Tempestade geomagnética deve atingir a Terra nesta sexta

8 de Out de 2026 - 15:40
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Tempestade geomagnética deve atingir a Terra nesta sexta
  • Por Ana Paula Pickler

  • Especial para a Gazeta do Povo

  • 08/10/2026 às 15:06

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Uma tempestade solar que deixou o Sol no início desta semana deve atingir o entorno da Terra nesta sexta-feira (9), provocando uma possível tempestade geomagnética de intensidade entre G1 e G2. O fenômeno pode ampliar a área de ocorrência das auroras boreais, permitindo que elas sejam observadas em regiões mais ao sul do que o habitual.

A CME é uma enorme quantidade de plasma e campo magnético expelida pela atmosfera externa do Sol durante episódios de intensa atividade. Neste caso, a erupção foi acompanhada por uma labareda solar de classe M1.4 na região ativa de manchas solares AR4549.

Estimativas divulgadas pelos centros de monitoramento espacial indicam que a nuvem de plasma se desloca a cerca de 560 km/s.

Quando a tempestade solar chega à Terra?

A previsão é que a nuvem alcance a Terra nas primeiras horas de 9 de outubro. O horário exato, porém, ainda pode mudar, porque a velocidade, a trajetória e principalmente a orientação do campo magnético carregado pela CME só podem ser determinadas com maior precisão à medida que a estrutura se aproxima do planeta.

É importante diferenciar os termos. A tempestade solar é o fenômeno originado no Sol, como uma erupção ou uma ejeção de massa coronal. Já a tempestade geomagnética acontece quando o material lançado pela estrela interage com o campo magnético da Terra.

Quando a CME alcança a magnetosfera, ela comprime e perturba o campo magnético terrestre. Dependendo da intensidade e da orientação do campo magnético da nuvem, essa interação pode transferir energia para a alta atmosfera e produzir auroras, além de provocar efeitos em sistemas tecnológicos.

A escala usada pela NOAA vai de G1 a G5. G1 é considerado menor e G2, moderado. Em G2, podem ocorrer pequenas perturbações em redes elétricas de altas latitudes, alterações na propagação de ondas de rádio e necessidade de ajustes na operação ou no rastreamento de alguns satélites. A NOAA também associa esse nível à possibilidade de auroras serem observadas em latitudes mais baixas, em determinadas condições.

Aurora boreal pode aparecer mais ao sul

As auroras surgem quando partículas energéticas associadas ao vento solar interagem com gases da alta atmosfera terrestre. A energia liberada nessas colisões produz as luzes coloridas que normalmente ficam concentradas próximas aos polos.

Uma tempestade geomagnética mais intensa pode expandir temporariamente a região onde as auroras são visíveis. Em eventos G2, a NOAA aponta que o fenômeno já foi observado em locais como Nova York e Idaho. Isso não significa, porém, que todas essas regiões necessariamente terão aurora nesta sexta-feira: a visibilidade depende da intensidade efetiva da tempestade, da orientação do campo magnético, da localização e das condições do céu.

No Brasil, a aurora boreal não deve ser visível. Mesmo que a tempestade geomagnética alcance G2, a previsão é de que o fenômeno permaneça concentrado em latitudes muito mais elevadas no Hemisfério Norte.

Tempestade solar pode causar apagão ou afetar internet?

Apesar de chamar atenção pelo espetáculo das auroras, uma tempestade solar G1 ou G2 não significa que haverá um apagão generalizado, interrupção da internet ou colapso dos sistemas de comunicação.

Tempestades geomagnéticas podem interferir em redes elétricas, especialmente em regiões de altas latitudes, e produzir correntes induzidas em linhas de transmissão. Em níveis mais elevados da escala, os riscos aumentam.

A NOAA classifica G5 como extremo e associa esse nível a problemas mais amplos em redes elétricas, satélites, navegação e comunicações.

O GPS também pode sofrer alterações durante eventos de clima espacial, mas os impactos dependem da intensidade e da duração da tempestade. Satélites, por sua vez, podem enfrentar problemas de orientação, rastreamento ou aumento do arrasto atmosférico em determinadas situações.

Para as pessoas na superfície, uma tempestade geomagnética desse nível não representa uma ameaça direta à saúde. Os efeitos relacionados à radiação são uma preocupação maior para astronautas e, em eventos específicos, para tripulações e passageiros de voos em grandes altitudes e altas latitudes.

A previsão, portanto, é de um episódio de atividade geomagnética moderada, e não de uma emergência. Os centros de monitoramento continuam acompanhando a trajetória da CME e atualizando as estimativas, já que pequenas mudanças na estrutura da nuvem de plasma podem alterar tanto o horário de chegada quanto a intensidade da tempestade.

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