IRB (IRBR3): JPMorgan eleva preço-alvo para R$ 80 após aprovação de nova lei

O JPMorgan elevou o preço-alvo do IRB Re (IRBR3) para R$ 80 por ação, ante R$ 68 anteriormente, após a aprovação do Projeto de Lei 3.540/2026, que, segundo o banco, deve melhorar a rentabilidade e o potencial de distribuição de dividendos da companhia. O banco manteve a recomendação overweight (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra).
Na avaliação do JPMorgan, a nova legislação altera estruturalmente o cenário competitivo do setor de resseguros ao reduzir a assimetria tributária entre empresas locais e concorrentes estrangeiras.
Entre as mudanças estão a redução da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para resseguradoras locais, de 15% para 9% a partir de 2027, a retirada da alíquota adicional de 10 pontos percentuais do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a partir de 2030 e o fim do limite de 30% para utilização de ativos fiscais diferidos (DTA).
O banco espera que o IRB utilize parte do ganho de rentabilidade para acelerar o crescimento. Com isso, elevou a projeção de crescimento dos prêmios emitidos para 6% em 2027 e 8% em 2028, ante estimativas anteriores de 1,3% e 6%, respectivamente. Para 2026, a projeção é de queda de 8,1%.
O JPMorgan também estima payout, parcela do lucro líquido distribuída aos acionistas na forma de dividendos e juros sobre capital próprio, superior a 50% nos próximos anos. Isso poderia resultar em um dividend yield, indicador que mostra quanto uma ação pode pagar em dividendos em relação ao seu preço, de cerca de 8% em 2027.
O banco ressalva, porém, que a revisão dos ativos fiscais diferidos (DTA), créditos tributários que podem reduzir impostos futuros, decorrente das novas alíquotas deve levar as reservas de lucros novamente para território negativo, limitando a distribuição de dividendos. A expectativa é de que a companhia volte ao ponto de equilíbrio, quando o saldo deixa de ser negativo, nesse indicador em meados do segundo trimestre de 2027.
No curto prazo, o banco reduziu suas estimativas de resultados diante da possibilidade de novos sinistros relacionados ao terremoto ocorrido na Colômbia. Para 2026, a projeção de lucro líquido foi reduzida em 15%, para R$ 472 milhões. Já para 2027, a estimativa foi elevada em 10%, para R$ 738 milhões.
O principal risco para a tese, segundo o JPMorgan, são as eleições. O banco avalia que o IRB pode ter desempenho inferior ao setor financeiro em um cenário de maior apetite por risco, devido à elevada participação dos resultados financeiros na formação do lucro antes dos impostos, de aproximadamente 85%.
Com o novo preço-alvo, o JPMorgan calcula que o IRB seja negociado a cerca de 7 vezes o lucro projetado para 2027, ou aproximadamente 4,7 vezes considerando o lucro em caixa.
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