Raquel Lyra, do PSD, é reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno
Raquel Lyra (PSD) venceu as eleições de 2026 para o governo de Pernambuco no primeiro turno, tendo derrotado o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB) e garantindo mais quatro anos à frente do Palácio do Campo das Princesas.
A vitória encerra uma disputa que colocou frente a frente a governadora, que buscava a reeleição, e o herdeiro de duas das principais famílias políticas do estado.
Na votação deste domingo (4), com 98,96% das seções eleitorais totalizadas, Raquel Lyra teve 53,25% dos votos válidos (2.776.550 votos), enquanto João Campos registrou 44,82% (2.336.547 votos).
Raquel Lyra manteve diálogo com o governo federal e evitou confronto direto com Lula, enquanto ampliou pontes com prefeitos, deputados e lideranças da centro-direita. A estratégia foi acompanhada por uma melhora nos índices de aprovação da gestão estadual.
João Campos iniciou a corrida eleitoral em posição favorável. Ex-prefeito do Recife, foi reeleito em 2024 para a gestão municipal com 78% dos votos válidos e entrou na disputa apoiado pelo PSB, pelo PT e por uma ampla aliança.
Filho de Eduardo Campos e neto de Miguel Arraes, João Campos apresentou-se como representante de uma nova geração da política pernambucana e passou a reforçar sua ligação com Lula durante a campanha.
Raquel Lyra cresceu durante a campanha
A candidata à reeleição começou o ano atrás de João Campos nas sondagens eleitorais. Em abril, levantamento do Real Time Big Data mostrava o ex-prefeito do Recife com 50% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 33% da governadora.
A situação mudou nos meses seguintes. No fim de julho, o Datafolha apontava Raquel Lyra com 48%, contra 42% de Campos. A mudança também apareceu em levantamentos da Quaest. Em julho, Raquel passou numericamente à frente de Campos no primeiro turno e também assumiu vantagem em uma simulação de segundo turno. A pesquisa apontava ainda crescimento da aprovação da governadora, de 62% para 68%, enquanto a desaprovação da atual gestão caía de 35% para 23%.
Em setembro, a disputa voltou a aparecer empatada. Pesquisa do Real Time Big Data divulgada no dia 3 do mês passado mostrava Raquel Lyra e João Campos com 43% das intenções de voto no primeiro turno. No cenário de segundo turno, os dois também registravam 44%. A sondagem indicou ainda que a governadora tinha rejeição de 41%, contra 36% de Campos.
Disputa judicial e elevação do tom nas redes sociais
A campanha de Raquel Lyra enfrentou episódios de disputa judicial e ataques nas redes sociais. Em julho, a governadora acionou a Justiça Eleitoral para denunciar uma suposta atuação coordenada de perfis falsos, robôs e disseminação de notícias falsas contra sua imagem.
Em agosto, o TRE-PE determinou a retirada de uma imagem produzida com inteligência artificial que associava Raquel ao senador Flávio Bolsonaro (PL). No mesmo mês, cartazes anônimos espalhados pelo Recife fizeram acusações sem provas relacionadas à morte do marido da governadora, Fernando Lucena, ocorrida em 2022.
Uma das peças dizia que Raquel teria matado o marido para ganhar a eleição, enquanto outra a colocava, por meio de uma montagem, ao lado de mulheres condenadas pela morte dos próprios companheiros. Raquel Lyra registrou boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil e pediu a investigação dos responsáveis. João Campos também repudiou os cartazes e negou qualquer relação de sua campanha com o material.
João Campos apostou na ligação com Lula
O representante do PSB na disputa pernambucana construiu sua candidatura inicialmente a partir da popularidade conquistada na capital Recife, além de se atrelar à imagem de renovação e grudar no legado político da família Campos-Arraes. Com a recuperação de Raquel nas pesquisas, porém, a campanha do PSB passou a reforçar a associação do candidato com Lula.
Os jingles e peças eleitorais exploraram a relação entre as famílias de Campos e do presidente. A campanha também destacou ações realizadas em parceria com o governo federal. Lula declarou apoio a Campos, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o partido teria apenas um palanque em Pernambuco.
A estratégia trouxe um contraste para Campos: mesmo com o apoio formal de Lula, a campanha precisou disputar também eleitores que aprovam o presidente, mas não necessariamente estavam convertendo essa preferência em voto no candidato do PSB. Em setembro, uma pesquisa da Quaest mostrava Raquel com 43% e Campos com 37% no primeiro turno, dentro da margem de erro, enquanto a simulação de segundo turno apontava 45% para Raquel e 39% para Campos.