O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar futuro de Trump?

31 de Out de 2026 - 17:50
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O que são as eleições de meio de mandato dos EUA e por que elas podem selar futuro de Trump?
    • Author, James FitzGerald
  • Published Há 15 minutos
  • Tempo de leitura: 6 min

Faltam poucos dias para as eleições de nos , as midterms, quando os eleitores participarão de uma votação que poderá ter um grande impacto no restante do mandato do presidente — previsto para terminar em janeiro de 2029.

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O que são as midterms?

Em 3 de novembro, os americanos escolherão os membros do Congresso, que é composto por duas casas: a Câmara dos Representantes e o Senado.

As eleições acontecem a cada dois anos e, quando ocorrem no meio do mandato de quatro anos do presidente, são chamadas de eleições de meio de mandato.

Uma das principais tarefas do Congresso é criar e aprovar leis federais, que são aplicadas em todo o país.

O resultado das decidirá qual partido político — os republicanos da sigla de Trump ou os democratas, da oposição — controlará o Congresso e quão fácil será para o presidente executar seus planos.

Os resultados também são vistos como uma métrica da satisfação da população americana com o desempenho do presidente até o momento.

Quem será eleito?

Todos os 435 membros da Câmara dos Representantes, a câmara baixa do Congresso, serão eleitos. Eles cumprem mandatos fixos de dois anos. A Câmara é geralmente o local onde as propostas de lei são apresentadas e debatidas.

Enquanto isso, 35 das 100 cadeiras do Senado, a câmara alta, também estarão em disputa. Os senadores têm mandatos de seis anos. Entre outras funções, eles aprovam ou vetam projetos de lei que vieram da Câmara dos Deputados.

No mesmo dia, eleitores em grande parte dos EUA também escolherão políticos em nível estadual. As eleições para governador na Califórnia, Flórida, Geórgia e Michigan estão entre as que despertam mais atenção.

  • 29 outubro 2026
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Quais pautas estão sendo mais debatidas nessa eleição?

A economia dos EUA está na mente de muitos americanos que enfrentam os preços dos combustíveis, alimentos, cuidados com a saúde e com a habitação.

A inflação permanece acima da meta almejada pelo Federal Reserve (o banco central) dos EUA, em parte devido à guerra que os EUA e Israel iniciaram com o Irã em fevereiro.

Os democratas argumentam que as tarifas impostas por Trump sobre vários países também aumentaram os preços para os americanos.

A imigração é outra questão crucial. Os republicanos afirmam que Trump cumpriu uma importante promessa de campanha de 2024 ao reforçar a segurança na fronteira e lançar uma forte repressão — e frequentemente controversa — à imigração ilegal.

A preocupação com a inteligência artificial (IA) tornou-se mais urgente nas últimas semanas. Políticos de alto escalão de ambos os partidos concordaram com a necessidade de regulamentá-la, opondo-se a Trump, que rejeita propostas de leis para controlar o desenvolvimento dessa tecnologia.

O que está em jogo?

O legislativo é um dos três poderes do Estado, juntamente com o Executivo (representado a nível federal pela presidência) e o judiciário. O controle sobre ele é importante para a elaboração de leis.

Tanto a Câmara dos Representantes quanto o Senado são atualmente controlados pelo Partido Republicano. Mas sua maioria é pequena. Eles têm 218 cadeiras na Câmara, que é o número mínimo necessário para controlá-la, mais um independente que vota com eles.

No Senado, eles têm 53 cadeiras. A câmara alta só mudará de mãos se os democratas conquistarem pelo menos 51 cadeiras, o que superaria o voto de desempate do vice-presidente — atualmente republicano — caso ambos os lados obtenham 50 cadeiras.

Se os democratas da oposição recuperarem o controle de pelo menos uma das casas legislativas, terão o poder de apresentar suas próprias leis para votação.

Onde a disputa será mais acirrada?

No passado, os eleitores tendiam a "punir" o partido do presidente e votar contra ele.

Pesquisas recentes mostram que Trump tem um baixo índice de aprovação. Ele iniciou seu segundo mandato com aprovação de pouco mais de 50% da população, segundo o site de pesquisas Silver Bulletin. No início de outubro, esse índice era mais baixo, em torno de 37%. Enquanto isso, 61% o desaprovavam.

Mas nem todas as cadeiras em cada casa legislativa serão de fato disputadas. Algumas têm apostas seguras, em alguns casos para republicanos e em outros para democratas.

A CBS News, parceira da BBC nos EUA, identificou dez disputas para o Senado que merecem atenção, em estados como Iowa e New Hampshire; e 42 disputas para a Câmara dos Representantes, em estados como Arizona e Ohio.

A votação deste ano é mais imprevisível devido a uma disputa entre os dois partidos sobre a forma como os distritos eleitorais na Câmara dos Representantes são definidos.

Os republicanos tentaram obter vantagem criando mapas eleitorais mais favoráveis em certos estados, e os democratas seguiram o exemplo.

O que essa eleição significa para Trump?

As midterms serão um último veredito dos eleitores sobre o governo Trump antes que este termine, explica Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte.

Se os democratas vencerem a Câmara ou o Senado, Trump terá dificuldades para aprovar qualquer lei no Congresso — embora o republicano já tenha demonstrado a disposição de promover sua agenda através de ordens executivas, que não precisam do Congresso.

Mas o controle democrata de qualquer uma das casas legislativas facilitaria o uso de comissões para investigar aspectos do mandato de Trump. Parlamentares poderiam convocar funcionários públicos para depor e solicitar documentos.

Poderão ser alvo de escrutínio acusações de corrupção, o polêmico novo salão de baile da Casa Branca e as táticas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

Há também um debate dentro do Partido Democrata sobre se deve ou não iniciar um processo de impeachment contra Trump, apresentando acusações no Congresso que serviriam de base para um julgamento político, e não criminal.

Se conseguirem controle do Senado, os democratas poderiam dificultar a nomeação por Trump de juízes e cargos de alto escalão, incluindo para a Suprema Corte.

Mas, se o Partido Republicano mantiver o controle do Congresso, Trump poderá dar continuidade, com mais facilidade, aos seus planos no restante do seu mandato.

O que a eleição pode indicar sobre 2028?

O nome do presidente não consta na cédula eleitoral durante as eleições de meio de mandato, embora Trump tenha pedido que os eleitores finjam que consta, como forma de endossar seu governo até o momento.

Independente do resultado, é provável que os analistas o utilizem com termômetro de como os eleitores se sentem em relação aos rumos do país sob a liderança de Trump.

O republicano não pode se candidatar à presidência pela terceira vez, já que, segundo a Constituição, uma pessoa não poder exercer mais do que dois mandatos de presidente nos EUA.

Após as eleições de meio de mandato, podemos esperar que comecem as especulações sobre quem poderá ser seu sucessor como candidato republicano à presidência em 2028 — e quem poderá competir contra ele pelo Partido Democrata.

*Reportagem adicional de Deirdre Finnerty