Inadimplência e endividamento recuam pela primeira vez no ano, mas ainda em alto patamar
O número de famílias brasileiras com dívidas caiu pela primeira vez neste ano para 81,7%, em setembro, enquanto que a inadimplência também recuou para 29,6%, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) divulgada nesta quinta-feira (8).
A parcela de famílias com contas atrasadas caiu 0,3 ponto percentual em relação a agosto e chegou ao menor nível desde março. Mesmo com a melhora, o número ainda é alto e mostra que quase três em cada dez famílias têm algum pagamento atrasado.
“A redução do endividamento e da inadimplência dá um pequeno respiro para as famílias. A continuidade dessa trajetória exige medidas que favoreçam o acesso ao crédito em condições mais adequadas, com juros mais compatíveis com a realidade das famílias e das empresas”, disse José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac.
Outro sinal positivo foi o aumento do número de consumidores que não têm nenhuma dívida, de 17,7% para 18,1%. Também caiu, de forma leve, a parcela dos que se consideram “muito endividados”, que passou para 17,3%.
O número de pessoas que dizem não ter condições de pagar as contas atrasadas ficou em 12,5%. O índice não aumentou pelo terceiro mês seguido, interrompendo uma sequência de duas altas consecutivas.
O principal sinal de alerta, porém, está no tempo que os consumidores levam para pagar o que devem, chegando a 65,3 dias, em média. É o maior período desde novembro de 2024. A pesquisa apontou, ainda, que quase metade das contas vencidas (48,9%) está atrasada há mais de 90 dias.
A melhora também não aconteceu da mesma forma entre todas as faixas de renda. Entre as famílias que ganham até três salários mínimos, o endividamento caiu de 85,1% para 84,6%, enquanto entre aquelas com renda de três a cinco salários mínimos passou de 83,7% para 83,3%.
Na faixa entre cinco e dez salários mínimos, o movimento foi contrário: o endividamento subiu de 77,2% para 77,9%. Entre as famílias que ganham mais de dez salários mínimos, a inadimplência também teve uma pequena alta, de 14,9% para 15%.