Lula tenta se desvincular de Moraes e minimiza relações de aliados com Vorcaro

15 de Out de 2026 - 23:00
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Lula tenta se desvincular de Moraes e minimiza relações de aliados com Vorcaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tentou se distanciar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e minimizou os vínculos de pessoas próximas ao governo com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, durante entrevista à TV Globo nesta quinta-feira (15).

Ao comentar a participação de autoridades em um evento promovido pelo banqueiro em Londres, Lula criticou o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, mas também elogiou sua atuação à frente da corporação.

O presidente ainda manifestou saudade do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório familiar prestou serviços ao Master.

Lula ainda falou sobre propostas do seu governo para resolver o endividamento das famílias brasileiras e sobre sua preocupação com o aumento da dívida pública.

Lula defende redução da maioridade penal

Renata Lo Prete destacou que o PT é historicamente contra a redução da maioridade penal. Lula disse que, pessoalmente, é a favor de reduzir a maioridade penal para crimes hediondos.  

O presidente disse que primeiro é preciso aprovar a PEC da Segurança Pública e, se aprovada, discutir a maioridade penal ou não.

Lula afirmou que os estados não resolveram a questão da violência no país, logo, essa responsabilidade cabe ao governo federal.

Nesta quinta-feira (15), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) .

Lula é questionado sobre relação com Moraes

Durante a entrevista, a jornalista Renata Lo Prete questionou Lula sobre a dificuldade de convencer a população de que o governo pretende apurar todas as responsabilidades no caso Master.

Ela mencionou a atuação do ministro Flávio Dino, indicado pelo presidente ao STF, que pediu vista em um julgamento relacionado à investigação sobre Moraes, e lembrou que o ministro era, até então, o integrante da Corte mais associado ao caso Vorcaro.

Lula respondeu que outros ministros também estavam envolvidos no episódio.

A relação entre Moraes e Vorcaro também entrou no centro dos questionamentos sobre o caso.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, firmou um contrato com o Banco Master que previa pagamentos de até R$ 129 milhões ao longo de três anos.

A revelação levantou questionamentos sobre os vínculos entre o banqueiro e a família do magistrado. Moraes também foi alvo de questionamentos sobre contatos com Vorcaro.

Lula defende diretor-geral da PF

Na sequência, Renata Lo Prete questionou Lula sobre sua proximidade com Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

O delegado chefiou a equipe de segurança de Lula durante a campanha presidencial de 2022 e assumiu o comando da corporação no início do terceiro mandato do petista.

A jornalista lembrou que Andrei participou de uma festa promovida por Vorcaro em Londres, em abril de 2024, quando o Banco Central já apurava irregularidades no Master e a PF investigava o caso. Ela perguntou se Lula manteria o delegado no cargo caso fosse reeleito.

O presidente negou que Andrei fosse ligado pessoalmente a ele, mas reconheceu que o repreendeu pela participação no evento.

“Quando eu fiquei sabendo que ele tinha ido a Londres, eu chamei a atenção dele”, afirmou.

Lula também disse que a explicação apresentada pelo diretor-geral não o convenceu.

“Não foi convincente para mim. Não precisava ter ido”, declarou. Em seguida, voltou a elogiar o delegado: “Ele é um extraordinário delegado, tem feito um trabalho excepcional”.

Ao ser questionado novamente sobre a permanência de Andrei no comando da PF, Lula evitou antecipar sua decisão.

“Primeiro, eu preciso ganhar as eleições. Se eu ganhar as eleições eu vou escolher as pessoas como eu escolhi da outra vez. Eu não vou dizer aqui que eu vou escolher quem que vai ficar quem que vai sair", afirmou.

Lula manifesta saudade de Lewandowski

Lula também defendeu Ricardo Lewandowski, que comandou o Ministério da Justiça entre fevereiro de 2024 e janeiro de 2026.

Antes de assumir o cargo, o ex-ministro manteve vínculos profissionais com o Banco Master por meio de seu escritório de advocacia.

Durante parte de sua passagem pelo governo, o escritório de sua família continuou prestando serviços à instituição financeira.

Lewandowski afirmou que deixou de atuar pessoalmente como advogado do banco após aceitar o convite para integrar o governo.

O escritório permaneceu sob a administração de sua mulher e de seu filho e manteve o contrato com o Master até agosto de 2025.

Ao comentar a atuação do ex-ministro, Lula demonstrou apreço pelo antigo auxiliar.

“Foi um belo ministro da Justiça para mim, um belíssimo ministro, tenho saudade dele”, declarou.

Lula promete usar R$ 150 bilhões para renegociar dívidas das famílias

Questionado sobre uma solução definitiva para o endividamento das famílias, Lula citou as três versões do Desenrola e afirmou que a União poderá destinar R$ 150 bilhões à compra de dívidas com desconto.

“Nós vamos comprar essa dívida, a União vai comprar essa dívida”, disse.

Segundo o presidente, o governo poderá adquirir os débitos por 5% do valor original.

Lula também mencionou o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a oferta de R$ 5 mil em crédito para a categoria.

Ele afirmou que pretende adotar as medidas sem comprometer o equilíbrio fiscal.

O endividamento das famílias cresceu durante o governo Lula. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o percentual de famílias endividadas passou de 76,7% em dezembro de 2024 para 78,9% em dezembro de 2025, o maior índice para o mês desde o início da série histórica.

Em julho de 2026, o indicador chegou a 82%, após seis recordes mensais consecutivos.

Sobre a situação fiscal, Lula afirmou que o crescimento econômico é o caminho para equilibrar as contas públicas e citou os resultados de seus dois primeiros mandatos.

A entrevistadora questionou o aumento de dez pontos percentuais da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo.

O presidente reconheceu que o tema o preocupa, mas, ao explicar como pretende lidar com o endividamento, voltou a defender o estímulo aos pequenos empreendedores e ao consumo.

“O que faz a economia do Brasil crescer é chamada a microeconomia, é fazer o dinheiro rodar na mão do povo”, afirmou.