Itália marca para o fim de outubro novo julgamento de extradição de Carla Zambelli

10 de Out de 2026 - 11:30
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Itália marca para o fim de outubro novo julgamento de extradição de Carla Zambelli

A Justiça italiana marcou para 27 de outubro a retomada do julgamento do pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). A audiência será realizada às 11h30, horário local, e examinará o caso da perseguição armada a um jornalista em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

A sessão estava prevista para 29 de setembro, mas foi adiada por uma greve de advogados penalistas italianos. A paralisação teve adesão da defesa de Zambelli e do representante do governo brasileiro, impedindo o início da nova análise do pedido apresentado pelas autoridades brasileiras.

O processo retorna à Corte de Apelação de Roma depois de a Corte de Cassação anular, em 1º de julho, a autorização anterior de extradição. A instância superior determinou novo julgamento, por uma turma diferente. A nova audiência ficará a cargo da Primeira Seção Penal do tribunal italiano.

O pedido se baseia na condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O episódio envolveu o jornalista Luan Araújo, perseguido pela ex-parlamentar após uma troca de provocações.

Ministério Público italiano apontou parcialidade da Justiça do Brasil

No julgamento de julho, a Procuradoria-Geral italiana defendeu a rejeição da extradição por questionar a imparcialidade da condenação no Brasil. A Corte de Cassação, porém, determinou nova análise. A decisão não equivale ao encerramento daquele pedido de entrega.

Outro pedido de extradição, referente à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi rejeitado pela Corte de Cassação em maio. Nesse caso, Zambelli recebeu pena de 10 anos no Brasil. A decisão italiana encerrou aquele processo de extradição e abriu caminho para a sua soltura.

Ela foi presa em Roma em julho de 2025, após deixar o Brasil na esteira da condenação no caso do CNJ. Ficou mais de nove meses na penitenciária feminina de Rebibbia e está em liberdade desde maio. A ex-deputada tem cidadania italiana e continua sendo considerada foragida no Brasil.

A audiência de outubro não assegura o desfecho imediato para a disputa. O advogado Enrico Giarda, que representa o Brasil, disse que o procedimento seria refeito do início, com possibilidade de recursos. A Advocacia-Geral da União (AGU) sustenta que o pedido brasileiro segue o tratado de extradição entre países.