SpaceX planeja se transformar em grande operadora de telefonia celular com a Starlink

8 de Out de 2026 - 23:30
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SpaceX planeja se transformar em grande operadora de telefonia celular com a Starlink

A SpaceX, empresa de Elon Musk, fechou um acordo para comprar um lote de frequências de sinal de rádio nos Estados Unidos inteiro, garantindo uma capacidade de transmissão de até 14 megahertz dentro da faixa de 800 MHz, que é um tipo de onda ideal para o sinal ir mais longe e atravessar paredes, conforme confirmado pela própria companhia.

A aquisição, que ainda depende da aprovação da Comissão Federal de Comunicações (FCC), elimina a necessidade de a companhia firmar acordos de MVNO com AT&T, T-Mobile ou Verizon para viabilizar o Starlink Mobile.

O movimento ocorre após a FCC aprovar, nesta semana, o pedido da constelação Gen2 do serviço, autorizando o lançamento de 15.000 satélites para o espectro de 2 GHz em escala global.

Com essa camada de baixa frequência, o Starlink Mobile passa a operar de forma combinada entre satélites e infraestrutura terrestre, mirando uma rede única que funcione em ambientes internos, externos e em zonas mortas de celular.

Sugestões de compra

A lacuna de espectro terrestre e a recusa das operadoras

A SpaceX afirma que essa arquitetura permitirá que o serviço se torne o primeiro operador de rede a implantar espectro de satélite e terrestre simultaneamente, competindo diretamente com as três grandes operadoras dos Estados Unidos.

Até essa compra, a SpaceX tinha um espaço muito limitado para transmitir seus sinais em solo norte-americano, dependendo de apenas cerca de 15 megahertz de uma faixa de frequência voltada para serviços móveis avançados, cerca de 40 megahertz de outra faixa parecida e uns 10 megahertz de um bloco de frequências complementar, tudo isso distribuído por todo o país.

Desse conjunto, apenas a pequena fração de AWS-3 é ativamente suportada pela maioria dos celulares existentes no mercado.

Em análise técnica dos dados disponíveis, essa limitação inviabilizava o acesso à quantidade necessária de espectro terrestre para alimentar os serviços Direct-to-Cell (D2D) planejados sob o guarda-chuva do Starlink Mobile.

A recusa de AT&T, T-Mobile e Verizon em firmar um acordo de MVNO fechava o caminho para que a SpaceX obtivesse espectro terrestre em massa. A aquisição dos 14 megahertz na faixa de 800 MHz altera esse cenário e complementa o espectro global de banda média de 2 GHz do serviço, que fornecerá a capacidade de alta largura de banda nos Estados Unidos.

Two smartphones with custom back designs, both featuring rocket imagery and the text 'Musk Be On Mars.'

Cobertura em ambientes internos e compatibilidade com aparelhos

Conforme mencionado acima, a nova faixa de 800 MHz fornece uma camada de cobertura que permite ao sinal do Starlink Mobile penetrar obstáculos como paredes, atendendo dispositivos de clientes mesmo dentro de edifícios.

A SpaceX afirma que a maioria dos dispositivos móveis existentes já suporta essa banda subutilizada, o que reduz a dependência de hardware novo para a operação inicial.

O espectro de 2 GHz, por sua vez, sustenta a espinha dorsal da rede celular, enquanto os 14 megahertz na faixa de 800 MHz garantem a penetração em construções.

A SpaceX também obteve autorização da FCC para a gama completa de bandas de backhaul (em Ka/V/E/W) usadas pelos satélites de banda larga V3 do Starlink, permitindo que operem com a rede de gateways existente.

Gen2 contra Gen1: o confronto direto de especificações

Os satélites Gen2 do Starlink entregam maior capacidade e menor latência em comparação com os modelos Gen1.

Conforme os dados apresentados pela SpaceX, a nova geração oferece um aumento de 20 vezes na taxa de transferência e mais de 100 vezes a largura de banda dos satélites da geração atual.

Por sua vez, a capacidade Direct-to-Cell permite que os satélites Gen2 se conectem a aparelhos celulares não modificados, sem necessidade de adaptação no hardware do usuário.

EspecificaçãoGen1Gen2
Taxa de transferênciaReferênciaAumento de 20 vezes
Largura de bandaReferênciaMais de 100 vezes
Conexão com celularesNão suportadaDirect-to-Cell em aparelhos não modificados

A geração Gen2 também incorpora maior manobrabilidade orbital e sistema autônomo de evitação de colisões. A SpaceX projeta que mais smartphones passarão a suportar seu espectro existente entre 2027 e 2028, ampliando a competitividade do Starlink Mobile nos próximos meses.

Leia mais

Discurso indireto da SpaceX sobre a arquitetura combinada

Para finalizar, a SpaceX declarou, com o novo espectro de baixa frequência e a constelação Gen2, que o Starlink Mobile pode se tornar o primeiro operador de rede a implantar tanto espectro de satélite quanto terrestre.

A empresa descreve a iniciativa como uma rede que fornece aos norte-americanos um serviço confiável em ambientes internos, externos, em zonas mortas de celular e em todos os lugares entre eles. A companhia planeja combinar sua rede de satélites com infraestrutura terrestre para buscar uma rede móvel sem interrupções.

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Fontes: The Verge | WCCFtech