PT aposta no medo de cortes sociais com onda digital de fake news para vencer Flávio

9 de Out de 2026 - 21:20
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PT aposta no medo de cortes sociais com onda digital de fake news para vencer Flávio

A campanha de reeleição do presidente (PT) aposta no medo da perda de benefícios sociais para vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. Para isso, agentes de uma força-tarefa deflagraram esta semana uma avalanche digital de mentiras sobre propostas do adversário.

O movimento nas plataformas online, chamado de “terrorismo eleitoral” pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), começou com força nesta quarta-feira (8), apoiado por influenciadores como o deputado e deputados eleitos Pedro Rousseff (PT-MG) e Ana Elisa (PT-MG).

Lula orientou os aliados a advertir beneficiários de programas sociais e aposentados sobre possíveis cortes nos benefícios em um eventual governo Flávio. A estratégia ganhou corpo na reorganização da campanha logo após o primeiro turno, quando o petista ficou atrás do rival, buscando reversão.

Nesse ambiente, a equipe de Flávio identificou uma “onda descomunal de desinformação”. Relatórios diversos mostram mensagens espalhadas nas redes, no WhatsApp e no Telegram atribuindo ao candidato planos de privatizar o SUS, extinguir o Bolsa Família e eliminar direitos trabalhistas.

Propostas de reformas viram pretexto para anunciar a extinção de direitos

Fake news foram desmentidas por órgãos independentes, como postagens atribuindo a Flávio e ao senador Rogério Marinho (PL-RN), seu coordenador de campanha, anúncios do fim do 13º salário e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), do aumento da idade mínima para aposentar e outros. Os ataques incluem até mentiras sobre fim de universidades e do voto feminino.

Uma publicação apresenta aposentadoria aos 75 anos para homens e aos 72 para mulheres, além de jornada diária de 12 horas. O conteúdo mistura a defesa de novas reformas com medidas que Marinho não anunciou. A postagem viralizou logo. Outras usaram falas adulteradas em vídeos.

O programa de Flávio não sustenta nenhuma das afirmações maliciosas. A checagem da imprensa identificou compromissos de preservar programas sociais, combater fraudes previdenciárias e reduzir custos do trabalho sem tirar direitos. A equipe do candidato negou todas as medidas associadas a ele.

Uma das montagens levadas ao ar mostra o programa para contratar atendimento privado complementar como meio de privatização do SUS. Já a ampliação das negociações trabalhistas foi apresentada como eliminação de direitos, com esforço para acabar com a CLT, o 13º salário e as férias.

De Nossa Senhora a Marina Silva, método explora o temor de perdas

A ofensiva foi antecedida ainda na reta final da campanha do primeiro turno pelo boato de que Flávio tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. As publicações associavam um projeto arquivado em 2008 ao candidato, que negou o desejo, apontando a mentira a militantes do PT.

O episódio de “guerra santa”, buscando colocar católicos contra evangélicos, foi explorado por aliados de Lula, incluindo a primeira-dama Rosângela “Janja” Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Essa exploração política parece não ter produzido o resultado esperado na urna.

O paralelo histórico remete a 2014, quando a propaganda de Dilma Rousseff (PT) atacou a rival Marina Silva, então no PSB, na campanha de primeiro turno por defender a autonomia do Banco Central (BC). Na tevê, banqueiros sorriam enquanto desaparecia a comida dos pratos na mesa de uma família.

Na atual sanha de desinformação do PT contra adversários, a campanha de Flávio reage com postagens de desmentidos enquanto discute respostas do candidato, além de checagens e ações judiciais para identificar autores. O desafio é impedir que eleitores desavisados se convençam de falsidades.

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

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