"Jogos físicos na América Latina são muito importantes": Nintendo não tem planos de tirar mídia física do mercado e reforça comprometimento de ouvir fãs na BGS 2026

10 de Out de 2026 - 12:50
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"Jogos físicos na América Latina são muito importantes": Nintendo não tem planos de tirar mídia física do mercado e reforça comprometimento de ouvir fãs na BGS 2026

É difícil não olhar para o estande da Nintendo nesta edição da . Com 1000m², o local reúne diversos jogos exclusivos e third-party para o Nintendo Switch e Switch 2, e é, certamente, a maior atração do evento — sempre cheio de filas, brindes e jogadores correndo para testar os títulos do console.

Marcando presença mais uma vez, a Nintendo é a única publisher (entre ela, Microsoft e Sony) que faz questão de estar presente pelo menos três vezes ao ano em eventos do país, , embaixador e ex-voz do Mario (e outros personagens), este ano.

"Valorizamos muito o consumidor brasileiro," diz Romina Whitlock, diretora de marketing da Nintendo of America para a América Latina, ao IGN Brasil durante uma conversa no evento. "A paixão do gamer no Brasil, até mesmo a energia do ambiente. E esta é a maior oportunidade que temos de colocar nossos jogos nas mãos das pessoas. No cenário do varejo — o varejo de lojas físicas no Brasil —, não somos tão fortes."

Romina explica que o propósito da Nintendo sempre marcar presença em praticamente todos os maiores eventos de games do Brasil é justamente para tentar competir com games de outras empresas: ao apresentar esses títulos para o público, eles podem experimentar e decidir se vão comprar. Afinal, videogames no Brasil não são comercializados a preço de banana.

"Aproveitamos oportunidades como a BGS, a CCXP, a gamescom [latam] ou nossas turnês [nos shoppings]. Fazemos isso de propósito, para que as pessoas possam vir e experimentar nossos jogos. E quando fazemos isso, fazemos bem-feito. Não é algo do tipo "ah, vamos lá só por ir". Estaremos aqui com um estande enorme, oferecemos produtos inéditos, temos nossos personagens caracterizados."

Muito disso, explica Romina, vem do posicionamento do CMO Jim Urbaitis: "sempre tentem surpreender e encantar fãs". É aí que entra Charles Martinet.

"Se fizermos isso pelos fãs, teremos uma ótima oportunidade de criar um nível maior de proximidade com a marca

O embaixador do Mario já esteve duas vezes — 2016 e 2019 — no Brasil. Martinet deveria ter participado da BGS 2023,. Dessa vez, no entanto, o artista apareceu todos os dias no evento em três horários para tirar fotos com fãs.

"Todos os anos, tentamos descobrir o que podemos trazer de novo ou diferente. Então, é uma decisão comercial inteligente continuar inovando no evento, mas também faz parte do que queremos oferecer aos fãs. O que eles querem? O que eles apreciariam como forma de agradecimento? Então, é um pouco das duas coisas. Mas acho que, se fizermos isso pelos fãs, teremos uma ótima oportunidade de criar um nível maior de proximidade com a marca."

Além de Martinet na BGS, o destaque do estande da Nintendo vai para a adição de como um título testável. A franquia retorna aos consoles após 12 anos em uma nova parceria com a Activision e, também, ampliando o catálogo mais "familiar e amigável" da empresa para jogadores adultos.

"Estamos muito empolgados com Call of Duty Warfare. Neste ano, fizemos questão de trazer algo diferente, uma nova abordagem. Um dos nossos grandes jogos é o Nintendo Switch Sports Resort, e ele pode ser jogado por pessoas de 5 a 95 anos. Todo mundo pode jogar; é muito divertido. CoD pertence a um gênero específico: tiro em primeira pessoa. Isso não é bem a nossa praia, mas queremos que nossos clientes, consumidores e fãs tenham a opção de ter de tudo um pouco. É quase ainda mais importante para que tenhamos uma variedade de gêneros disponível. E, é claro, pensamos: é um título enorme, uma franquia gigantesca. Fazia muito tempo que não tínhamos algo assim. Pensamos nele meses e meses antes mesmo de perguntar a eles se queriam estar aqui."

