrição "ENOLA GAY" como elemento central de identificação. O tom geral é documental, com uma sensação de preparação técnica ou registro histórico. Não há movimento brusco, nem expressões faciais exageradas; o rosto do homem mostra concentração leve. A textura da foto revela grão característico de imagens antigas, com pequenas imperfeições e manchas típicas de fotos em papel antigo. O equipamento que o homem segura parece ser uma câmera profissional antiga, possivelmente usada para documentação ou reportagem. Em resumo, a imagem transmite um momento técnico e histórico: um fotógrafo ou mecânico trabalhando ao lado de um dos aviões mais famosos da Segunda Guerra Mundial, com detalhes claros de identificação e contexto operacional.

Thomas Ferebee, o encarregado do lançamento de bombas no Enola Gay, junto ao visor de bombardeio Norden em Tinian, após o lançamento da Little Boy. (Crédito: Ted H. Lambert/Wikimedia Commons)

Depois do Autocad ninguém mais faz cálculos de estrutura manuais. É extremamente importante que você saiba fazer os cálculos, que você saiba o que está fazendo, mas de posse do conhecimento, você pode delegar a tarefa para a máquina.

Nos primórdios da computação gráfica os artistas, que eram muito mais técnicos e engenheiros que qualquer outra coisa, tinham que entrar com as coordenadas de cada vértice manualmente, ou usando scanners 3D de pontos escaneando modelos. Hoje o ZBrush é uma ferramenta onde você esculpe um modelo 3D como se fosse argila. Todos os passos de modelagem 3D foram escondidos do usuário final.

Agora há IAs que de uma única foto geram um modelo 3D, com texturas.

É perfeito? Claro que não, mas pense no tempo que um artista economiza, refinando um modelo 3D existente, em comparação a começar do zero. E para objetos de fundo, é um problema resolvido.

Carros? Claro, carros. Antigamente trocar de combustível exigia regular o motor manualmente, e variações entre postos e octanagens podiam ser fatais para o veículo. Hoje essa regulagem é feita em tempo real, 40 vezes por segundo, e você nem toma conhecimento.

Cada vez mais tarefas complexas são facilitadas pela tecnologia, e com a IA isso se estendeu para tarefas consideradas complexas... e caras, o que dava a elas a ilusão de que estavam seguras.

Hoje o povo usa IA direto para criar cartazes e panfletos com cara de IA, ao invés de usar templates do Corel Draw. Também criam logos toscos sem precisar mais usar clipart do Word, e criam memes sem precisar usar o Paint ou aqueles sites xexelentos que enfiam marca d’água em GIFs animados.

Também estão usando IAs para criar memes hilários, as últimas eleições mostraram que memes são muito mais abundantes e divertidos do que vídeos e deepfakes maliciosos, o que foi uma agradável surpresa.

"IA nunca será capaz disso!"

Eu sei, eu sei, o povo que falava que IA nunca seria capaz de desenhar mãos ou fazer contas agora finge que nunca falou isso, enquanto tem que lidar com conjecturas matemáticas que pouca gente entende. IAs já fazem contas em nível de PhD. E só erram mãos de vez em quando.

A nova tábua de salvação do povo anti-IA é dizer que a Inteligência Artificial nunca fará um longa-metragem decente. Por enquanto é verdade. A China lançou um longa feito com IA, Sanxingdui: Future Past, que flopou de forma épica. Elon Musk cismou de criar uma versão em IA d’A Odisseia, de forma colaborativa, com centenas de criadores de IA produzindo cenas e montando a colcha de retalhos como um filme. Ficou uma bosta, como esperado.

Só que - de novo - é uma questão de tempo. IA é uma ferramenta, ferramentas demandam um período de aprendizado, e um período pós-deslumbramento, pois pra quem tem martelo novo, tudo é prego. Computação gráfica teve uma fase onde usavam para tudo, e faziam questão de apontar que era usada, a ponto de virar algo vergonhoso.

Até hoje temos o discurso “só usamos efeitos práticos”, que em 100% dos casos é mentira, e é ofensivo às centenas de artistas de CGi que trabalham nos filmes. Sim, Tom Cruise, estou olhando pra você em Top Gun: Maverick.

Na prática computação gráfica é usada o tempo todo e na imensa maioria das vezes ninguém percebe. Vide este rolo do Stargate Studios, uma casa de efeitos visuais.

Esse vídeo é de 2009.

Muito rapidamente o discurso “não usamos IA” vai desaparecer, mas mais rápido que isso, outra coisa vai desaparecer: os grandes estúdios (físicos) de animação.

