Lula chama viagem de Flávio de “vergonhosa” e lembra da própria prisão na Lava Jato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na tarde desta terça-feira (27), que considera “vergonhoso” que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenha deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos após perder as eleições. O petista também comparou a forma como ele próprio agiu quando era alvo da Operação Lava Jato à situação do adversário.
“Tive muitos convites para sair do Brasil, para ficar em embaixadas, mas me entreguei para à Polícia Federal, porque eu queria desmascarar meus acusadores e estou aqui, sendo reeleito para mais um mandato. Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o presidente.
Fontes ligadas à Polícia Federal confirmaram à Gazeta do Povo que Flávio viajou para os Estados Unidos. Lula afirmou ainda que “tentou ajudar” Flávio com o desafio da quebra dos sigilos, pois o senador poderia “provar que é honesto” ao divulgar suas informações.
"Eu tentei que ele provasse que era honesto entregando papéis e ele não entregou. Demonstração de que esse cidadão que foi a figura mais mentirosa que vi no planeta terra não tem compromisso com a verdade. É impressionante a desfaçatez dele, porque quando mente ele está desrespeitando as pessoas que estão em casa. Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso", enfatizou.
O chefe do Executivo também disparou contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Lamentavelmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles. A primeira é lamber botas dos americanos”, disse.
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
A ordem de apreensão dos passaportes de Flávio ocorre após uma sequência de medidas judiciais impostas pelo ministro Alexandre de Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais.
No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência.
O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão (de quatro anos e dois meses), a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA.
Em outro processo, também relatado por Moraes, Eduardo foi condenado, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas quando ele ainda era deputado, em 2021.