Ainda sobre aproximar ainda mais a Nintendo dos fãs brasileiros, está a questão da localização. Há dois anos a empresa prometeu . Em sua maioria, os jogos escolhidos são os que "agradam às grandes massas" ou de grandes franquias como Mario, principalmente.

No entanto, é fácil pensar que, ao localizar jogos para o pt-br, títulos menores da Nintendo podem ganhar uma sobrevida no país. Aqui falamos de Xenoblade Chronicles, Bayonetta e até Fire Emblem — jogos com grande quantidade de história e falas.

"Nós realmente tentamos começar a localização de forma estratégica, pois é um trabalho enorme que exige anos de antecedência," explica, dizendo que a Nintendo começou com jogos da franquia Mario e depois Zelda, as maiores da empresa. "Poderíamos aumentar a popularidade de outras franquias, como Mario, se houvesse localização. Sabemos que, assim que localizamos um jogo, tornamos o acesso possível para mais pessoas. Infelizmente, não sei quais são os planos ou como eles escolhem as franquias, mas imagino que, se quisermos abranger mais gêneros... acho que, observando nossa trajetória, o objetivo é ampliar o leque de títulos localizados. Isso abriria portas para mais pessoas e aumentaria a popularidade."

Claro, enquanto o jogo pode não vir já localizado para o português brasileiro, existe uma possibilidade de atualizações de idioma, algo que , por exemplo.

"O ecossistema de jogos físicos na América Latina é muito importante

Entre outras questões que cercam a empresa está a mídia física. O ano de 2026 trouxe diversos desafios para jogadores após a Sony anunciar que , colocando em risco a preservação de jogos e até após a compra que pode ser retirado da biblioteca a qualquer momento caso a empresa queira.

Com a Sony já anunciando sua posição e a Microsoft também cambaleando entre jogos digitais e físicos, a Nintendo permanece a mesma de sempre, afirma Romina, justamente por ter uma visão mais "tradicionalista".

"Valorizamos o que nossos consumidores e fãs valorizam. Sabemos que nosso produto é algo que algumas pessoas gostam de colecionar e outras gostam de trocar. Em nossos países, nossos jogos às vezes são devolvidos em troca de crédito para um jogo novo. Portanto, o ecossistema de jogos físicos na América Latina é muito importante. Por isso, não temos planos de acabar com ele aqui ou, na verdade, em qualquer lugar do mundo. Ele não vai desaparecer."

E não é à toa: , levando lojas a anunciarem novos lotes — todos também esgotados.

No Brasil, a Nintendo sempre ofereceu duas categorias de preços: uma para digital e outra para formato físico. Claro, a de formato físico acaba sendo um pouco mais cara por conta da taxação do produto quando entra no país.

"Não é porque estamos incentivando as pessoas a comprar a versão digital. A questão é 100% logística", disse.

A Nintendo também lançou os Game-Key Cards, que, apesar de serem algo físico, não contêm o jogo dentro do cartucho, mas sim disponibilizam o download do título dentro do console, mas ainda é necessário tê-lo inserido no Switch para rodar. Em outras palavras: não é 100% físico, mas também não é 100% digital. É um meio-termo.

"Quanto ao cartão de ativação, sei que pode parecer uma transição para o digital, mas parte do motivo disso é que os jogos estão tão pesados ​​agora que começamos com o cartão e, em seguida, é feito o download. Isso viabiliza o processo. Então, teve mais a ver com a complexidade e o tamanho dos jogos — sendo pesados ​​demais para caber em um único cartão — do que com a disputa entre digital e físico," explicou.

Ela adicionou: "Não chegamos a comemorar, mas acabamos de completar 139 anos. Acho que há algo a se destacar em uma empresa que foi de propriedade familiar por tanto tempo. Ela gosta de manter a tradição. Ainda temos nossos próprios desenvolvedores criando nossos jogos; temos seres humanos colocando a mão na massa em todo o processo. Mas outra coisa é que realmente sinto que a empresa ouve os consumidores."