O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 — e os desafios para retomar crescimento
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- Role, Da BBC News Brasil em Londres
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O Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento da vai perder fôlego no próximo ano — registrando um aumento menor do que o previsto para 2026.
A avaliação faz parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, em que a entidade sediada em Washington faz previsões sobre toda a economia global.
A previsão do FMI para a economia brasileira é de um crescimento de 2,2% para 2026 e 1,9% em 2027 — uma revisão para baixo de 0,2% e 0,3% respectivamente, em relação às projeções divulgadas pelo Fundo em julho.
Segundo o FMI, essa desaceleração do crescimento econômico brasileiro reflete "condições monetárias ainda restritivas — voltadas para o retorno da inflação à meta —, a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global".
Desde o começo do ano, o Banco Central vem cortando a taxa básica de juros da economia — que já caiu de 15% para 13,75%.
Na mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central destacou que os juros altos no Brasil têm provocado uma desaceleração da economia — mas que a taxa continuará caindo aos poucos para impedir a volta da inflação.
Os confirmam essa desaceleração. A economia nacional havia crescido 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Mas os dados mais recentes do IBGE mostram que o PIB perdeu força no segundo trimestre de 2026, com uma alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior, abaixo do avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre.
As previsões do FMI para 2026 e 2027 são mais otimistas do que a do mercado brasileiro. O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, — de 2 de outubro — mostra que os agentes do mercado brasileiro acreditam que o crescimento econômico brasileiro será de 1,85% este ano e 1,4% em 2027. Pela quarta semana consecutiva, as previsões de crescimento da economia brasileira caíram nas medianas do Focus.
O crescimento projetado para a economia brasileira pelo FMI está levemente abaixo do previsto para a América Latina, que é de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027.
No Brasil, a expectativa do FMI é de queda da inflação, mas aumento do desemprego.
O FMI prevê que a inflação brasileira vai cair de 5% no ano passado para 4,4% este ano e 4,1% em 2027. Já a taxa de desemprego subiria de 6% em 2025 para 6,2% este ano e 6,8% em 2027.
De novo, as previsões do FMI parecem mais positivas do que as do mercado brasileiro. Segundo o Focus, o Brasil fecharia 2026 e 2027 com inflação de 5,01% e 4,3% respectivamente.
Economia global 'resiliente mas sob pressão'
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Já o resto do mundo cresceria em um ritmo mais acelerado do que o brasileiro, segundo a projeção do Fundo: de 3,4% este ano e 3,6% em 2027.
Segundo o FMI, a economia global está "resiliente sob pressão" — que é o nome do relatório.
O mundo enfrenta hoje diversos desafios econômicos: uma inflação alta — que deve atingir 4,7% na média global este ano para depois cair para 4,1% em 2027 —, uma escalada de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, uma reavaliação sobre as expectativas ligadas à inteligência artificial, tensões comerciais entre os países e problemas fiscais em diversos governos.
"Por outro lado, um impulso mais forte nos investimentos em IA e ganhos de produtividade decorrentes da IA, ou um alívio sustentado das tensões geopolíticas e comerciais, poderiam fortalecer o crescimento", afirma o FMI.
Segundo o FMI, a atividade econômica global tem se mantido resiliente apesar da guerra no Oriente Médio, sustentada pela adaptação do setor privado e por investimentos robustos em inteligência artificial.
"No entanto, a inflação está em alta, a disparidade entre as economias que se beneficiam do ciclo de expansão tecnológica ou de termos de troca favoráveis e aquelas que enfrentam custos de importação mais elevados e demanda mais fraca está aumentando", diz o FMI.
O Fundo também afirma que o preço dos alimentos e energia vêm subindo nos últimos cinco anos, corroendo o poder de compra das famílias e aumentando a desigualdade e a pobreza. O FMI defende que as políticas públicas que mais funcionaram para lidar com esses desequilíbrios foram de apoio à renda para famílias vulneráveis economicamente.
2027 mais lento no Brasil
A previsão do FMI de um crescimento mais lento do Brasil em 2027 está em linha com o que muitos analistas brasileiros já apontavam.
no mês passado já antecipavam um crescimento mais lento para a segunda metade deste ano e para 2027, com a perda de força dos estímulos fiscais feitos por governo federal e governos estaduais no primeiro semestre, em meio à corrida eleitoral.
Ao mesmo tempo, os investimentos devem seguir reduzidos, diante do cenário de juros altos, que também têm se refletido nos
Esse cenário de restrições à atividade econômica deve continuar no próximo ano, contribuindo para o menor crescimento do PIB, preveem os analistas.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, projetava um crescimento de 1,5% do PIB em 2027, mas acredita que esse número possa, na verdade, ser mais próximo de 1%.
O economista cita como fatores para esse pessimismo a redução da taxa básica de juros mais lenta do que era esperado no início do ano, o aumento do endividamento e a redução do impulso fiscal pelo governo, passado o ciclo eleitoral.
Pesam também condições financeiras mais desfavoráveis, com juros mais altos no mundo e petróleo em alta, pressionando a inflação local.
"Ano que vem provavelmente também tem PIB negativo do agro, por causa do efeito do El Niño", diz Serrano.
Alex Agostini, economista-chefe da agência de avaliação de risco Austin Rating, disse à BBC News Brasil em setembro que o cenário fiscal conturbado deve ser a maior pedra no sapato do novo governo.
Ele acredita que, seja Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) vitorioso, algum ajuste fiscal será inevitável, o que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica.