Review: mouse MX Master 4, da Logitech, melhora o que já era bom
Quando fiz o review do MX Master 3S, em 2022, terminei o texto bastante satisfeito com o mouse. Ele já era uma evolução muito bem-vinda em relação ao MX Master 3 e reunia praticamente tudo o que eu esperava de um mouse voltado à produtividade: boa precisão, excelente ergonomia, rolagem MagSpeed (ainda que, nesse ponto, eu prefira a do Magic Mouse), vários botões configuráveis e uma bateria que parecia não acabar.
Pois o MX Master 4 chegou há cerca de um ano com uma missão um pouco mais complicada: melhorar um produto que já funcionava muito bem. E, embora certas novidades pareçam mais interessantes no papel do que no uso cotidiano, há mudanças importantes no novo modelo — várias delas bastante bem-vindas. A Logitech me enviou uma unidade para teste, e aqui está o que eu achei dele.




Aos interessados, aqui está um vídeo que o Rafa fez sobre o produto:
Design
A primeira impressão que temos é de um produto mais robusto. O MX Master 4 parece mais sólido e bem construído se comparado ao seu antecessor, com materiais e acabamento que passam uma sensação ainda maior de durabilidade. A empresa abandonou o revestimento emborrachado usado em boa parte do MX Master 3S, apostando em superfícies mais resistentes ao desgaste — o meu ainda tem pouco tempo de uso, mas acredito que o material realmente protege melhor o mouse da oleosidade das nossas mãos, mantendo-o intacto por mais tempo.

Essa construção mais robusta, porém, tem um efeito colateral: o mouse ficou mais pesado, agora com 150 gramas contra 141g do MX Master 3S. Embora isso ajude a passar uma sensação de produto premium e estabilidade sobre a mesa, particularmente não gostei tanto desse peso adicional. Não chega a ser um problema, mas é uma daquelas mudanças que eu teria preferido que não tivessem acontecido.
Ergonomicamente, entretanto, a fórmula continua muito boa — ainda que com uma pegada um pouco diferente. O formato inclinado, o apoio para o polegar e a posição dos controles fazem do MX Master 4 um mouse muito confortável para passar horas trabalhando. A Logitech também mantém o sensor de até 8.000DPI e a possibilidade de utilizá-lo em praticamente qualquer superfície, inclusive vidro — eu usei por muito tempo na minha mesa da sala, que era de vidro, sem nenhum problema!

Há, porém, uma crítica recorrente ao MX Master 4 relacionada à sua taxa de resposta (polling rate), que seria consideravelmente inferior à de alguns mouses mais voltados para desempenho. Na prática, isso resulta em uma resposta menos rápida aos movimentos, algo especialmente relevante para quem joga ou trabalha com tarefas que exigem precisão extrema e baixa latência. Como eu nunca precisei de algo assim e nunca usei um mouse com uma taxa de resposta significativamente maior para fazer uma comparação direta, não tenho como avaliar na prática o quanto essa diferença é perceptível no uso cotidiano. O que eu posso dizer é que isso não me incomoda (talvez por ignorância de não ter testado um produto com características mais avançadas nesse sentido, mas… não incomoda).
Botões e personalização
É olhando para a lateral que encontramos algumas das mudanças de que mais gostei. O MX Master 4 agora tem três botões acessíveis pelo polegar, em vez dos dois do MX Master 3S. Pode parecer uma alteração pequena, mas é extremamente útil para quem gosta de personalizar o mouse. São mais possibilidades de configurar atalhos, comandos específicos de aplicativos ou ações que você executa dezenas de vezes durante o dia.

Melhor ainda é que o botão de gesto ficou muito mais fácil de alcançar. No MX Master 3S, ele ficava praticamente “escondido” sob o apoio do polegar e exigia um movimento para baixo que, para mim, nunca foi particularmente natural. No MX Master 4, a Logitech reposicionou esse controle, fazendo-o funcionar tanto ao ser pressionado para baixo quanto para a lateral (na direção do corpo do mouse), tornando o acionamento muito mais intuitivo.
Esse controle também está ligado ao novo Actions Ring, um menu circular que aparece na tela quando o botão é pressionado e oferece atalhos configuráveis ao redor do cursor. É possível, por exemplo, colocar comandos para controlar volume, fazer capturas de tela, alternar aplicativos ou executar funções específicas de determinados programas. Eu, particularmente, não gosto muito disso. Até tentei usar por um tempo, mas acabei configurando o botão para aquilo a que eu já estava acostumado, que é mostrar a Mesa (Desktop).