Sim, crianças, A IA ainda não está pronta para o cinema, mas ela já dá conta perfeitamente de animação, e é uma evolução natural.

Eu sei que na mente de todo mundo animação é feita com células desenhadas manualmente, fotografadas uma a uma, produzidas em estúdios com funcionários semiescravos na Pior Coreia e na China.

O Banksy até fez uma abertura d’Os Simpsons reforçando isso:

Na verdade o trabalho hoje é 100% digital, Os Simpsons começou a experimentar com a tecnologia em 1995, por volta de 2003 fizeram a mudança e abandonaram os desenhos em papel ou acetato.

Animação 2D hoje em dia é feita com softwares, que interpolam movimentos, traçam e desenham usando imagens vetoriais, tornando a animação independente de resolução, e traduzem todos os recursos usados pela animação tradicional. Ao invés de um espelho, os animadores usam uma webcam, fazem as expressões e os softwares as traduzem para a animação.

Sincronia labial? Mesma coisa, você fornece o áudio, o software desenha a boca dos personagens nos movimentos corretos. O animador só corrige e refina o resultado.

Mesmo assim isso dá trabalho, e exige bastante conhecimento das técnicas e dos softwares.

Animação sempre foi um nicho, um formato de mídia caro e trabalhoso, por isso há poucos filmes independentes, mesmo os mais simples exigem dedicação extrema, como o clássico de 1969 Bambi meets Godzilla:

Fazer uma única cena de animação demanda muito trabalho, mesmo hoje em dia. Aladdin, que foi animado de forma tradicional em sua quase totalidade, contou com uma equipe de 105 animadores. Moana, animada principalmente usando computadores, contou com uma equipe de 287 profissionais.

Já Flow, o filme que ganhou o Oscar de melhor longa de animação em 2024, foi feito por 40 pessoas usando Blender, um software open source.

Mesmo assim ele custou US$ 4 milhões, totalmente fora do alcance do criador independente. Mesmo com a tecnologia, ainda é preciso uma equipe grande, e cara. Até agora.

Um episódio de Rick and Morty exige uma equipe de 80 pessoas da Lighthouse Studios, e leva entre 15 e 16 semanas para ficar pronto. Uma cena complexa de 10 segundos, com 240 quadros, pode levar um mês e custar US$ 50 mil.

Uma cena como esta:

Ela levou 9 minutos e só custou a eletricidade. Nem os pandinhas passaram sede, meu AIO é ciclo fechado.

É óbvio que não pode ser comparado com uma produção profissional, mas não é mais uma questão de tecnologia, é uma questão de dinheiro. A internet está cheia de mini animes do fenômeno Malfoid, indistinguíveis de animes genéricos.

Inclusive na duração, esse aqui tem 33 minutos!

Nunca antes na história do mundo fãs conseguiram fazer filmes com esse nível de qualidade sem arrecadar imensas quantias de dinheiro, levar meses, talvez anos produzindo, além de todo o drama envolvido.

Não só estamos presenciando uma revolução na produção audiovisual por parte das empresas, como agora ela se torna acessível aos reles mortais.

Quer criar o final de Caverna do Dragão? Continuar seu desenho favorito, mesmo depois de cancelado? Agora você pode. Dá trabalho? Sim, dá, mas não é mais o desafio impossível logística e financeiramente de antes.

Cinco minutos. Usando zero referências. Até as vozes o MiniMax H3 sabe imitar.

Assim como a produção de filmes foi democratizada com a câmera Super-8, a câmera de vídeo e hoje o celular, assim como a produção musical deixou de precisar de um estúdio, e a edição de vídeo pode ser feita em um laptop, assim como projetar equipamentos e peças não precisa mais de salões cheios de prancheteiros, agora é a vez da animação.

Você tem uma ideia, tem uma história para contar, quer entreter, deslumbrar, emocionar, mas não tinha como? Agora tem.

O efeito que isso vai causar nos estúdios tradicionais? Provavelmente muitos vão fechar. Outros vão se adaptar e vão produzir animações mais rápido e de melhor qualidade, recebendo mais e mais contratos. Imagine uma temporada de Invincible com 26, 30 episódios.

Com IA não teríamos aquela vergonhosa temporada de One Punch Man:

Conclusão:

A indústria de animação está prestes a ter seus alicerces abalados. Se será por amadores em seus quartos ou por estúdios modernos investindo em novas tecnologias, ninguém sabe, mas em 5, talvez 3 anos, nada será como antes. Para o bem ou para o mal.

IA irá devastar a indústria de animação, e isso é excelente!