Quanto mais informação o idoso tem, melhor ele envelhece
O Metrópoles promoveu, nesta quinta-feira (1º), o talk “Vidas sem Rótulos: Como viver bem em qualquer idade”. A conversa abordou diversos assuntos que retratam a vida da pessoa idosa no e contou com a participação do diretor regional da em Brasília, Rodrigo Pastor, médico especialista em atendimento à terceira idade. O talk ocorreu no mesmo dia em que é comemorado o Dia Internacional da Pessoa Idosa.
O bate-papo começou abordando um dos principais empecilhos na vida das pessoas da terceira idade: os rótulos impostos pela sociedade. Rodrigo trouxe para a conversa diversos pontos que são comuns na vida de quem já tem 60 anos ou mais.
“A gente escuta muitos rótulos na sociedade. O Brasil evoluiu muito, nossa sociedade evoluiu muito, mas ainda tem muito a evoluir. Quem nunca escutou que um idoso é inútil? Que não tem mais utilidade? Aposentou, não tem mais utilidade para a sociedade… Esquecendo que esse idoso tem uma quantidade de experiências que adquiriu na vida e que isso pode ser passado para as pessoas mais jovens, principalmente para as crianças, que estão muito distantes dos idosos”, destacou.
Outro ponto levantado pelo especialista foi o mito de que o idoso não consegue fazer mais nada. Ele citou um jargão muito comentado de que “o idoso não consegue mais estar dentro do mesmo ambiente que o jovem” e lembrou que muitas empresas, atualmente, têm preferido contratar pessoas idosas ao invés de jovens.
“Quando a sociedade não respeita seus idosos, ela está muito distante de uma realidade favorável. Temos países mais desenvolvidos porque entenderam que respeitar o idoso desenvolve a sociedade.”
Idade cronológica vs. idade funcional
O doutor explicou que a idade cronológica — o tempo exato de vida da pessoa — não pode servir de único parâmetro para o desenvolvimento do idoso na sociedade.
Segundo ele, é um critério limitado, que serve apenas para aspectos constitucionais e marcos populacionais. Por outro lado, a idade funcional não deve ser usada para tolher o desenvolvimento do indivíduo.
Respeito e autonomia
O especialista também abordou o estereótipo de que idosos são “teimosos” ou “ranzinzas”. Ele explicou que a pessoa chega a essa fase desenvolvendo uma “casca” adquirida com o tempo, deixando de se privar de situações que evitava quando mais jovem.
”Por ter muita experiência, ele já não tolera mais algumas situações. Não tem mais as amarras sociais do tipo ‘não vou falar isso para não causar desconforto’. E muitas vezes isso é mal interpretado como ser ranzinza ou mal-educado. O que faz sentido para o idoso, ele abraça; o que não faz sentido, ele quer distância.”
O médico falou também sobre a falta de paciência da sociedade em esperar pelos idosos, exemplificando com situações do cotidiano no consultório: “Normalmente temos filhos ou cuidadores que impedem o idoso de agir, muitas vezes por falta de paciência com suas limitações. Chegam com ele na cadeira de rodas porque é mais fácil transportá-lo. Como temos uma sociedade extremamente rápida, perdemos a paciência de esperar o idoso.”