Protestos na França no fim de semana ampliam pressão sobre governo Macron

19 de Out de 2026 - 07:30
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Protestos na França no fim de semana ampliam pressão sobre governo Macron
    • Author, Katya Adler
    • Role, Editora de Europa da BBC News
  • Published Há 44 minutos
  • Tempo de leitura: 5 min

O primeiro-ministro da , Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de emergência nesta segunda-feira (19/10) para avaliar , com episódios tidos como os mais graves de desordem pública da história recente da França.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar sua renúncia, informou o Palácio do Eliseu (sede da Presidência da França) na manhã desta segunda-feira.

Mas Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança nas ruas francesas e garanta que os responsáveis pelos atos de violência do fim de semana sejam levados à Justiça.

Mais de meio milhão de manifestantes, em sua maioria pacíficos, protestaram no sábado contra o aumento do custo de vida e o acesso cada vez menor a serviços públicos de qualidade, incluindo uma boa educação pública. Mas os protestos se tornaram violentos após o aparecimento de grupos de ativistas e vândalos vestidos de preto e mascarados.

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Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão. Em vários locais, policiais foram vistos agredindo pessoas com cassetetes. O Ministério do Interior francês informou que cerca de mil policiais ficaram feridos no sábado, sete deles gravemente.

O ministro do Interior tem sido acusado por adversários políticos, por alguns sindicatos e nas redes sociais de não ter se preparado adequadamente e de ter mobilizado efetivo policial insuficiente para os diversos protestos programados para sábado.

A presidente da Câmara Baixa do Parlamento francês, Yaël Braun-Pivet, quer abrir um inquérito para apurar exatamente o que aconteceu.

"As coisas estão sombrias na Cidade Luz" (apelido de Paris) foi o grafite que li rabiscado com tinta vermelha em uma parede ao lado de uma fileira de lojas depredadas na capital francesa, na noite de domingo.

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Corriam rumores na França de que o presidente Emmanuel Macron poderia introduzir um toque de recolher temporário em partes do país, ou mesmo impor um estado de emergência para ajudar a acalmar o clima tenso.

Por fim, ele usou um pronunciamento televisionado à nação no domingo para apelar à unidade nacional e tentar assegurar ao público francês que os autores da violência seriam punidos.

O discurso de Macron foi amplamente criticado na mídia francesa por falta de detalhes concretos.

Como os vândalos e os manifestantes violentos serão responsabilizados agora?

Como as cidades e vilas da França poderiam ser melhor protegidas, especialmente considerando que novas manifestações em massa foram anunciadas para as próximas semanas?

Como exatamente as empresas destruídas serão indenizadas?

E quando será estabelecido um diálogo com os representantes de estudantes e professores sobre o tema da educação? Foi justamente por isso que essas manifestações começaram, no mês passado.

No domingo, a secretária-geral do sindicato CGT, Sophie Binet, acusou Macron de não dar atenção às preocupações dos estudantes, à crise do custo de vida e à queda na qualidade dos serviços públicos na França.

O presidente aparentemente passou esse bastão para o primeiro-ministro Lecornu. Macron é amplamente visto na França como um presidente em fim de mandato, que já está de saída.

Uma acirrada disputa está em curso para a sucessão presidencial, com a eleição marcada para daqui a seis meses. A candidata presidencial da direita nacionalista anti-imigração (Marine Le Pen) e o candidato da esquerda anticapitalista (Jean-Luc Mélenchon) disputam espaço nos holofotes e tentam dominar o debate público.

Isso aparentemente colaborou com as tensões atuais na França, tanto na política quanto nas ruas.

O parlamento está paralisado — profundamente dividido entre três blocos políticos rivais.

Além disso, a França enfrenta problemas financeiros. Os investidores pressionam fortemente o país para que sua dívida pública crescente seja controlada. Mas o governo francês teme que, se cortar serviços públicos ou benefícios sociais, mais pessoas revoltadas irão às ruas.

E agora, o que vai acontecer? O país está em crise? Essas são perguntas que ouvimos com frequência ultimamente.

Os acontecimentos de sábado deixaram muitos franceses chocados e apreensivos. As imagens de cidades tomadas por gás lacrimogêneo, de saqueadores agindo aparentemente sem impedimentos e de prédios públicos em chamas causaram preocupação em todo o país.

Muitas das pessoas com quem conversei nas ruas expressaram frustração por ver que, enquanto estão preocupadas com o futuro, os principais líderes políticos do país parecem mais empenhados em trocar acusações e culpar uns aos outros pela instabilidade.

"Enquanto nos preocupamos com a nossa segurança, eles usam esta situação como moeda de troca política antes das eleições presidenciais", me disse Edouard, professor e pai de três filhos.

Macron e seu primeiro-ministro atribui o caos violento de sábado a grupos radicais de extrema esquerda e delinquentes. O líder da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, alega "incompetência" do governo. Marine Le Pen, da direita nacionalista, que gosta de ser vista como firme na defesa da lei e da ordem, publicou um vídeo sentada em frente à bandeira francesa, fazendo um discurso em estilo presidencial, culpando o "governo Macron que está sem fôlego, exausto e desorientado".

As autoridades francesas esperam um pouco de alívio nas próximas duas semanas. Os estudantes iniciam o recesso escolar na segunda-feira.

Mas, em 5 de novembro, uma ampla gama de sindicatos, além do movimento heterogêneo dos , que organizou manifestações por mais de um ano em 2018 — durante o primeiro mandato de Macron como presidente — anunciaram grandes protestos.

Agora, a França aguarda os próximos acontecimentos com apreensão.

  • Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. (link para texto em inglês).