Lua Blanco: doença que matou a atriz está crescendo entre os jovens
A atriz e cantora Lua Blanco, conhecida por interpretar Roberta Messi na versão brasileira de Rebelde, morreu neste domingo (18) como consequência de um câncer de intestino. Aos 39 anos, a artista foi vitimada por um tipo de enfermidade que tem crescido muito entre os jovens em anos recentes.
Ainda que a doença também seja comum em pessoas mais velhas, a incidência desse câncer – também conhecido como colorretal – tem disparado em pacientes com menos de 50 anos. A ciência ainda estuda hipóteses para esse crescimento.
Conheça mais sobre o quadro.
O que é o câncer de intestino?
Esse tipo de tumor costuma surgir em estruturas do intestino grosso, como o cólon e o reto. Enquanto o cólon é a parte onde água e nutrientes são absorvidos na etapa final da digestão, o reto é a última porção intestinal, onde as fezes ficam logo antes da evacuação.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima em 45 mil novos casos por ano desse tipo de doença – quando excluídos os cânceres de pele não melanoma, ele é o terceiro com mais diagnósticos no país.
Geralmente, o problema surge a partir de pólipos, lesões na parede interna do intestino que muitas vezes são benignas, mas podem se revelar pré-cancerosas.
Por que ele cresce entre jovens?
A ciência ainda não cravou com 100% de certeza o motivo de uma disparada de casos de câncer de intestino nas últimas décadas.
Algumas hipóteses apontam para mudanças nos hábitos alimentares, com um aumento na ingestão de produtos ultraprocessados e uma dieta mais pobre em fibras sendo associados a uma incidência maior da doença.
Outros fatores de risco bem mapeados incluem obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas. Novas pesquisas têm demonstrado que poderia haver gatilhos para o câncer que acompanham a pessoa desde o nascimento, e não só por uma predisposição genética hereditária, mas também por questões pontuais na saúde dos pais.
Ainda que o fator mais determinante não seja totalmente esclarecido, como regra geral a recomendação de priorizar uma dieta mais regrada e praticar exercícios físicos continua sendo a melhor pedida para reduzir o risco deste e de outros tipos de câncer.
Como são os sintomas e o diagnóstico?
O câncer colorretal costuma trazer sintomas inespecíficos, isto é, que podem ser confundidos com outros problemas de saúde. Eles incluem diarreia ou prisão de ventre, sangue nas fezes, dores abdominais, fraqueza e perda de peso sem explicação, entre outros.
Como não dá para ter certeza só pelos sintomas de que se trata de um tumor, qualquer alteração no seu funcionamento digestivo é um bom motivo para agendar um check-up com o médico – especialmente se os sintomas são persistentes.
O método diagnóstico mais comum é a colonoscopia: um tubo fino e flexível com uma microcâmera é inserido no reto para visualizar seu interior. Ela também ajuda no tratamento, já que, ao investigar a situação, é possível remover qualquer pólipo encontrado e submetê-lo a uma biópsia, para confirmar ou descartar um câncer.
Hoje, o grande desafio, especialmente entre jovens, é o diagnóstico precoce: a colonoscopia não é indicada como um exame de rotina antes dos 45 anos e muitos casos da doença são descobertos com o problema já avançado, quando o quadro se torna muito mais difícil de tratar.
No caso de Lua Blanco, o tumor só teria sido diagnosticado dois meses antes da morte, segundo informações publicadas nas redes sociais.
Como é o tratamento
A melhor opção de tratamento varia muito de acordo com as características individuais de cada caso, considerando o tamanho, a localização e a extensão do câncer, além da saúde geral de cada paciente.
Cirurgia, radioterapia e quimioterapia fazem parte do tratamento, conforme o caso. Em procedimentos cirúrgicos, o paciente também pode precisar fazer uso de uma bolsa de colostomia (ou de ileostomia), de forma temporária ou permanente, a depender das características do quadro.