Ainda nas novidades desse modelo do mouse, a empresa transformou o feedback tátil em um dos grandes destaques dele. O mouse consegue emitir pequenas vibrações para confirmar determinadas ações, indicar ajustes ou interações e até acompanhar alguns comandos realizados dentro de aplicativos compatíveis. A intensidade pode ser configurada no utilitário Logi Options+.

É uma ideia interessante, e certamente diferente. Mas, depois de usar o mouse, não consigo dizer que seja algo que tenha transformado meu uso do produto ou minha produtividade. Em alguns momentos é agradável — e até divertido — perceber a resposta tátil; mas depois você meio que esquece disso.
A rolagem também permanece boa. A roda MagSpeed continua sendo uma das características da linha, permitindo alternar entre uma rolagem precisa (com pequenos estágios) e uma rolagem livre extremamente rápida. Apesar de a rolagem ser boa, eu diria que a superfície sensível ao toque do Magic Mouse é a única coisa que considero superior (falando especificamente de rolagem) se comparada à dos mouses da Logitech. A roda lateral também continua presente no MX Master 4.

Inteligência artificial
Outro ponto que vale comentar são as novidades relacionadas à inteligência artificial no Logi Options+. A empresa claramente quer transformar seus periféricos em uma espécie de central de produtividade, oferecendo Smart Actions, integrações com aplicativos e recursos de IA. Mas, pelo menos para o meu uso, não foram essas funções que fizeram o MX Master 4 se destacar.

Na verdade, eu prefiro configurar manualmente os botões para ações que realmente fazem parte da minha rotina. O grande mérito do Logi Options+ continua sendo a possibilidade de personalizar praticamente tudo e criar configurações diferentes para aplicativos específicos — algo que já era muito bom no MX Master 3S e segue assim aqui.


Conectividade e bateria
Falando em conectividade, o MX Master 4 pode ser usado via Bluetooth ou pelo receptor Logi Bolt USB-C. Ele permite manter até três dispositivos conectados e alternar entre eles pelo botão localizado na parte inferior. Para quem trabalha com mais de um Mac ou alterna entre computadores, continua sendo um recurso bastante conveniente — aqui, nada mudou em relação ao 3S.

A bateria segue sendo um dos pontos fortes. A Logitech promete até 70 dias de autonomia com uma carga, além de oferecer carregamento rápido (um minuto conectado à energia pode proporcionar até três horas de uso). Eu simplesmente esqueço que tenho que recarregá-lo de tanto tempo que leva para isso acontecer!
Agora, talvez uma das mudanças de que mais gostei esteja justamente em uma parte que quase ninguém vê. O MX Master 4 foi projetado para ser aberto com muito mais facilidade. Os parafusos ficam acessíveis na parte inferior, sem precisar remover os adesivos que os escondiam no modelo anterior. Isso torna a manutenção muito mais simples e, principalmente, facilita o acesso à bateria.

E a própria bateria agora pode ser removida e substituída com muito mais facilidade. Para um produto que pode passar anos sobre uma mesa e que certamente terá sua bateria degradada antes de todo o restante do hardware, considero essa uma evolução muito mais significativa do que algumas das funções de IA, por exemplo. Além de aumentar a possibilidade de reparo, isso pode prolongar bastante a vida útil do mouse!
Conclusão
O MX Master 4 é exatamente o que eu esperaria de uma nova geração de um produto que já era muito bom: uma evolução, e não uma revolução. A Logitech manteve aquilo que funciona (a ergonomia, a enorme quantidade de botões, a autonomia e a capacidade de personalização) e fez algumas mudanças bastante acertadas.
Particularmente, gostei muito dos três botões laterais, do novo posicionamento do botão de gesto, da construção mais robusta e, principalmente, da facilidade de abertura e substituição da bateria. Já o peso maior não me conquistou, e as novidades de IA do Logi Options+ e o feedback tátil me parecem motivos suficientes, sozinhas, para justificar uma troca.
Para quem ainda usa um mouse mais antigo ou está procurando seu primeiro MX Master, o 4 é uma opção muito completa! Para quem já tem um MX Master 3S funcionando perfeitamente, a história é um pouco diferente: há melhorias reais e interessantes, mas elas não transformam completamente a experiência. Nesse caso, a atualização faz mais sentido para quem valoriza justamente os novos controles, a construção aprimorada e a maior facilidade de manutenção.
No Brasil, o MX Master 4 está disponível nas cores grafite e cinza claro; já nos Estados Unidos e em alguns outros países, é possível encontrar o mouse também na cor preta, bem como em uma versão específica para Mac nas cores Space Black e White Silver.
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