Olho tremendo “do nada”: quando é só estresse e quando pode ser algo sério?
Você já sentiu aquela tremedeira incômoda na pálpebra, que aparece do nada e some sozinha? Se sim, saiba que você não está sozinho: esse sintoma, chamado tecnicamente de mioquimia palpebral, é uma das queixas mais comuns no consultório do oftalmologista.
Na grande maioria dos casos, é algo inofensivo e passageiro. Mas entender o que está por trás do tremor ajuda a saber quando é preciso apenas descansar e quando vale a pena procurar ajuda médica.
O que é esse tremor?
A mioquimia é uma contração involuntária, rápida e repetitiva de pequenas fibras do músculo orbicular, o músculo responsável por fechar os olhos. Ela costuma atingir apenas uma das pálpebras, geralmente a inferior, e pode durar de alguns segundos a alguns minutos, repetindo-se ao longo do dia por dias ou até semanas.
A pessoa sente como se a pálpebra “pulasse” sozinha, sem que ela consiga controlar. Apesar do incômodo, o tremor não costuma causar dor nem prejudicar a visão.
Quais são as causas mais comuns?
Na grande maioria dos casos, o tremor está ligado a fatores do dia a dia, e não a uma doença dos olhos. Entre os principais gatilhos estão:
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- Estresse e ansiedade: a tensão emocional aumenta a atividade do sistema nervoso e pode disparar contrações musculares involuntárias;
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- Cansaço e privação de sono: dormir mal ou pouco deixa os músculos mais irritáveis e propensos a tremores;
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- Excesso de tela: horas diante de computador, celular ou tablet forçam a visão de perto e reduzem a frequência do piscar, ressecando os olhos;
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- Olho seco: a falta de lubrificação adequada irrita a superfície ocular e pode desencadear o tremor;
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- Cafeína, álcool e energéticos: estimulantes em excesso aumentam a excitabilidade muscular e podem piorar o sintoma;
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- Deficiência de nutrientes: baixos níveis de magnésio e potássio, por exemplo, podem contribuir para cãibras e tremores musculares.
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Quando é benigno?
O tremor é considerado benigno quando é transitório, não dói, não afeta a visão e desaparece sozinho, geralmente em poucos dias.
Nesses casos, medidas simples costumam resolver o problema: dormir melhor, reduzir o estresse, fazer pausas no uso de telas a cada 20 a 30 minutos, usar colírios lubrificantes, moderar o consumo de cafeína e álcool e manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes.
Na maioria das pessoas, essas mudanças de hábito são suficientes para o sintoma sumir por completo.
Quando procurar um médico?
Embora raro, o tremor pode, sim, ser sinal de algo mais sério. Vale procurar avaliação médica se:
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- O tremor durar mais de duas a três semanas, sem qualquer melhora;
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- A pálpebra chegar a fechar completamente, atrapalhando a visão;
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- O tremor se espalhar para outras partes do rosto, como bochecha ou boca;
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- Os dois olhos forem afetados ao mesmo tempo;
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- Surgirem outros sintomas, como fraqueza, dor, vermelhidão, inchaço ou alteração da visão.
Nessas situações, o médico pode investigar condições como o blefaroespasmo (contração involuntária e repetida das pálpebras), o espasmo hemifacial (que atinge um lado do rosto) ou problemas neurológicos.
O diagnóstico é feito por meio da história clínica e do exame oftalmológico completo, e o tratamento varia conforme a causa: pode incluir desde colírios lubrificantes e mudanças de hábitos até medicamentos e aplicações de toxina botulínica, em casos específicos.
Na maioria das vezes, aquele tremor na pálpebra é apenas um recado do corpo: um sinal de que está na hora de descansar, desacelerar e cuidar melhor da saúde.
Mas, se o sintoma persistir ou vier acompanhado de outros sinais, não hesite em procurar um oftalmologista. Um olhar atento, feito no momento certo, faz toda a diferença para a saúde dos seus olhos.
*Henrique Edgar Sidi é oftalmologista e membro da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)