Petrobras salta após 1º turno da eleição: ação ainda tem espaço para subir mais?

6 de Out de 2026 - 05:40
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Petrobras salta após 1º turno da eleição: ação ainda tem espaço para subir mais?

As ações da Petrobras (PETR4) dispararam nesta segunda-feira (5), acompanhando o forte rali dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições, e renovaram suas máximas históricas. PETR4 saltou cerca de 8,19%, a R$ 55,36, enquanto PETR3 subiu 6,68%, a R$ 60,40.

A alta, porém, não significa necessariamente que a tese tenha se esgotado, com JPMorgan BTG Pactual e Bradesco BBI construtivos com a estatal e identificando diferentes caminhos para que a ação continue avançando.

O JPMorgan tem a Petrobras como sendo a ação preferida da analista Milene Carvalho no setor. A casa mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e avalia que o impacto das eleições sobre a companhia deve acontecer principalmente por valuation e fluxo de recursos, e não por uma transformação imediata de seus fundamentos.

Em um cenário político percebido pelo mercado como mais favorável, o primeiro canal de valorização acontece pelo fluxo estrangeiro para ativos brasileiros. A Petrobras representa aproximadamente 14% a 15% de índices como Ibovespa, EWZ e MSCI Brazil, segundo o JPMorgan, o que tornaria seu elevado peso uma vantagem em uma primeira onda de entrada de recursos internacionais.

O segundo canal mais duradouro é pela redução do prêmio de risco do Brasil e, consequentemente, do custo de capital percebido para a estatal, o que é um argumento particularmente importante porque a queda do custo de capital permite justificar múltiplos maiores para uma empresa cujo valuation historicamente incorpora riscos associados ao controle estatal.

Uma eventual mudança de governo poderia ainda trazer novamente ao centro da discussão temas como política de preços dos combustíveis, venda de ativos e dividendos extraordinários. O JPMorgan cita operações anteriores envolvendo Bahia Terra, Urucu, Manati e Albacora como referências para eventuais decisões futuras de portfólio.

O banco pondera, porém, que, em um cenário de continuidade política, a tendência seria de manutenção da atual estratégia e do plano de investimentos. Nesse caso, avalia que os mecanismos de governança e alocação de capital fortalecidos nos últimos anos elevaram a exigência para novos investimentos.

O BTG Pactual, por sua vez, aponta que a Petrobras ainda poderia subir cerca de 20% a 25% antes de seu valuation começar a representar uma preocupação mais relevante.

A referência são as grandes petroleiras internacionais, que negociam atualmente com um retorno ao acionista, incluindo dividendos e recompras, de aproximadamente 8% para os próximos 12 meses, segundo a análise apresentada pelo BTG.

E mesmo depois de uma valorização adicional relevante das ações, os yields projetados para a Petrobras continuariam competitivos.

Com Brent a US$ 80 por barril, se a ação estivesse 20% acima do nível usado como referência pelo banco, o BTG estima um yield de fluxo de caixa ao acionista de 14,6% e dividend yield de 9,9% nos 12 meses seguintes. Para 2027, seriam 14% e 9,6%, respectivamente.

Com a ação 25% mais cara, os números ainda seriam de 14% de yield (rendimento) de fluxo de caixa ao acionista e 9,5% de dividend yield nos próximos 12 meses, além de 13,4% e 9,2%, respectivamente, para 2027.

Até mesmo com valorização de 30%, o BTG calcula yield de fluxo de caixa ao acionista de 13,5% e dividend yield de 9,2% nos 12 meses seguintes.

Isso ajuda a explicar por que, apesar do salto desta segunda-feira, o banco ainda não considera que o valuation tenha se tornado o principal obstáculo para a tese.

Eleição sozinha não muda Petrobras

O BTG, contudo, avalia que uma eventual troca de governo não significaria automaticamente uma Petrobras diferente. O banco considera improváveis mudanças substanciais na companhia simplesmente por uma alteração no comando federal. Eventuais mudanças poderiam levar tempo para serem implementadas e, mais ainda, para aparecer nos resultados financeiros.

Por isso, o BTG continua vendo preço da ação, petróleo e crack spreads como variáveis fundamentais para a tese, ao lado de uma eventual queda no risco-país e no custo de capital.

Uma mudança política poderia ter efeito mais concreto caso provocasse a retomada do programa de desinvestimentos. Segundo o banco, vendas de ativos poderiam liberar recursos tanto para dividendos extraordinários quanto para financiar investimentos, incluindo projetos na Margem Equatorial.

Produção, petróleo e dividendos: os gatilhos além da eleição

Neste cenário, a tese da Petrobras não se pauta exclusivamente no resultado eleitoral. O BTG destaca que a produção vem superando expectativas, na faixa de 2,9 milhões a 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, diante de guidance para 2026 de aproximadamente 2,5 milhões.

A combinação entre produção forte e preços elevados de petróleo e combustíveis fortalece a geração de caixa. Ao mesmo tempo, o banco acredita que a Petrobras vem retendo recursos para reduzir sua dívida bruta em direção à meta de cerca de US$ 65 bilhões, ante US$ 71 bilhões no segundo trimestre e teto de US$ 75 bilhões.

Se o Brent permanecer acima de US$ 90 por barril nos próximos meses, o BTG vê probabilidade muito elevada de a estatal acumular caixa excedente suficiente para eventualmente ser devolvido aos acionistas por meio de dividendos extraordinários.

Há ainda três catalisadores destacados pela casa: possíveis reajustes dos combustíveis, capazes de melhorar a percepção sobre a política de preços; resultados fortes no terceiro trimestre e uma possível revisão para cima do guidance de 2026; e o novo plano estratégico de cinco anos.

BBI aumenta preço-alvo para R$ 62

O Bradesco BBI elevou suas estimativas para a companhia e mantém recomendação de compra. O banco aumentou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 52 para R$ 62, citando a combinação de produção mais alta, margens melhores no refino e redução da taxa de retorno exigida pelos investidores.

O preço-alvo de R$ 62 ainda representaria aproximadamente 12% de valorização sobre os R$ 55,36 registrados por PETR4 no fechamento de segunda, sem considerar dividendos.

O BBI elevou sua projeção de produção para os próximos cinco anos diante das sucessivas surpresas positivas da companhia. Também aumentou a estimativa para o crack spread médio do diesel em 2027 de US$ 25 para US$ 45 por barril.

Outra mudança importante foi a redução do dividend yield sustentável exigido pelo banco para 8%, ante 9% anteriormente, deixando apenas um pequeno prêmio frente às grandes petroleiras americanas.

Além dos fundamentos já incorporados às estimativas, o BBI enxerga uma eventual agenda de venda de ativos, controle de custos e maior disciplina na alocação de capital como possíveis fontes adicionais de valorização. O banco também espera reajustes de combustíveis no futuro.

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