Justiça bloqueia R$ 374 milhões de quadrilha de receptadores de ouro em SP

27 de Out de 2026 - 06:50
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Justiça bloqueia R$ 374 milhões de quadrilha de receptadores de ouro em SP

São Paulo — O núcleo financeiro do grupo que comprava e revendia joias roubadas, como alianças, na cidade de São Paulo é alvo de nova operação deflagrada, nas primeiras horas desta terça-feira (27/10), pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 374 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados. A ação conta com o apoio de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo (Sefaz) e avaliadores da Caixa Econômica Federal.A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi deflagrada em maio de 2025. Naquela ocasião, a polícia prendeu Rony Gonçalves, apontado como o principal negociador de objetos de ouro roubados na capital paulista. O homem era integrante do esquema comandando por Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como Mainha do Crime e apontada como suspeita na morte do ciclista Vitor Medrado, assassinado em fevereiro de 2025, em um assalto na zona oeste da capital paulista.Na terceira fase dessa operação, são cumpridas 31 ordens judiciais de busca e apreensão expedidas pela Justiça. As medidas também incluem a interdição de uma empresa, no centro de São Paulo, e o sequestro de um imóvel ligado ao grupo investigado. Leia também São PauloAlianças roubadas: operação começou com morte de ciclista no Itaim São PauloMais de R$ 1,5 milhão em ouro e joias são apreendidos com receptadores São PauloPolícia faz operação contra rede de receptadores de alianças roubadas Mirelle PinheiroReceptação de ouro: entenda esquema alvo de bloqueio de R$ 34 milhões Segundo a investigação, a rede que movimentava milhões em joias de ouro roubadas na capital era dividida em três núcleos: o que praticava os crimes; os dedicados à receptação, comercialização e transformação do ouro e das joias subtraídas; e o terceiro que era focado na movimentação do dinheiro obtido e a lavagem dos valores dos itens ilegais.Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) revelaram indícios de que o núcleo financeiro usava empresas de fachada, laranjas, circulação de recursos entre pessoas físicas e jurídicas e fazia alterações societárias parar maquiar o dinheiro fruto dos crimes.Entre as empresas investigadas, segundo o Deic, uma movimentou cifras superiores a R$ 356 milhões e é, de acordo com relatórios, uma dos principais instrumentos de dispersão e reinserção de dinheiro de origem ilícita.Além de 62 policiais do Deic, a ação tem a participação de auditores da Receita Estadual e Fazenda Municipal, além de avaliadores da Caixa.“A Operação Ouro Reverso busca atingir não apenas os executores dos crimes patrimoniais, mas também os responsáveis por transformar os produtos dessas atividades ilícitas em patrimônio aparentemente legítimo”, pontuou o departamento.O caso está em andamento.