Socialistas ganham espaço no Congresso dos EUA e planejam reforma constitucional

4 de Nov de 2026 - 16:20
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Socialistas ganham espaço no Congresso dos EUA e planejam reforma constitucional

A ala mais à esquerda do Partido Democrata, representada pelos Democratas Socialistas da América (DSA), conquistou vitórias importantes nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3). O grupo garantiu ao menos sete assentos na Câmara dos Representantes, em Washington, fortalecendo uma agenda que busca transformações profundas nas instituições e na economia do país.

Quem são os principais nomes eleitos e quais cargos eles ocuparam?

O grupo terá nomes fortes na Câmara a partir de janeiro de 2027. Além da reeleição de Alexandria Ocasio-Cortez, por Nova York, e Rashida Tlaib, pelo Michigan, outros cinco representantes venceram suas disputas: Chris Rabb, Donavan McKinney, Melat Kiros, Darializa Avila Chevalier e Claire Valdez. Nas disputas locais, o destaque foi Janeese Lewis George, eleita prefeita de Washington, a capital federal. O grupo conta ainda com o apoio informal de lideranças como o senador eleito Abdul El-Sayed, que embora não seja membro oficial do DSA, compartilha de eventos e parcerias com o movimento.

Quais são as principais mudanças propostas para o governo e a justiça?

As metas do DSA buscam o que chamam de 'república socialista democrática'. O plano envolve redigir uma nova Constituição para os Estados Unidos. Entre as medidas mais drásticas para os três poderes estão a abolição do Senado e a expansão da Câmara dos Representantes. No Judiciário e Executivo, a ideia é substituir a Suprema Corte e o cargo de presidente por órgãos escolhidos diretamente pelo Congresso e subordinados a ele. Na segurança, o grupo defende a desmilitarização dos departamentos de polícia e o redirecionamento de verbas para serviços públicos, visando a abolição total da polícia.

Como as propostas do grupo pretendem transformar a economia e o trabalho?

Na área trabalhista, o grupo quer reduzir a jornada de trabalho para 32 horas semanais. Sobre a economia, defendem que as maiores corporações e indústrias essenciais passem a ser propriedade pública, sob controle democrático. Para financiar infraestrutura e bens públicos, o plano sugere impostos agressivos sobre a riqueza de indivíduos e empresas bilionárias. Em relação à imigração, as metas são conceder anistia a todos os imigrantes, independentemente do status atual, oferecer caminho para a cidadania a todos os residentes permanentes e acabar com qualquer limite ou cota para a emissão de vistos.

Qual é a posição desses parlamentares sobre a política externa americana?

Os socialistas propõem um corte radical no financiamento do Departamento de Defesa e o fechamento de bases militares dos EUA em outros países, encerrando guerras no exterior. Eles defendem o reconhecimento imediato da Palestina e o fim de toda a ajuda militar a Israel, sugerindo inclusive processos judiciais contra líderes americanos e israelenses pelo conflito em Gaza. O programa também prevê o fim das sanções econômicas contra governos como os de Cuba, Venezuela e Irã. Vale notar que, em julho, o Departamento de Estado americano já havia listado o DSA como um grupo com ligações ao regime cubano.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.