Remake de Magic Knight Rayearth pode melhorar os isekais modernos? Diretor do anime destaca diferença entre a obra e histórias contemporâneas
Há muito debate em torno de isekais modernos, especialmente sobre a falta de profundidade da trama ou até protagonistas e personagens que são unidimensionais. Isekai é um gênero que não é novo nos animes, mas que, ao comparar obras novas e aquelas que consideramos clássicos, há uma grande diferença de qualidade. É isso que o diretor do remake de Magic Knight Rayearth falou recentemente.
Criado pela CLAMP e ganhando um anime na década de 1990, ,Magic Knight Rayearth conta a história de três garotas humanas que são transportadas para um mundo mágico, sendo confrontadas com a revelação de que precisam usar poderes recém-adquiridos para confrontar o mal. Uma história padrão isekai. Mas, ao comparar a obra com isekais atuais, existe uma bela discrepância em como essas histórias mudaram ao longo dos anos.
"A maior diferença é que Magic Knight Rayearth é uma história sobre amadurecimento e os sacrifícios que o acompanham, em vez de uma trama focada em habilidades apelativas ou "trapaças"," explicou Yui Miura, diretor do remake, ao . "Em muitos isekai modernos, os protagonistas começam com — ou rapidamente adquirem — habilidades extraordinárias que lhes permitem superar seus oponentes sem esforço. Grande parte do apelo reside na satisfação de ver um herói imparável dominar todas as batalhas."
É aqui que o diretor revela que a questão central de Magic Knight Rayearth não reside nas habilidades ou poderes adquiridos pelas garotas ou como elas vão usá-los sem precedentes, mas é uma questão de amadurecimento.
"Em contrapartida, Hikaru, Umi e Fū são apenas três garotas comuns do ensino fundamental que são repentinamente transportadas para o mundo de fantasia de Cefiro. Elas empunham espadas, sofrem ferimentos, derramam lágrimas e despertam gradualmente seus poderes mágicos e sua força interior à medida que superam seus medos e inseguranças. Essa jornada de crescimento pessoal é um dos encantos marcantes das histórias de fantasia isekai dos anos 90."
Isso é algo presente em todos os mangás da CLAMP, que exploram temas de amizade, amor (em todas as formas) e amadurecimento. Miura aponta que Rayearth também se destaca entre histórias voltadas ao público feminino justamente também por não ser focado no romance, mas no "forte vínculo" entre as três garotas e a vontade de retornar para casa.
"A verdadeira irmandade entre elas — construída com base no respeito mútuo e no apoio diante das fraquezas de cada uma — é algo com que acredito que o público moderno, que valoriza relacionamentos independentes, pode se identificar profundamente," diz. "Elas começam a questionar quais princípios devem reger aquele mundo e, por fim, fazem a escolha que determinará o destino dele. Em vez de esperar que outra pessoa as salve, assumem o controle de seus próprios destinos. Acredito que essa imagem de mulheres fortes escolhendo seu próprio caminho personifica exatamente o tipo de empoderamento que ressoa com os fãs de anime de hoje."
Anunciado em 2024, o remake de Magic Knight Rayearth celebra os 30 anos da obra, mantendo a história original, mas atualizando a arte. A obra foi produzida pelo E&H production em colaboração com a TMS Entertainment, que fez o anime original, e estreia em 7 de outubro na Crunchyroll.