Insta360 prepara óculos inteligentes para competir com Ray-Ban Meta
A Insta360 está construindo, em caráter experimental, óculos inteligentes com câmera e também câmeras mirrorless, segundo o cofundador Max Richter, em entrevista ao The Verge publicada nesta sexta-feira. Não há nome, data nem preço para nenhum dos dois produtos.
Só que a empresa não quer disputar com a Meta no terreno da inteligência artificial. Se vender óculos, disse Richter, “não competiríamos necessariamente com empresas em recursos inteligentes”.
A aposta seria capturar imagem de qualidade com conveniência, e não um assistente no rosto.
Por que a Insta360 quer sair das câmeras 360
A marca chinesa domina 73% do mercado mundial de câmeras 360, segundo a IDC, e acaba de vender a unidade de número 10 milhões. Em 19 de setembro, abriu a primeira loja própria fora da Ásia, na Times Square, em Nova York.

O objetivo declarado é virar “uma das principais empresas de câmera de imagem”, o que significa enfrentar Canon, Sony, Nikon e Fujifilm, não só GoPro e DJI.
“Não tentamos lutar contra a ascensão do smartphone na fotografia.” Max Richter, cofundador da Insta360
Richter vê espaço entre quem fotografa com celular e quem usa câmera profissional, e é nessa faixa que os óculos e a mirrorless entrariam.
A empresa gastou cerca de US$ 298 milhões em compras antecipadas de chips de memória, mais do que vale a GoPro inteira, segundo o South China Morning Post.
O que se sabe da mirrorless da Insta360
Em agosto, o fundador JK Liu disse ao site japonês MyNavi que duas mirrorless estão em desenvolvimento, uma delas com um formato “que ninguém imaginou”, e que um protótipo deve aparecer na feira CP+ de 2027, no Japão.

Ao Verge, Richter falou em uma câmera mais conveniente, feita para uma nova geração de criadores, e não para repetir o que já existe. O público-alvo, segundo Liu, é quem não sabe usar câmera de lente intercambiável.
Onde a Insta360 está hoje, em números da IDC
| Categoria | Fatia da Insta360 | Líder |
|---|---|---|
| Câmeras 360 | 73% | Insta360 |
| Câmeras de ação com módulo destacável | 43% | Insta360 |
| Câmeras de ação tradicionais | 17% | DJI |
| Câmeras portáteis inteligentes | 20% | DJI, com 73% |
| Câmeras com gimbal (Luna Ultra) | 6% | DJI |
A GoPro, que criou o mercado de câmera de ação, ficou com 3% no segundo trimestre, com embarques pela metade, em torno de 200 mil unidades. A DJI vendeu 4,3 milhões de câmeras no mesmo período, e a Canon, 4,5 milhões em todo o ano passado.

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O que fica fora: drones e fábrica nos EUA
Richter descartou drones da própria Insta360, embora a marca seja sócia da Antigravity, e disse que produzir nos Estados Unidos “não está no plano nem no roteiro neste momento”. Sobre levar as câmeras ao mundo todo, ele se disse confiante, mas admitiu que “certas coisas estão fora do nosso controle”.
Para o consumidor, o recado prático é outro: a X6 acaba de ganhar, via app, um recurso de cena em 3D por Gaussian splatting, com processamento na nuvem em uma ou duas horas e quatro usos gratuitos por mês. Os óculos, por enquanto, ficam no laboratório.
Fonte(s): The Verge, Insta360 e Digital Camera World