PF pede cooperação dos EUA para rastrear dinheiro de fundo que bancou “Dark Horse”
A Polícia Federal (PF) pediu nesta sexta-feira (9) a cooperação formal aos Estados Unidos para rastrear o destino do dinheiro do fundo Havengate, utilizado no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro(PL). O pedido foi encaminhado ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), do Ministério da Justiça.
A solicitação foi feita por meio do Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT), instrumento que permite o compartilhamento de informações entre países em investigações criminais. Os investigadores querem identificar o caminho dos recursos que passaram pelo Havengate, fundo que recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, para bancar a produção.
Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do longa por meio do fundo nos Estados Unidos, sendo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado com o banqueiro um repasse de R$ 134 milhões para financiar o filme.
Em acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário Antonio Carlos Freixo Junior afirmou ter realizado sete transferências para o Havengate, nos Estados Unidos. Segundo o delator, os pagamentos ocorreram entre janeiro e setembro de 2025, por determinação de Vorcaro, e foram registrados como “subscrições de cotas”.
As operações totalizaram US$ 12,333 milhões, valor equivalente a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. A subscrição de cotas é uma operação em que um fundo emite novas participações para captar dinheiro de investidores e ampliar seu patrimônio.
De acordo com as informações sobre a delação, os aportes foram solicitados a Vorcaro por Flávio Bolsonaro. O objetivo da cooperação internacional é permitir que os investigadores rastreiem os recursos e esclareçam o destino dos valores movimentados pelo fundo.
O acordo de delação de Freixo Junior foi firmado com a PGR em 8 de agosto e homologado cerca de um mês depois pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso Banco Master.