Imprensa internacional repercute vitória de Lula e destaca confusão após decisão de Zanin

25 de Out de 2026 - 22:40
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Imprensa internacional repercute vitória de Lula e destaca confusão após decisão de Zanin

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições brasileiras, realizado neste domingo (25), virou destaque na imprensa internacional.

Jornais dos Estados Unidos, da Europa e da América Latina ressaltaram a virada do petista, que havia terminado o primeiro turno atrás de Flávio, e avaliaram os efeitos do resultado sobre o avanço da direita no continente e a influência do presidente americano, Donald Trump.

A cobertura estrangeira também destacou a confusão na eleição provocada pela decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação até as 19h, quando diversas seções eleitorais já haviam encerrado os trabalhos.

Veículos como o argentino La Nación, o espanhol El País e a agência americana Associated Press mencionaram os questionamentos à medida, a suspensão temporária da apuração e a possibilidade de contestações judiciais.

Lula conquistou seu quarto mandato presidencial com cerca de 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio Bolsonaro, com 99,9% das urnas apuradas. O resultado representa uma virada inédita desde a redemocratização, já que nenhum candidato que havia ficado em segundo lugar na primeira votação tinha conseguido vencer o segundo turno presidencial.

Imprensa estrangeira destaca virada de Lula e impacto para Trump

O jornal americano The Washington Post destacou o resultado como uma interrupção da sequência de vitórias eleitorais da direita na América Latina. O veículo ressaltou que o presidente Lula conseguiu reverter a vantagem obtida por Flávio Bolsonaro no primeiro turno, quando o senador terminou à frente por mais de dois milhões de votos. Segundo o jornal, o resultado impediu que o maior país da América Latina se somasse aos governos da região politicamente alinhados à direita.

A agência Reuters também classificou a vitória de Lula como uma recuperação eleitoral surpreendente. Na reportagem publicada após a confirmação do resultado, a agência destacou que Lula contrariou as pesquisas deste segundo turno e interrompeu uma sequência de vitórias da direita em países latino-americanos.

A Reuters avaliou ainda que a derrota de Flávio Bolsonaro impede Trump de conquistar um novo aliado regional. Ao mesmo tempo, a agência chamou atenção para as dificuldades que Lula encontrará no Congresso, onde o PL e seus aliados ampliaram a presença parlamentar.

Na Espanha, o jornal El País destacou que a reeleição de Lula representa uma “resistência política à ampliação da influência de Trump na América Latina”.

O jornal também chamou atenção para o cenário que Lula encontrará a partir de 2027. Apesar de vencer a Presidência, o petista terá de governar com um Congresso dominado por forças de oposição de direita, enquanto a maior parte dos países vizinhos também é comandada por presidentes de direita.

No Reino Unido, o The Guardian destacou a recuperação eleitoral de Lula depois de três semanas de campanha. A publicação também ressaltou o crescimento da participação eleitoral no Brasil, com a abstenção caindo de 21,08% no primeiro turno para 19,21% no segundo. O jornal britânico avaliou ainda que a derrota de Flávio representa um revés para Trump, aliado internacional da família Bolsonaro.

Jornais também repercutem confusão após decisão de Zanin

Na Argentina, o La Nación destacou que a decisão do ministro Zanin foi anunciada quando a contagem de votos já havia começado. A publicação citou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) precisou interromper a divulgação dos resultados, enquanto escolas utilizadas como locais de votação já estavam fechadas e algumas urnas haviam emitido seus boletins.

A reportagem também lembrou que Zanin atuou como advogado de Lula antes de ser indicado pelo presidente ao STF, em 2023. O jornal registrou as críticas do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, à decisão.

O La Nación também tratou das consequências internacionais da eleição. O jornal apontou que a vitória de Lula impede a entrada do Brasil no grupo de governos alinhados a Trump na América Latina e cria um cenário de incerteza para as relações com a Argentina, governada por Javier Milei, que apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha.

A cobertura destacou ainda que o resultado mantém o Brasil fora da iniciativa contra o crime organizado Escudo das Américas, liderada pelos Estados Unidos, e preserva a posição contrária do governo Lula à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Nos Estados Unidos, a Associated Press também destacou a reeleição de Lula e a confusão nos locais de votação gerada pela decisão de Zanin. A agência relatou que a decisão de Zanin foi tomada minutos antes do encerramento previsto para as 17h, mas chegou a algumas seções quando os trabalhos já haviam terminado. A Associated Press afirmou que a decisão poderá provocar questionamentos judiciais por parte de Flávio Bolsonaro.

O britânico Financial Times também repercutiu o resultado, destacando que Lula conquistou a reeleição em uma disputa apertada e “contrariou as expectativas” após ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

Na análise do jornal, a vitória dificulta os planos de Trump de ampliar sua rede de aliados na América Latina, mas não elimina os obstáculos políticos e econômicos do novo governo. O veículo apontou a dívida pública elevada do Brasil, as dificuldades fiscais e o fortalecimento da oposição no Congresso como desafios para este quarto mandato de Lula. O jornal também mencionou a controvérsia envolvendo a prorrogação da votação pelo STF.