Protestos na França refletem o que será da Europa em 2027, diz especialista

7 de Out de 2026 - 03:40
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Protestos na França refletem o que será da Europa em 2027, diz especialista

Os protestos estudantis que tomaram as ruas da França são interpretados por especialistas como o prenúncio de uma crise muito mais profunda, que pode atingir não apenas o país, mas toda a Europa até 2027. A avaliação é de o professor de Relações Internacionais da FAAP, da FGV e do IDP Vinícius Rodrigues Vieira ao WW.

Para Vinícius Rodrigues Vieira, o que está em curso vai além das reivindicações por mais investimentos na infraestrutura das escolas.

“Nós temos aqui o prenúncio, a antecipação daquilo que talvez seja a tempestade perfeita, não apenas da França, mas da Europa em 2027”, afirmou o especialista.

Petróleo e gastos com defesa no centro da crise

O agravamento do cenário está diretamente ligado às dificuldades de acesso ao petróleo árabe. Segundo Vinícius Rodrigues Vieira, os ataques dos Houthis à Arábia Saudita têm complicado o fornecimento de energia para os europeus.

Diante desse contexto, o presidente da França, Emmanuel Macron, chegou a convocar líderes de partidos opositores, incluindo Marine Le Pen, líder da direita francesa e candidata à presidência, para discutir a situação.

“A conta não fecha em função das novas circunstâncias em que principalmente a Europa vai ter de disponibilizar mais gastos para sua própria defesa”, explicou o professor.

Esse cenário de restrição fiscal força os governos europeus a redirecionar recursos que antes iam para o estado de bem-estar social — incluindo a educação — para o setor de defesa.

O resultado é um crescente mal-estar entre a população francesa, que vê ameaçado um modelo robusto de proteção social que considera conquistado e inegociável.

Impacto político e eleições de 2027

O especialista avalia que o caldeirão social e econômico pode impactar diretamente o que resta do governo Macron e moldar o cenário eleitoral francês.

Com a eleição presidencial prevista para 2027, Vinícius Rodrigues Vieira aponta que a extrema esquerda tenta capturar os protestos a seu favor.

“Podemos ter aí uma alternativa radical de esquerda contra uma alternativa radical de direita disputando o Palácio do Eliseu em abril ou maio do ano que vem”, projetou.

Segundo o professor, nas projeções atuais, Macron perderia para Le Pen caso ficasse em segundo turno contra ela.

No entanto, a intensificação dos protestos pode alterar esse quadro, abrindo espaço para que uma candidatura de extrema esquerda emerja como força real na disputa pelo poder na França.

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