O que se sabe e o que falta esclarecer sobre morte de casal a tiros no DF

13 de Out de 2026 - 04:30
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O que se sabe e o que falta esclarecer sobre morte de casal a tiros no DF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga o assassinato de Larissa Rodrigues de Paula, de 24 anos, e Arlandson de Sousa Alves, conhecido como Alan Tons, de 34, encontrados mortos a tiros dentro de casa, na QNM 22, em Ceilândia (DF), na manhã de domingo (11/10).O principal suspeito é um vizinho do casal, João Victor Rodrigues Alves de Oliveira, 22 anos, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça nessa segunda-feira (12/10).Segundo as investigações, o crime pode ter sido motivado por vingança. Alan teria repreendido o suspeito em episódios de violência doméstica contra a companheira dele, situação que teria provocado desavenças e ameaças anteriores. A polícia também identificou contradições na versão apresentada pelo investigado sobre onde estava na noite do crime.Apesar dos avanços na apuração, ainda há questões a esclarecer sobre a dinâmica dos assassinatos, as circunstâncias das ameaças e as provas que ligam o suspeito ao duplo homicídio.4 imagensFechar modal.1 de 4Alan Tons e Larissa Rodrigues de Paula foram encontrados mortos dentro de casa neste domingo (11/10) em CeilândiaReprodução/Redes Sociais2 de 4O cantor Alan TonsReprodução/Redes Sociais3 de 4Vizinho suspeito de matar casal em CeilândiaReprodução / Redes sociais4 de 4O crime teria sido motivado por vingança contra o casalReprodução/Redes SociaisO que já se sabeLarissa trabalhava como confeiteira, enquanto Alan era cantor e se apresentava em bares do Distrito Federal. Conhecido artisticamente como Alan Tons, ele havia participado de uma apresentação musical na noite anterior ao crime.Segundo relatos de familiares, o casal voltou para casa após o show e estava na residência quando foi surpreendido pelos disparos. Os corpos foram encontrados na manhã de domingo, às 9h30. De acordo com a Polícia Militar, testemunhas disseram ter ouvido diversos disparos de arma de fogo de madrugada, por volta das 2h30.João Victor era vizinho das vítimas e compareceu espontaneamente à 15ª Delegacia de Polícia (Ceilândia) no domingo, acompanhado de um advogado. Em depoimento, ele negou participação nos assassinatos e afirmou que estava em uma distribuidora de bebidas no momento do crime e que depois foi para a casa da sogra.A versão apresentada por ele, porém, passou a ser questionada pelos investigadores após a identificação de divergências entre os horários informados, os relatos de testemunhas e outros elementos reunidos durante a apuração.A companheira do suspeito confirmou parte da versão apresentada por ele, mas os depoimentos dos dois também apresentaram divergências.Na segunda-feira, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. Na decisão, o magistrado mencionou relatos de ameaças de morte anteriores contra Alan, inclusive com exibição de arma de fogo, além do acesso que o investigado ainda teria ao lote onde o casal morava.Qual seria a motivaçãoA principal linha de investigação aponta para uma possível vingança relacionada a episódios anteriores de violência doméstica. De acordo com informações divulgadas pela PCDF, Alan costumava intervir em discussões e agressões envolvendo o vizinho e a companheira dele.Segundo a PCDF, João Victor agredia a mulher com frequência e teria sido repreendido várias vezes pelo casal, o que provocou a ira no agressor. Os dois moravam em um lote com várias kitnets, onde Alan e Larissa também viviam e costumavam intervir nas brigas e acionar a polícia para denunciar as agressões.João Victor já teria sido preso duas vezes por causa da violência contra a companheira, mas acabou solto após ela não dar continuidade às denúncias. Depois de ser retirado da kitnet onde morava, ele teria ameaçado os vizinhos, incluindo Alan e Larissa.Segundo a investigação, mesmo após deixar o imóvel onde vivia, o suspeito ainda mantinha as chaves de acesso ao lote. Leia também Distrito FederalJustiça mantém prisão de vizinho suspeito de assassinar casal a tiros no DF Distrito FederalCâmera registra som de rajadas de tiros que mataram casal no DF Na MiraVizinho suspeito de matar casal alega que passou noite em distribuidora Distrito FederalSaiba quem era o casal brutalmente assassinado dentro de casa no DF O que falta esclarecerUm dos pontos centrais da investigação é entender como o autor teve acesso à casa do casal. Não foram identificados sinais de arrombamento, e a polícia apura a possibilidade de o suspeito ter utilizado as chaves que ainda mantinha do lote.A decisão judicial cita o acesso do investigado à área comum do imóvel como um dos elementos considerados para manter a prisão preventiva. A dinâmica exata da entrada, porém, precisa ser esclarecida a partir das provas reunidas.A polícia também busca imagens de câmeras de segurança da região para reconstituir os deslocamentos do suspeito e verificar a versão apresentada por ele. Os registros podem ajudar a estabelecer onde João Victor estava antes e depois dos assassinatos, além de indicar se ele esteve próximo à residência no período do crime.A análise das imagens também poderá contribuir para a reconstrução da cronologia dos fatos e para o confronto entre os depoimentos prestados à polícia.Dinâmica do crimeA investigação também precisa esclarecer como os disparos ocorreram, a sequência dos tiros e a movimentação do autor dentro ou nas proximidades da residência. Os exames periciais e os laudos cadavéricos podem fornecer elementos importantes para reconstituir o crime.Essas informações também poderão ajudar a esclarecer se houve alguma preparação prévia e quanto tempo o autor permaneceu no local.Outro ponto a esclarecer é se a arma utilizada nos assassinatos foi localizada e se já existem informações conclusivas de quem era o revólver.