Reino Unido mantém operação perto de base dos EUA após 5 prisões
A polícia britânica permanece nos arredores de uma base aérea utilizada pelos Estados Unidos para atacar o Irã nesta segunda-feira (28), após a detenção de cinco homens suspeitos de terrorismo.
A polícia britânica prendeu os suspeitos neste domingo (27) sob suspeita e crimes relacionados a explosivos nas proximidades de uma base aérea na Inglaterra usada por bombardeiros americanos de longo alcance na guerra contra o Irã.
Equipes do Exército especializadas em desativação de bombas estão no local, enquanto dezenas de casas próximas foram evacuadas por precaução. A investigação está em andamento.
As prisões ocorreram depois que a polícia recebeu informações de moradores da região pouco depois da meia-noite, segundo Richard Ocone, um detetive de alto escalão do condado de Gloucestershire. Os homens não foram identificados e não foram divulgadas informações sobre um possível motivo.
Vicki Evans, uma autoridade da Polícia de Combate ao Terrorismo, confirmou que “estamos nos estágios iniciais de uma investigação, e cinco homens permanecem sob custódia. Como seria de esperar, estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros para entender as circunstâncias do incidente”.
Além da suspeita de crimes relacionados a explosivos, os homens foram “detidos sob suspeita de preparação de um ato terrorista”, segundo a polícia antiterrorismo. As leis britânicas de combate ao terrorismo permitem que a polícia mantenha suspeitos detidos por até 14 dias antes de apresentar acusações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou as prisões como “fantásticas” e disse que os Estados Unidos e o Reino Unido estavam investigando os homens “há muito tempo”.
“Trabalhando com a Grã-Bretanha, foi um trabalho incrível”, disse Trump a jornalistas em Chicago. “Eles estavam tentando causar grandes danos à nossa base, e trabalhar com os britânicos funcionou muito bem.”
“Estávamos monitorando-os há muito tempo e os pegamos”, afirmou.
No entanto, diversos veículos britânicos, incluindo BBC, Guardian e Telegraph, relataram, citando fontes, que a operação não foi baseada em informações de inteligência, o que sugere que a vigilância de moradores locais pode ter desempenhado um papel importante no alerta às autoridades.
Uma moradora, que não quis ser identificada, disse à CNN que voltava para casa de carro com o marido por volta de 1h30 deste domingo quando encontrou sua entrada bloqueada por três vans, o que considerou “estranho”.
Em seguida, ela viu um grupo de cerca de oito a dez homens mascarados fugindo do local e tentou ligar para um número do Ministério da Defesa fornecido aos moradores da região da base.
Como ninguém atendeu, ela chamou a polícia.
Mais tarde, enviou uma mensagem ao grupo de WhatsApp da vila para alertar os moradores sobre o incidente, contou à CNN.
Em entrevista à Sky News na manhã desta segunda-feira, o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, agradeceu à mulher por fazer a ligação de emergência.
Mas acrescentou: “Com todo respeito, ela tem apenas uma visão parcial” da situação, sem fornecer mais detalhes.
A Embaixada dos EUA em Londres alertou os americanos no Reino Unido a “ter cautela e estar atentos à segurança pessoal” após as prisões.
Imagens aéreas parecem mostrar um robô de desativação de bombas circulando entre três vans brancas em uma área de mata próxima à base. As portas traseiras de duas das vans estavam abertas, e grandes objetos pretos podiam ser vistos espalhados pelo local.
Na noite de domingo, equipes da CNN que estavam próximas à cerca do perímetro da RAF Fairford ouviram o que pareciam ser duas explosões controladas vindas da direção de Whelford.
Mais cedo, a Polícia de Gloucestershire informou a jornalistas que “a unidade de desativação de explosivos do Exército continua examinando três veículos perto” da vila. A CNN procurou o Ministério da Defesa britânico para comentar.
O Daily Mail publicou um vídeo que supostamente mostra vários indivíduos sendo presos no local durante as primeiras horas deste domingo, no horário local. Eles aparecem sem camisa, com os braços atrás das costas.
Uma moradora disse à CNN que ouviu helicópteros sobrevoando Whelford às 2h e que veículos do esquadrão antibombas chegaram cerca de uma hora depois.
A vila fica próxima à base da Royal Air Force em Fairford, usada por bombardeiros B-1 americanos envolvidos nos ataques contra o Irã e que funciona como base avançada do Comando de Ataques Globais da Força Aérea dos EUA, responsável por coordenar ataques de longo alcance.
Um porta-voz da Força Aérea dos EUA em Fairford, onde está sediada a 501ª Ala de Apoio de Combate, disse à CNN: “Por razões de segurança operacional, não comentaremos medidas específicas de proteção das forças”.
A unidade “permanece vigilante e tomará as medidas apropriadas para garantir a segurança e a proteção de nossos militares, civis, contratados e suas famílias”, afirmou o porta-voz.
Primeiro-ministro é informado
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, agradeceu aos serviços de emergência neste domingo pela atuação e aos moradores locais pela compreensão enquanto “verificações preventivas são realizadas”.
“Sei que o incidente de hoje perto da RAF Fairford será profundamente preocupante para os moradores locais e para muitas pessoas que acompanham os acontecimentos em todo o país”, publicou Burnham no X.
Mais cedo, um porta-voz do governo afirmou que o primeiro-ministro estava recebendo atualizações sobre o incidente.
“Somos gratos aos serviços de emergência, que agiram rapidamente para deter vários suspeitos e implementar medidas para manter a comunidade segura”, disse o porta-voz.
“Seria inadequado fazer mais comentários enquanto as investigações estão em andamento.”
“Podemos ter certeza de que isso está sendo tratado e é exatamente por isso que nossas equipes de resposta a emergências e as Forças Armadas estão de prontidão 24 horas por dia, sete dias por semana”, disse o secretário de Defesa britânico, Wes Streeting.
O incidente é um lembrete das “ameaças que este país enfrenta diariamente”, afirmou Streeting, segundo a agência de notícias britânica PA Media.
Um morador local, que pediu para não ser identificado, disse à PA Media que medidas de segurança haviam sido reforçadas nas proximidades da base nas últimas semanas.
“Eles colocaram veículos pesados, muito pesados, em todos os portões… tratores muito grandes e coisas assim”, afirmou.
Outro morador disse à CNN que parecia que a base estava em regime de isolamento recentemente. “Tem sido como uma cidade fantasma durante toda a semana”, afirmou.
Em março, o governo britânico autorizou a Força Aérea dos EUA a usar Fairford para realizar ataques contra instalações de mísseis iranianos usadas para atacar navios no Estreito de Ormuz.
Meses depois, o Reino Unido afirmou que suas Forças Armadas estavam prontas para proteger o país de qualquer ataque, depois que a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou o Reino Unido por permitir que bombardeiros americanos operassem a partir de bases britânicas.
“Nossas Forças Armadas estão prontas para manter o Reino Unido seguro contra qualquer tipo de ataque, seja em nosso território ou vindo do exterior. O Reino Unido está pronto 24 horas por dia, sete dias por semana para se defender”, afirmou um porta-voz do governo.