Justiça suspende programa que oferece Mounjaro de graça no interior de SP
São Paulo – A Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a suspensão imediata do programa em que a Prefeitura de Urupês, no interior paulista, oferecia o medicamento tirzepatida, vendido pela marca Mounjaro, gratuitamente.A decisão aconteceu em formato de mandado de segurança preventivo, após pedido da empresa Eli Lilly, farmacêutica detentora do Mounjaro. Na ação judicial, a empresa alegou que a contratação promovida pela cidade de Urupês descumpre, entre outras determinações, uma norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que afirma que a manipulação do medicamento exige prescrição prévia e individualizada para paciente determinado, “sendo vedada a produção em escala”.Segundo o documento, a administração municipal já adquiriu frascos padronizados de 60 mg e 63 mg, com empenhos emitidos no valor de R$ 306.0900, caracterizando uma compra seriada e ignorando a natureza individualizada. Leia também Na MiraAgentes de saúde são alvos da PCDF por venda ilegal de Mounjaro do Paraguai Na Mira“No preço”: veja como “Beyoncé do Mounjaro” vendia canetas emagrecedoras Na MiraInfluenciadora “Beyoncé do Mounjaro” vendia canetas furtadas nas drogarias Milena TeixeiraAção da PF contra “Dr. Mounjaro” gera treta de milionários por cota de ilha Em fevereiro, a Lilly já havia criticado o programa da Prefeitura de Urupês. Na ocasião, a administração municipal anunciou que aproximadamente 200 pacientes seriam atendidos de forma escalonada e com acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social. A prefeitura afirmou que era a primeira do estado de São Paulo a oferecer o serviço de forma gratuita.Porém, a empresa se mostrou preocupada com o formato do programa: “Estamos profundamente preocupados com o fato de que o programa, conforme anunciado, está colocando cidadãos em risco. Imagens do anúncio do município revelam que o produto sendo distribuído é uma versão manipulada em escala industrial da tirzepatida — e não o Mounjaro da Lilly. Preocupa-nos que os pacientes possam não estar cientes dessa distinção e acreditem estar recebendo um medicamento aprovado pela Anvisa quando, na verdade, não estão”.Em nota enviada ao Metrópoles nesta quinta-feira (5/11), a Eli Lilly definiu a decisão como “importante” para proteger a segurança dos pacientes e a “integridade das normas sanitárias que regem a manipulação dos medicamentos no Brasil”.A reportagem não conseguiu contato com a Prefeitura de Urupês. O espaço segue em aberto.