Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele envelhece

5 de Out de 2026 - 11:50
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Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele envelhece

​O Metrópoles promoveu, nesta quinta-feira (1º), o talk “Vidas sem Rótulos: Como viver bem em qualquer idade”. A conversa abordou  diversos assuntos que retratam a vida da pessoa idosa no e contou com a participação do diretor regional da em Brasília, Rodrigo Pastor, médico especialista em atendimento à terceira idade. ​O talk ocorreu no mesmo dia em que é comemorado o Dia Internacional da Pessoa Idosa.

​O bate-papo começou abordando um dos principais empecilhos na vida das pessoas da terceira idade: os rótulos impostos pela sociedade. Rodrigo trouxe para a conversa diversos pontos que são comuns na vida de quem já tem 60 anos ou mais. ​

“A gente escuta muitos rótulos na sociedade. O Brasil evoluiu muito, nossa sociedade evoluiu muito, mas ainda tem muito a evoluir. Quem nunca escutou que um idoso é inútil? Que não tem mais utilidade? Aposentou, não tem mais utilidade para a sociedade… Esquecendo que esse idoso tem uma quantidade de experiências que adquiriu na vida e que isso pode ser passado para as pessoas mais jovens, principalmente para as crianças, que estão muito distantes dos idosos”, destacou.

​Outro ponto levantado pelo especialista foi o mito de que o idoso não consegue fazer mais nada. Ele citou um jargão muito comentado de que “o idoso não consegue mais estar dentro do mesmo ambiente que o jovem” e lembrou que muitas empresas, atualmente, têm preferido contratar pessoas idosas ao invés de jovens.

“Quando a sociedade não respeita seus idosos, ela está muito distante de uma realidade favorável. Temos países mais desenvolvidos porque entenderam que respeitar o idoso desenvolve a sociedade.”

​Idade cronológica vs. idade funcional

O doutor explicou que a idade cronológica — o tempo exato de vida da pessoa — não pode servir de único parâmetro para o desenvolvimento do idoso na sociedade.

Segundo ele, é um critério limitado, que serve apenas para aspectos constitucionais e marcos populacionais. Por outro lado, a idade funcional não deve ser usada para tolher o desenvolvimento do indivíduo.

​Respeito e autonomia

​O especialista também abordou o estereótipo de que idosos são “teimosos” ou “ranzinzas”. Ele explicou que a pessoa chega a essa fase desenvolvendo uma “casca” adquirida com o tempo, deixando de se privar de situações que evitava quando mais jovem.

​”Por ter muita experiência, ele já não tolera mais algumas situações. Não tem mais as amarras sociais do tipo ‘não vou falar isso para não causar desconforto’. E muitas vezes isso é mal interpretado como ser ranzinza ou mal-educado. O que faz sentido para o idoso, ele abraça; o que não faz sentido, ele quer distância.”

​O médico falou também sobre a falta de paciência da sociedade em esperar pelos idosos, exemplificando com situações do cotidiano no consultório: “Normalmente temos filhos ou cuidadores que impedem o idoso de agir, muitas vezes por falta de paciência com suas limitações. Chegam com ele na cadeira de rodas porque é mais fácil transportá-lo. Como temos uma sociedade extremamente rápida, perdemos a paciência de esperar o idoso.”